2006-02-27
Etoo
Este fim-de-semana, mais uma vez, o espectro do racismo voltou aos campos de futebol. Depois do episódio do Cálcio, foi a vez da Liga Espanhola, e a vítima foi um dos melhores avançados da actualidade, pelo menos para mim, Samuel Etoo, jogador do Barcelona (a minha equipa preferida no país vizinho).Decorria o jogo entre o Zaragoza e o Barca, quando uma parte do público, mais concretamente a claque da equipa local, decidiu começar com ofensas e cânticos de natureza racista ao avançado dos Camarões. O jogo chegou a ser interrompido perante a vontade de Etoo em abandonar o jogo, pretensão que foi alvo de vários gestos de solidariedade do árbitro, colegas de clube e até de jogadores da equipa adversária.
O jogo seguiu e Etoo desforrou-se da ignorância dos adeptos ao fazer uma excelente assistência para Larsson que não desperdiçou.
Esta é mais uma prova que nas claques dos clubes existe muito mais do que apenas paixão pelo clube da sua preferência. Existe ódio, racismo, xenofobia, violência, desrespeito pelas regras de boa convivência, marginalidade e muita, muita ignorância.
Coisas que nunca mudam
Banca estuda aplicação da 'taxa multibanco'
A utilização das caixas Multibanco é hoje um acto quase tão comum como lavar a cara de manhã. As pessoas, mesmo as mais cépticas, acabaram por se render à facilidade de obter dinheiro na rua, de forma lícita é claro, a qualquer hora do dia ou da noite. Estas operações têm um custo na medida em que nada é de borla nesta vida. O que está em causa saber é se os clientes que já pagam as suas despesas de manutenção devem ser sobrecarregados com mais este custo. É óbvio que se trata de um serviço prestado ao cliente que neste caso é suportado pelos bancos junto da entidade gestora da rede de Multibanco, a Sociedade Interbancária de Serviços S.A. (SIBS).
As máquinas Multibanco oferecem aos bancos uma circunstância que é hoje muito apreciada no racionamento de custos. Se o cliente utiliza os serviços automáticos sem entrar nos balcões, liberta um conjunto de pessoas para outras actividades comerciais e permite um racionamento ao nível do número de empregados por agência. Caso as comissões de utilização sejam implementadas, como julgo que um dia serão, os clientes, terão tendência a inundar os balcões para realizar essas operações que estão disponíveis nas máquinas. É óbvio que consultar um saldo, levantar dinheiro ou efectuar um pagamento de serviços ao balcão, pode sempre supor um custo ainda mais alto do que aquele que o cliente teria na máquina. Mas isso a manter-se por muito tempo levará os bancos a reagir e repensar a sua estratégia. Partindo do princípio que ninguém mete uma pessoa na rua por esta necessitar de um serviço, os funcionários terão de gastar todo o seu tempo no atendimento clássico ao cliente. Será um retrocesso completo e o desempenho comercial irá ressentir-se. Mas para isto acontecer é necessária uma forte mobilização das pessoas. Duvido que aconteça.
Resumindo e concluindo não sou a favor do pagamento de comissões na utilização do Multibanco a partir do momento em que já pagamos despesas de manutenção de conta, bem como outros serviços bancários (requisição de livro de cheques, aberturas de processo de crédito, anuidades de cartões, juros, comissões sobre operações com moeda estrangeira, etc…), mas sobretudo porque ao não me deslocar ao balcão isso já representa um benefício para a entidade bancária. Quando um cliente entra numa agência há também um custo associado a isso. Como é óbvio o que os bancos querem é que os clientes não vão aos balcões mas paguem as comissões do Multibanco.
Nota: Ao contrário do que é escrito na notícia os serviços de Internet (home-banking) e de atendimento telefónico não são gratuitos para o cliente. Existem bancos que cobram esses serviços.
O "frango"
2006-02-26
À volta do crime
A Justiça far-se-á, estou convencido disso.
Entretanto e porque faz parte de uma certa encenação que ajuda a promover a causa gay, levantou-se o espectro da homofobia, a qual não explica tudo ainda que possa ter alguma influência.
Não sei se o motivo do crime foi o facto da vítima ser homossexual ou se os rapazes “défices” seriam capaz de fazer o mesmo com um outro qualquer sem-abrigo. Talvez sim ou não. Agora que existe uma premeditada promoção à volta do acto em si, no sentido de fazer vingar outras questões, isso parece-me óbvio.
Gargalhadas
2006-02-24
Um Bom Carnaval para todos
2006-02-23
Ainda sobre a energia nuclear
SIADAP
A Administração Pública e os seus agentes devem evoluir para um modelo de gestão orientado pela persecução de objectivos, numa plataforma de exigência e responsabilização. É assim que funciona uma boa parte do sector privado e não existe nada que impeça o sector público de se adequar a esta realidade que tem como objectivo servir melhor o cidadão.
Por outro lado não se motivam funcionários públicos com um sistema que não é capaz de distinguir o trigo do joio, ou seja quem trabalha bem de quem simplesmente não trabalha. O nivelar por baixo é um factor de desmotivação e consequentemente de improdutividade.
A má imagem que existe do funcionalismo público é derivado, não só mas também da falta de critérios quando toca a avaliar o desempenho de cada um na sua missão.
Isto não se trata de apertar o cerco e muito menos atacar os direitos dos trabalhadores. Trata-se isso sim de promover quem tem mérito e não generalizar as notas máximas como actualmente acontece de forma escandalosa.
2006-02-22
Nuclear
Insistem nas energias renováveis não poluentes que como é sabido não são sequer competitivas com uma central nuclear. São dimensões completamente diferentes.
Como é óbvio, neste âmbito é necessário falar também em eficiência energética que é um debate que está por fazer no nosso país e que, à semelhança de muitas outras coisas, está dependente e muito de alguma mudança de hábitos e de mentalidades.
Gostava apenas deixar uma nota pessoal, sendo certo que vale a pena voltar ao assunto: quem pensa que a produção de energia renovável e amiga do ambiente não chateia ninguém, nem sabe o que está a falar. Podem ser uma minoria, é certo, mas perguntem a quem tem uma casa perto de um parque eólico o que pensa do mesmo.
Que equipa é esta?
Ontem a noite depois de ver a primeira parte senti a coerência das últimas semanas. Uma equipa entregue à sua sorte, submissa ao adversário que controlou por completo, apesar de não ter tido grandes oportunidades para marcar. Temi o pior.
Na segunda parte a coisa mudou de figura. Veio ao de cima uma equipa que aguenta no meio campo o jogo e só o deixa ir para trás em situações avulsas sem que isso corresponda a uma toada atacante do adversário. A defesa quando foi chamada a intervir, cumpriu. Quando foi chamada a ir lá em cima, marcou.
O SLB um pouco antes de marcar o golo estava com cerca de 60% de posse de bola, no período que compreendia o reatar da partida até esse momento. O que tendo pela frente o Campeão da Europa e ainda mais sendo uma equipa inglesa que normalmente são excelentes a aguentar o jogo no seu domínio, faz o mérito subir em flecha.
E assim foi. O SLB mostrou-se diferente daquilo que tem demonstrado nos últimos jogos domésticos e arrancou uma vitória que até podia ter sido por mais um golo.
Não está nada resolvido mas se o SLB jogar assim em Liverpool, não vai ser fácil aos de Anfield Road revalidarem o título.
2006-02-21
Silêncio dos Inocentes
No entanto quero abordar uma parte da reportagem que me pareceu curiosa. A certa altura e de forma surpreendente a jornalista joga para cima da mesa do Ministro Vieira da Silva um conjunto de fotografias de crianças mal tratadas e a seguir pergunta, perante o olhar atónito do governante: Porquê?
O ministro deu uma resposta politicamente correcta e que faz sentido por ser verdadeira. Hoje as coisas estão muito melhores do que estavam há uns anos atrás. É um facto.
Contudo o que está em causa é, sem cair na demagogia, uma questão de prioridades.
É impossível colocar um polícia ou um assistente social à porta de casa de cada família cujas crianças estejam na eminência de serem violadas ou agredidas. Mas existe uma clara falta de meios e esses meios correspondem à hierarquização das prioridades. As nossas prioridades estiveram e estão voltadas para a construção de estádios, de um novo aeroporto ou do TGV. São opções discutíveis mas o que é certo é que foi decidido fazer assim. A protecção de crianças e jovens em risco implica afectar recursos. O que não falta no desemprego são pessoas formadas nas áreas sociais que podiam ajudar a minorar o problema ou pelo menos a agir mais rapidamente na identificação dos casos. Mas essa não tem sido a nossa prioridade.
A violência infantil só termina no dia em que não houver crianças. Como isso não é expectável, ela manter-se-á presente nas nossas vidas. Há portanto que prevenir, combater as causas e punir os agressores.
Boa vontade só, não chega.
2006-02-20
Um ano
Portugal desembaraçou-se de Pedro Santana Lopes e deu o benefício da dúvida ao PS que nunca tinha tido condições como as actuais para governar.
Passado um ano algumas questões começam a vir ao de cima.
Valeu a pena mudar?
Portugal está melhor do que estava há um ano atrás?
Tem o governo correspondido com as expectativas que nele foram depositadas?
Apanhado em flagrante
2006-02-16
Vanessa
Privatizações
WPP 2006

Este ano a fotografia vencedora do World Press Photo, mais uma vez, prima pela simplicidade. Tão simples como simples é a doença, a miséria, a fome e a morte infantil no continente africano.
Este ano o prestigiado galardão foi parar às mãos do fotografo canadiano da Reuteurs, Finbarr O'Reilly. Trata-se de uma fotografia feita num campo de assistência médica no Níger, país martirizado por tudo quanto existe de mau à face da terra. As rugas da mão do bebé, são impressionantes. O olhar da mãe é desconcertante. Mais uma vez a foto vencedora retrata a tragédia, conforme aconteceu no ano passado e no anterior.
Alemanha 2006
Será que podemos ganhar aos iranianos sem corrermos o risco de nos ser lançada uma jihad?Será que eles gostam mesmo de futebol e fazem questão de ganhar o jogo?
Se for assim, presumo que já esteja alguém no governo a preparar uma de duas coisas:
Um comunicado a pedir desculpa para a eventualidade do Cristiano Ronaldo e companhia os obrigarem a ir buscar uma bolas ao fundo das redes ou então a elaboração de um decreto-lei que obrigue os jogadores da nossa selecção a fazerem uma figura parecida com aquela que os Olímpicos protagonizaram com requintes de desleixo no jogo contra o Iraque na última edição dos Jogos. Lembram-se? Nem sabíamos de onde elas vinham.
A homenagem
Depois de Pacheco Pereira se associar à homenagem do seu colega de debate foi a vez de Jorge Coelho que acompanhou a tendência, com todo o sentido, afirmando com vigor a sua repulsa pelos atentados terroristas e pelo clima de medo e de terror que semearam o qual foi necessário combater e eliminar.
Eu não me recordo mas se alguém se recorda que o diga: Jorge Coelho esteve por acaso contra ou manifestou publicamente alguma reserva em 1996 quando foi votada a amnistia aos operacionais das FP-25 sob proposta de Mário Soares com o voto favorável do PS? É que se não fez a coisa não bate certa. As declarações de Coelho ontem à noite foram muito acertadas e qualquer pessoa de bom senso revê-se nelas. Mas não são de quem esteve de acordo com a amnistia. Pelo menos não parecem.
Obrigado mas não
O tal senhor iraniano tentou refazer a História à sua maneira branqueando aquilo que foram os horrores do Holocausto e do nazismo. Porventura não é de estranhar. O nazismo e o actual fundamentalismo islâmico têm as suas semelhanças. Os métodos eram outros mas o fim é o mesmo ou parecido: a eliminação do povo judeu, o racismo e a xenofobia.
Os elogios que a diplomacia iraniana fez ao governo português são daqueles a que devemos sempre dizer: - Muito obrigado mas não fazem falta.
O problema é que o MNE pôs-se a jeito para os receber.
2006-02-15
O agradecimento iraniano
Depois de o ouvir elogiar as ideias assombrosas do Ministro dos Negócios Estrangeiros português e logo a seguir referir-se ao Holocausto Nazi como um mito e a Auschwitz como uma farsa onde não foram incinerados tantos judeus quantos os que a História relata, fiquei mais esclarecido sobre quem anda o governo português a defender. Afinal não fui injusto. Não é este o meu lado. O meu lado é daqueles que acham que não nos temos de colocar de cócoras perante quem acena a bandeira do terrorismo, do medo e da morte.
2006-02-14
Cartoon
2006-02-10
Professor Diogo Freitas do Amaral
1 – Brilhante académico, talvez o melhor especialista português em Direito Administrativo.
2 – Referência democrática no período em que a esquerda quase tomou de assalto o Poder em Portugal, vítima de muitos que agora se sentam ao seu lado ou lhe dão palmadinhas nas costas.
3 – Intelectual de referência do nosso país, com bibliografia publicada fora da sua especialidade que já foi referida no ponto 1.
4 – Provavelmente o mais categorizado ministro do actual governo.
5 – Mais valia ao nível da diplomacia portuguesa e grande trunfo na formação do governo conforme escrevi aqui a 12 de Março do ano passado.
6 – Apesar da sua colaboração mais ou menos estreita com o regime de Marcelo Caetano, foi sempre um profundo crítico do sistema, tendo mesmo tentado persuadir os governantes da altura a inverter o rumo. Para além da clandestinidade e da prisão política, existem outras formas de combater o fascismo e Freitas do Amaral é disso bom exemplo.
7 – Fundou, com muito mérito, um partido que hoje em dia não se revê no seu fundador e sobre essa matéria a minha opinião foi esta.
Tudo isto é o que penso da pessoa, do político e do intelectual. Outra coisa é aquilo que está escrito no comunicado que produziu e que tem merecido a crítica e reprovação generalizada, mesmo dentro do próprio PS e alguma esquerda. Tenho esse direito. Não sou desonesto por isso.
Ramos Horta na ONU
2006-02-09
Façam mais comunicados
Mas mesmo entre eles são de facto muito justos. Aproveitem para ver os vídeos.
Pergunta Aberta ao Prof. Freitas do Amaral

- Sr. Professor Diogo Freitas do Amaral, qual a sua opinião sobre este homem? Está pensando em dedicar-lhe um comunicado?
A Inquisição do nosso tempo
Não consta que nesse período entre o fim da Idade Média e o Renascentismo, Gil Vicente tenha sido pendurado pelo pescoço ou condenado a outro qualquer castigo, sendo certo que na altura existiam prática eclesiásticas muito condenáveis. Consta isso sim, que depois da sua morte o seu legado chegou a ser censurado pela Inquisição cujo comportamento na altura era parecido com o actual fundamentalismo islâmico, cinco séculos depois.
Os cartoons dinamarquesas são também um pouco isso. A sátira e a crítica a quem em nome de Alá, Maomé ou seja lá o que for, mata e promove o terrorismo.
2006-02-08
Sai uma geladinha
Não subscrevo
O governo do meu país que é também meu sem que eu tenha votado nele, não tem nada que colocar-se de cócoras perante o fundamentalismo islâmico, sem ser capaz de olhar para o seu parceiro europeu onde a liberdade e a democracia são valores invioláveis.
São comunicados como este que dão razão e força aos que agora se manifestam através da violência, pilhagens e até mortes. Uma vergonha.
2006-02-07
Microsoft power
É um facto que a Microsoft é um gigante da informática e que pode ser muito útil na formação tecnológica do país. Mas será a única empresa capaz disso? E as outras? Foram consultadas?
O governo já veio dizer que não está preso ao software da empresa podendo sempre optar por outras soluções. Será? Fará sentido formar pessoas com software Microsotf e depois escolher uma outra realidade para trabalhar? O tempo o dirá. Mas é estranho que até agora não tenha sido possível quantificar financeiramente o que está em causa nas parcerias estabelecidas com o gigante informático americano.
Os cartoons
Bem haja Engenheiro Belmiro
Infelizmente a PT é ainda uma empresa com estatutos blindados, nomeadamente ao nível da participação do Estado que através de 500 acções, menos do que aquelas que eu e muitos milhares de portugueses temos em carteiras de pequenos investidores, possui a chamada golden share que é das coisas mais patéticas que pode existir numa empresa que foi toda ela privatizada e que impede, nalguns casos, que o mercado funcione livremente sem o estorvo de um grão de areia preso nas engrenagens.
A atitude de Belmiro de Azevedo é uma pedrada no charco nesse marasmo que dá pelo nome de Euronext Lisbon.
2006-02-06
Mau gosto
2006-02-05
Boa escolha
2006-02-04
Missing in action
2006-02-03
Manifestação III
- Mentirosos.
Perguntei à pessoa que estava comigo:
- Mas quem foi capaz de mentir a tanta gente ao mesmo tempo?
Manifestação II
- Então? Que fazes aqui? Perguntei eu em jeito de quem imagina a resposta. É claro que estava a manifestar-se. É normal.
Mas ele respondeu com mais requinte:
- Estou aqui para não me roubarem os meus direitos.
Acho bem, pensei eu. Calculo que ele teria o mesmo comportamento se lhe tentassem roubar os deveres.
Manifestação I
Esta tarde
- Malandros, vão mas é trabalhar.
O dito senhor não aceitava a jornada de luta. Para ele fazia mais sentido que os manifestantes estivessem no seu local de trabalho a ajudar a empurrar o país para a frente. Naturalmente que a resposta não se fez esperar:
- Fascista!
Há de facto coisas que não mudam vai para trinta anos. A definição de fascista é uma delas. Fascista é então aquele que acha que mais vale trabalhar que manifestar.
2006-02-02
Directas
Num partido como o PSD, organizado a nível nacional e com secções eleitas na esmagadora maioria dos concelhos, não pode deixar de ter um outro modelo de eleição adequado aos tempos que correm. Já o escrevi e disse noutras circunstâncias: Sócrates, antes de ganhar o país, ganhou o partido a nível nacional. É e foi um bom exemplo da virtude das eleições directas. Um líder nacional do PSD não pode ser a consequência de jogos de bastidores no Congresso e negócios de distritais. Deve ser o resultado da vontade dos militantes com as quotas pagas e com vontade de participar na eleição.
Sou a favor das eleições directas.
2006-02-01
Folclore
A resolução da questão pode até ser irreversível, acompanhando o que está a acontecer noutros países da Europa. Mas não pode nem deve ser tratada a este nível porque só cria ruído de fundo e mediatismo exagerado. Aliás, outra coisa não será de esperar. O assunto resolve-se na Assembleia da República, mais cedo ou mais tarde.


