2006-02-27

Etoo 

Este fim-de-semana, mais uma vez, o espectro do racismo voltou aos campos de futebol. Depois do episódio do Cálcio, foi a vez da Liga Espanhola, e a vítima foi um dos melhores avançados da actualidade, pelo menos para mim, Samuel Etoo, jogador do Barcelona (a minha equipa preferida no país vizinho).
Decorria o jogo entre o Zaragoza e o Barca, quando uma parte do público, mais concretamente a claque da equipa local, decidiu começar com ofensas e cânticos de natureza racista ao avançado dos Camarões. O jogo chegou a ser interrompido perante a vontade de Etoo em abandonar o jogo, pretensão que foi alvo de vários gestos de solidariedade do árbitro, colegas de clube e até de jogadores da equipa adversária.
O jogo seguiu e Etoo desforrou-se da ignorância dos adeptos ao fazer uma excelente assistência para Larsson que não desperdiçou.
Esta é mais uma prova que nas claques dos clubes existe muito mais do que apenas paixão pelo clube da sua preferência. Existe ódio, racismo, xenofobia, violência, desrespeito pelas regras de boa convivência, marginalidade e muita, muita ignorância.

Coisas que nunca mudam 

Já desde o tempo das cavernas que os homens preferem as louras

Banca estuda aplicação da 'taxa multibanco'  

Eu acho que este assunto é uma inevitabilidade dentro de algum tempo, nomeadamente porque as pessoas no seu dia-a-dia não têm grandes condições para se mobilizar e mostrar o seu descontentamento.
A utilização das caixas Multibanco é hoje um acto quase tão comum como lavar a cara de manhã. As pessoas, mesmo as mais cépticas, acabaram por se render à facilidade de obter dinheiro na rua, de forma lícita é claro, a qualquer hora do dia ou da noite. Estas operações têm um custo na medida em que nada é de borla nesta vida. O que está em causa saber é se os clientes que já pagam as suas despesas de manutenção devem ser sobrecarregados com mais este custo. É óbvio que se trata de um serviço prestado ao cliente que neste caso é suportado pelos bancos junto da entidade gestora da rede de Multibanco, a Sociedade Interbancária de Serviços S.A. (SIBS).
As máquinas Multibanco oferecem aos bancos uma circunstância que é hoje muito apreciada no racionamento de custos. Se o cliente utiliza os serviços automáticos sem entrar nos balcões, liberta um conjunto de pessoas para outras actividades comerciais e permite um racionamento ao nível do número de empregados por agência. Caso as comissões de utilização sejam implementadas, como julgo que um dia serão, os clientes, terão tendência a inundar os balcões para realizar essas operações que estão disponíveis nas máquinas. É óbvio que consultar um saldo, levantar dinheiro ou efectuar um pagamento de serviços ao balcão, pode sempre supor um custo ainda mais alto do que aquele que o cliente teria na máquina. Mas isso a manter-se por muito tempo levará os bancos a reagir e repensar a sua estratégia. Partindo do princípio que ninguém mete uma pessoa na rua por esta necessitar de um serviço, os funcionários terão de gastar todo o seu tempo no atendimento clássico ao cliente. Será um retrocesso completo e o desempenho comercial irá ressentir-se. Mas para isto acontecer é necessária uma forte mobilização das pessoas. Duvido que aconteça.
Resumindo e concluindo não sou a favor do pagamento de comissões na utilização do Multibanco a partir do momento em que já pagamos despesas de manutenção de conta, bem como outros serviços bancários (requisição de livro de cheques, aberturas de processo de crédito, anuidades de cartões, juros, comissões sobre operações com moeda estrangeira, etc…), mas sobretudo porque ao não me deslocar ao balcão isso já representa um benefício para a entidade bancária. Quando um cliente entra numa agência há também um custo associado a isso. Como é óbvio o que os bancos querem é que os clientes não vão aos balcões mas paguem as comissões do Multibanco.

Nota: Ao contrário do que é escrito na notícia os serviços de Internet (home-banking) e de atendimento telefónico não são gratuitos para o cliente. Existem bancos que cobram esses serviços.

O "frango" 

Toda a imprensa desportiva se refere ao golo do SLB como um frango de Vítor Baía. Eu não estou tão certo que tenha sido um frango. Basta ver as imagens feitas atrás da baliza para perceber que aquela bola não era fácil de agarrar. Laurent Robert não marcou um golo fortuito.

2006-02-26

À volta do crime 

O crime do Porto - a morte de um cidadão brasileiro travesti – é hediondo e entra para a lista dos crimes mais violentos ocorridos no nosso país, com a agravante, porque é grave de facto, de ter sido praticado por um grupo de jovens “difíceis” que, ao que parece, com requintes de malvadez, torturaram até à morte a vítima.
A Justiça far-se-á, estou convencido disso.
Entretanto e porque faz parte de uma certa encenação que ajuda a promover a causa gay, levantou-se o espectro da homofobia, a qual não explica tudo ainda que possa ter alguma influência.
Não sei se o motivo do crime foi o facto da vítima ser homossexual ou se os rapazes “défices” seriam capaz de fazer o mesmo com um outro qualquer sem-abrigo. Talvez sim ou não. Agora que existe uma premeditada promoção à volta do acto em si, no sentido de fazer vingar outras questões, isso parece-me óbvio.

Gargalhadas 

Vejam este vídeo no Google e depois digam-me se não é um espectáculo.

2006-02-24

Um Bom Carnaval para todos 


Divirtam-se que tristezas não pagam dívidas...

2006-02-23

Ainda sobre a energia nuclear 

Um artigo para ler.

SIADAP 

A Assembleia da República discute hoje um tema que é de primordial importância para a Administração Púbica. Trata-se do Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública, matéria controversa mas que se torna um imperativo para o bom funcionamento do sistema.
A Administração Pública e os seus agentes devem evoluir para um modelo de gestão orientado pela persecução de objectivos, numa plataforma de exigência e responsabilização. É assim que funciona uma boa parte do sector privado e não existe nada que impeça o sector público de se adequar a esta realidade que tem como objectivo servir melhor o cidadão.
Por outro lado não se motivam funcionários públicos com um sistema que não é capaz de distinguir o trigo do joio, ou seja quem trabalha bem de quem simplesmente não trabalha. O nivelar por baixo é um factor de desmotivação e consequentemente de improdutividade.
A má imagem que existe do funcionalismo público é derivado, não só mas também da falta de critérios quando toca a avaliar o desempenho de cada um na sua missão.
Isto não se trata de apertar o cerco e muito menos atacar os direitos dos trabalhadores. Trata-se isso sim de promover quem tem mérito e não generalizar as notas máximas como actualmente acontece de forma escandalosa.

2006-02-22

Nuclear 

Está lançado em Portugal o debate sobre a produção de energia nuclear. Sem dúvida alguma um bom motivo de conversa e debate. De um lado aqueles que acham que Portugal está demasiado dependente do estrangeiro e gasta recursos a comprar lá fora o que podia produzir cá dentro. Do outro os ecologistas que olham para o nuclear como quem olha para a peste negra.
Insistem nas energias renováveis não poluentes que como é sabido não são sequer competitivas com uma central nuclear. São dimensões completamente diferentes.
Como é óbvio, neste âmbito é necessário falar também em eficiência energética que é um debate que está por fazer no nosso país e que, à semelhança de muitas outras coisas, está dependente e muito de alguma mudança de hábitos e de mentalidades.
Gostava apenas deixar uma nota pessoal, sendo certo que vale a pena voltar ao assunto: quem pensa que a produção de energia renovável e amiga do ambiente não chateia ninguém, nem sabe o que está a falar. Podem ser uma minoria, é certo, mas perguntem a quem tem uma casa perto de um parque eólico o que pensa do mesmo.

Que equipa é esta? 

O SLB há cerca de um mês que decidiu mudar por completo o rumo que estava a levar na Liga e decidiu começar a perder jogos e a abstrair-se da competição. Foi assim com o SCP em casa onde pura e simplesmente fez de contas que aquilo não era com ele. Foi assim em Leiria onde a displicência de não marcar nas oportunidades que teve deu num resultado amargo e foi assim também em Guimarães onde a apatia generalizada o conduziu à derrota. Pelo meio ganhou ao Penafiel sem jogar bem apesar de ter sido eficaz. Pelo meio ficou a eliminatória da Taça onde venceu o Nacional nas grandes penalidades.
Ontem a noite depois de ver a primeira parte senti a coerência das últimas semanas. Uma equipa entregue à sua sorte, submissa ao adversário que controlou por completo, apesar de não ter tido grandes oportunidades para marcar. Temi o pior.
Na segunda parte a coisa mudou de figura. Veio ao de cima uma equipa que aguenta no meio campo o jogo e só o deixa ir para trás em situações avulsas sem que isso corresponda a uma toada atacante do adversário. A defesa quando foi chamada a intervir, cumpriu. Quando foi chamada a ir lá em cima, marcou.
O SLB um pouco antes de marcar o golo estava com cerca de 60% de posse de bola, no período que compreendia o reatar da partida até esse momento. O que tendo pela frente o Campeão da Europa e ainda mais sendo uma equipa inglesa que normalmente são excelentes a aguentar o jogo no seu domínio, faz o mérito subir em flecha.
E assim foi. O SLB mostrou-se diferente daquilo que tem demonstrado nos últimos jogos domésticos e arrancou uma vitória que até podia ter sido por mais um golo.
Não está nada resolvido mas se o SLB jogar assim em Liverpool, não vai ser fácil aos de Anfield Road revalidarem o título.

2006-02-21

Silêncio dos Inocentes 

Ontem à noite a TVI passou uma excelente reportagem sobre a violência infantil com imagens que nos chocam e que revelam a bestialidade do ser humano. Sim, há de facto seres humanos a quem chamar besta é um elogio. Estão abaixo disso.
No entanto quero abordar uma parte da reportagem que me pareceu curiosa. A certa altura e de forma surpreendente a jornalista joga para cima da mesa do Ministro Vieira da Silva um conjunto de fotografias de crianças mal tratadas e a seguir pergunta, perante o olhar atónito do governante: Porquê?
O ministro deu uma resposta politicamente correcta e que faz sentido por ser verdadeira. Hoje as coisas estão muito melhores do que estavam há uns anos atrás. É um facto.
Contudo o que está em causa é, sem cair na demagogia, uma questão de prioridades.
É impossível colocar um polícia ou um assistente social à porta de casa de cada família cujas crianças estejam na eminência de serem violadas ou agredidas. Mas existe uma clara falta de meios e esses meios correspondem à hierarquização das prioridades. As nossas prioridades estiveram e estão voltadas para a construção de estádios, de um novo aeroporto ou do TGV. São opções discutíveis mas o que é certo é que foi decidido fazer assim. A protecção de crianças e jovens em risco implica afectar recursos. O que não falta no desemprego são pessoas formadas nas áreas sociais que podiam ajudar a minorar o problema ou pelo menos a agir mais rapidamente na identificação dos casos. Mas essa não tem sido a nossa prioridade.
A violência infantil só termina no dia em que não houver crianças. Como isso não é expectável, ela manter-se-á presente nas nossas vidas. Há portanto que prevenir, combater as causas e punir os agressores.
Boa vontade só, não chega.

2006-02-20

Um ano 

Fez hoje um ano que José Sócrates venceu as eleições legislativas.
Portugal desembaraçou-se de Pedro Santana Lopes e deu o benefício da dúvida ao PS que nunca tinha tido condições como as actuais para governar.
Passado um ano algumas questões começam a vir ao de cima.
Valeu a pena mudar?
Portugal está melhor do que estava há um ano atrás?
Tem o governo correspondido com as expectativas que nele foram depositadas?

Apanhado em flagrante 



Obrigado ao Pedro pela fotografia. Apanhado em flagrante, eu e a Rita.

2006-02-16

Vanessa 

Poucas coisas na vida me comovem mais do que uma criança mal tratada. Depois de ter sido pai confesso que a sensibilidade aumentou, porque ao ouvir ou ler os relatos de maus-tratos infantis, olho para a minha filha e vejo nela a fragilidade e a pureza de uma criança que não quer outra coisa do que viver, crescer e brincar. Não entendo a violência cometida sobre um ser humano de forma gratuita e muito menos sobre uma criança. Quem mundo é este em que vivem os carrascos das crianças? No que pensa esta gente? O que as move? Porquê? Essencialmente, porquê?

Privatizações 

Governo não afasta privatização dos CTT

Inevitável?

WPP 2006 


Este ano a fotografia vencedora do World Press Photo, mais uma vez, prima pela simplicidade. Tão simples como simples é a doença, a miséria, a fome e a morte infantil no continente africano.
Este ano o prestigiado galardão foi parar às mãos do fotografo canadiano da Reuteurs, Finbarr O'Reilly. Trata-se de uma fotografia feita num campo de assistência médica no Níger, país martirizado por tudo quanto existe de mau à face da terra. As rugas da mão do bebé, são impressionantes. O olhar da mãe é desconcertante. Mais uma vez a foto vencedora retrata a tragédia, conforme aconteceu no ano passado e no anterior.

Alemanha 2006 

O nosso grupo é composto pelo México, Angola e o Irão. Certo?
Será que podemos ganhar aos iranianos sem corrermos o risco de nos ser lançada uma jihad?Será que eles gostam mesmo de futebol e fazem questão de ganhar o jogo?
Se for assim, presumo que já esteja alguém no governo a preparar uma de duas coisas:
Um comunicado a pedir desculpa para a eventualidade do Cristiano Ronaldo e companhia os obrigarem a ir buscar uma bolas ao fundo das redes ou então a elaboração de um decreto-lei que obrigue os jogadores da nossa selecção a fazerem uma figura parecida com aquela que os Olímpicos protagonizaram com requintes de desleixo no jogo contra o Iraque na última edição dos Jogos. Lembram-se? Nem sabíamos de onde elas vinham.

A homenagem 

Ontem à noite, o programa a Quadratura do Círculo começou com a homenagem póstuma de António Lobo Xavier a uma das vítimas mortais das FP-25. Tratava-se de um amigo pessoal seu que trabalhava no sistema prisional e que os terroristas assassinaram, salvo erro, à porta de casa.
Depois de Pacheco Pereira se associar à homenagem do seu colega de debate foi a vez de Jorge Coelho que acompanhou a tendência, com todo o sentido, afirmando com vigor a sua repulsa pelos atentados terroristas e pelo clima de medo e de terror que semearam o qual foi necessário combater e eliminar.
Eu não me recordo mas se alguém se recorda que o diga: Jorge Coelho esteve por acaso contra ou manifestou publicamente alguma reserva em 1996 quando foi votada a amnistia aos operacionais das FP-25 sob proposta de Mário Soares com o voto favorável do PS? É que se não fez a coisa não bate certa. As declarações de Coelho ontem à noite foram muito acertadas e qualquer pessoa de bom senso revê-se nelas. Mas não são de quem esteve de acordo com a amnistia. Pelo menos não parecem.

Obrigado mas não 

Como seria de esperar, a menos que estivéssemos perante uma perda de juízo colectiva, o governo demarcou-se e reclamou contra as declarações do embaixador do Irão que provavelmente ainda é de família do ex-Ministro da Informação iraquiano na altura da intervenção militar que depôs Saddam Hussein. Tentou com uma mão lavar a outra, é verdade. Mas pelo menos disse qualquer coisa num sentido diferente do anterior comunicado. Sendo certo que o que diz um diplomata iraniano a um microfone de uma rádio nacional não tem nem um mílimetro de expressão em relação ao que está a acontecer à volta dos cartoons dinamarqueses.
O tal senhor iraniano tentou refazer a História à sua maneira branqueando aquilo que foram os horrores do Holocausto e do nazismo. Porventura não é de estranhar. O nazismo e o actual fundamentalismo islâmico têm as suas semelhanças. Os métodos eram outros mas o fim é o mesmo ou parecido: a eliminação do povo judeu, o racismo e a xenofobia.
Os elogios que a diplomacia iraniana fez ao governo português são daqueles a que devemos sempre dizer: - Muito obrigado mas não fazem falta.
O problema é que o MNE pôs-se a jeito para os receber.
Já agora, não seria razão suficiente, depois de tanto disparate, indicar a porta de saída a este senhor iraniano que põem em causa questões fundamentais da Humanidade num país livre e democrático como é Portugal?

2006-02-15

O agradecimento iraniano 

Depois de ouvir as declarações do representante diplomático em Lisboa do governo fundamentalista islâmico do Irão, cujo primeiro-ministro não tem feito outra coisa nos últimos tempos senão lançar a incerteza, a instabilidade e o medo, nomeadamente ao nível do conflito israelo-árabe, sobre o comunicado de Freitas do Amaral, fiquei mais tranquilo e confortável em relação ao que escrevi por aqui sobre essa matéria.
Depois de o ouvir elogiar as ideias assombrosas do Ministro dos Negócios Estrangeiros português e logo a seguir referir-se ao Holocausto Nazi como um mito e a Auschwitz como uma farsa onde não foram incinerados tantos judeus quantos os que a História relata, fiquei mais esclarecido sobre quem anda o governo português a defender. Afinal não fui injusto. Não é este o meu lado. O meu lado é daqueles que acham que não nos temos de colocar de cócoras perante quem acena a bandeira do terrorismo, do medo e da morte.

2006-02-14

Cartoon 












O problema é exactamente este...

2006-02-10

Professor Diogo Freitas do Amaral 

A minha opinião sobre o Professor Diogo Freitas do Amaral é a seguinte:

1 – Brilhante académico, talvez o melhor especialista português em Direito Administrativo.

2 – Referência democrática no período em que a esquerda quase tomou de assalto o Poder em Portugal, vítima de muitos que agora se sentam ao seu lado ou lhe dão palmadinhas nas costas.

3 – Intelectual de referência do nosso país, com bibliografia publicada fora da sua especialidade que já foi referida no ponto 1.

4 – Provavelmente o mais categorizado ministro do actual governo.

5 – Mais valia ao nível da diplomacia portuguesa e grande trunfo na formação do governo conforme escrevi aqui a 12 de Março do ano passado.

6 – Apesar da sua colaboração mais ou menos estreita com o regime de Marcelo Caetano, foi sempre um profundo crítico do sistema, tendo mesmo tentado persuadir os governantes da altura a inverter o rumo. Para além da clandestinidade e da prisão política, existem outras formas de combater o fascismo e Freitas do Amaral é disso bom exemplo.

7 – Fundou, com muito mérito, um partido que hoje em dia não se revê no seu fundador e sobre essa matéria a minha opinião foi esta.


Tudo isto é o que penso da pessoa, do político e do intelectual. Outra coisa é aquilo que está escrito no comunicado que produziu e que tem merecido a crítica e reprovação generalizada, mesmo dentro do próprio PS e alguma esquerda. Tenho esse direito. Não sou desonesto por isso.

Ramos Horta na ONU 

Ramos Horta como secretário-Geral da ONU seria o corolário de uma brilhante carreira e missão na defesa dos Direitos Humanos e da auto-determinação dos povos. Portugal deve dar força à candidatura de Ramos Horta e exercer a sua capacidade diplomática nesse sentido. Seria quase como ter um português no cargo.
Numa altura de tanta intolerância, faz todo o sentido promover a tolerância que Ramos Horta representa.

2006-02-09

Façam mais comunicados 

Desculpem-me a insistência mas estas coisas revoltam-me o estômago. Estes tipos não merecem cartoons. Na verdade nem sei o que merecem.
Mas mesmo entre eles são de facto muito justos. Aproveitem para ver os vídeos.

Pergunta Aberta ao Prof. Freitas do Amaral 


- Sr. Professor Diogo Freitas do Amaral, qual a sua opinião sobre este homem? Está pensando em dedicar-lhe um comunicado?

A Inquisição do nosso tempo 

O Auto da Barca do Inferno escrito por Gil Vicente no principio do século XVI e que muitos de nós estudámos na escola, era uma peça satírica cheia de critica, humor e onde se parodiava com os diversos sectores da sociedade da época incluindo a Igreja.
Não consta que nesse período entre o fim da Idade Média e o Renascentismo, Gil Vicente tenha sido pendurado pelo pescoço ou condenado a outro qualquer castigo, sendo certo que na altura existiam prática eclesiásticas muito condenáveis. Consta isso sim, que depois da sua morte o seu legado chegou a ser censurado pela Inquisição cujo comportamento na altura era parecido com o actual fundamentalismo islâmico, cinco séculos depois.
Os cartoons dinamarquesas são também um pouco isso. A sátira e a crítica a quem em nome de Alá, Maomé ou seja lá o que for, mata e promove o terrorismo.

2006-02-08

Sai uma geladinha 

Lula não bebe há 40 dias

Não subscrevo 

Este comunicado é confrangedor para um país como o nosso, livre e democrático, onde os governantes derivam de uma maioria parlamentar conferida pelo voto. Não me revejo nele. Parece um acto de contrição. Não temos que lamentar nada e muito menos a liberdade de alguém em caricaturar uma forma de estar na vida que passa não só mas também pela violência, pelo ódio, pelo terrorismo, pela falta de liberdade, pela agressão ao seu semelhante nomeadamente as mulheres e por uma infinita intolerância e repulsa à civilização ocidental e ao seu modo de vida.
O governo do meu país que é também meu sem que eu tenha votado nele, não tem nada que colocar-se de cócoras perante o fundamentalismo islâmico, sem ser capaz de olhar para o seu parceiro europeu onde a liberdade e a democracia são valores invioláveis.
São comunicados como este que dão razão e força aos que agora se manifestam através da violência, pilhagens e até mortes. Uma vergonha.

2006-02-07

Microsoft power 

Achei positiva a visita de Bill Gates a Portugal, mais que não fosse pelo testemunho de quem subiu na vida a pulso vindo do zero até ao topo dos milhões de dólares. Estive no Auditório da antiga FIL a assistir à conferência sobre a modernização administrativa, onde estava uma boa parte do governo que assistiu na primeira fila à conversa de Gates. Depois achei um pouco anedótica aquela imagem televisiva dos ministros em fila, dobrados, a assinar o acordo com a Microsoft, perante o olhar de Bill Gates. Achei que bastava a assinatura do Primeiro-Ministro com muito menos espectáculo o qual roçou um pouco o ridículo, para não dizer outra coisa. Fiquei apenas com uma dúvida no meio de tudo isto: à luz daquilo que são as regras básicas de funcionamento da Administração Pública, qual foi o procedimento adoptado para a escolha da Microsotf e não outra?
É um facto que a Microsoft é um gigante da informática e que pode ser muito útil na formação tecnológica do país. Mas será a única empresa capaz disso? E as outras? Foram consultadas?
O governo já veio dizer que não está preso ao software da empresa podendo sempre optar por outras soluções. Será? Fará sentido formar pessoas com software Microsotf e depois escolher uma outra realidade para trabalhar? O tempo o dirá. Mas é estranho que até agora não tenha sido possível quantificar financeiramente o que está em causa nas parcerias estabelecidas com o gigante informático americano.

Os cartoons 

Sobre os cartoons de Maomé (alguns achei muita piada) já se disse quase tudo ou mesmo tudo. Ontem mesmo a RTP1 dedicou-lhe um programa com algumas intervenções interessantes. Não vi o todo mas vi o suficiente para me colocar no lado direito do ecrã do meu televisor. Esse mesmo, o lado de quem acha que deve haver liberdade de expressão e que a mesma só ofende a quem se deixa ofender. Os fundamentalistas islâmicos têm um currículo de patifarias a nível mundial invejável e em matéria de agressões simbólicas já fizeram um pouco de tudo. Quem nunca os viu a queimar bandeiras de países ocidentais ou então bonecos a representar líderes políticos democraticamente eleitos? Os cartoons serviram-lhes de pretexto para exprimir o seu ódio pelo mundo ocidental civilizado. As suas reacções, para mim, não são mais do que o resultado desse ódio visceral que os consome há muitos séculos.

Bem haja Engenheiro Belmiro 

O maior e porventura melhor empresário português; Belmiro de Azevedo, lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) às acções da Portugal Telecom o que deixou o país dos negócios completamente de cabeça à roda com a surpresa e a dimensão da operação. Quando se esperava que um possível ataque, mais ou menos hostil, pudesse surgir de Madrid, Milão ou de outra qualquer proveniência, eis que do Norte surge o maior empregador privado do país com a força e a capacidade que lhe é reconhecida.
Infelizmente a PT é ainda uma empresa com estatutos blindados, nomeadamente ao nível da participação do Estado que através de 500 acções, menos do que aquelas que eu e muitos milhares de portugueses temos em carteiras de pequenos investidores, possui a chamada golden share que é das coisas mais patéticas que pode existir numa empresa que foi toda ela privatizada e que impede, nalguns casos, que o mercado funcione livremente sem o estorvo de um grão de areia preso nas engrenagens.
A atitude de Belmiro de Azevedo é uma pedrada no charco nesse marasmo que dá pelo nome de Euronext Lisbon.

2006-02-06

Mau gosto 

Se houvesse algum sentido de autoridade na Federação Portuguesa de Futebol, coisa que parece não haver, o Senhor Scolari devia ser admoestado com a pretensa disponibilidade, que tem vindo a público, de treinar a selecção Inglesa logo a seguir ao Mundial. Por uma questão de bom senso, ficava-lhe bem não se pronunciar sobre o assunto, até porque ninguém nos garante que os súbditos de Sua Majestade não possam ser nossos adversários no decorrer da prova.

2006-02-05

Boa escolha 

Eu bem desconfiava que para a noite de ontem mais valia ir ao teatro do que ficar em casa a ver televisão.

2006-02-04

Missing in action 

Nunca mais vi ou ouvi falar o Anacleto Louçã. Desde aquela fatídica noite de 22 de Janeiro (para a esquerda, entenda-se) que não o vejo a destilar ódio, sobranceria e moralidade. Houve até um episódio folclórico e carnavalesco como a tentativa de casamento de duas senhoras e ele não apareceu a dar a cara contra a violência do Estado e das suas leis de não permitir a união matrimonial das duas cidadãs. Onde andará? Terá emigrado para a Albânia?

2006-02-03

Manifestação III 

Na manifestação desta tarde, uma das palavras mais ouvidas era:
- Mentirosos.
Perguntei à pessoa que estava comigo:
- Mas quem foi capaz de mentir a tanta gente ao mesmo tempo?

Manifestação II 

Para meu grande espanto encontrei na manifestação um antigo colega de escola que ao ver-me saiu do alinhamento para me cumprimentar.
- Então? Que fazes aqui? Perguntei eu em jeito de quem imagina a resposta. É claro que estava a manifestar-se. É normal.
Mas ele respondeu com mais requinte:
- Estou aqui para não me roubarem os meus direitos.
Acho bem, pensei eu. Calculo que ele teria o mesmo comportamento se lhe tentassem roubar os deveres.

Manifestação I 

Esta tarde em plena Rotunda do Marquês de Pombal encontrei a manifestação dos funcionários públicos. Uma autêntica romaria. Muitas bandeiras vermelhas, gritaria generalizada, a polícia na frente a controlar o bom andamento da dita, cartazes com palavras de ordem e muita gente a dizer coisas esquisitas do governo e do primeiro-ministro. Um cidadão indignado gritava em sentido contrário o seguinte:

- Malandros, vão mas é trabalhar.

O dito senhor não aceitava a jornada de luta. Para ele fazia mais sentido que os manifestantes estivessem no seu local de trabalho a ajudar a empurrar o país para a frente. Naturalmente que a resposta não se fez esperar:

- Fascista!

Há de facto coisas que não mudam vai para trinta anos. A definição de fascista é uma delas. Fascista é então aquele que acha que mais vale trabalhar que manifestar.


2006-02-02

Directas 

As distritais do PSD começaram a agitar as águas motivadas pela inevitável alteração estatutária que o partido tem pela frente, nomeadamente no que toca a eleições directas do líder. Ora isto, na minha opinião, significa uma atitude reactiva que não faz qualquer sentido. É óbvio que os presidentes distritais perdem peso negocial nos congressos e na formação das equipas de dirigentes, mas os militantes, nomeadamente os anónimos, ganham a possibilidade de participar activamente na escolha do líder nacional.
Num partido como o PSD, organizado a nível nacional e com secções eleitas na esmagadora maioria dos concelhos, não pode deixar de ter um outro modelo de eleição adequado aos tempos que correm. Já o escrevi e disse noutras circunstâncias: Sócrates, antes de ganhar o país, ganhou o partido a nível nacional. É e foi um bom exemplo da virtude das eleições directas. Um líder nacional do PSD não pode ser a consequência de jogos de bastidores no Congresso e negócios de distritais. Deve ser o resultado da vontade dos militantes com as quotas pagas e com vontade de participar na eleição.
Sou a favor das eleições directas.

2006-02-01

Folclore 

Duas mulheres tentam casamento

A resolução da questão pode até ser irreversível, acompanhando o que está a acontecer noutros países da Europa. Mas não pode nem deve ser tratada a este nível porque só cria ruído de fundo e mediatismo exagerado. Aliás, outra coisa não será de esperar. O assunto resolve-se na Assembleia da República, mais cedo ou mais tarde.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?