2005-09-30
País estranho o nosso
Continuam a aparecer sondagens tendenciosas. Já não bastavam aquelas que dão uma vitória esmagadora a Cavaco Silva, agora aparecem outras que dão o PSD à frente do PS nas intenções de voto.
A ser verdade não percebo este país. Seis meses de governação e já não querem saber dos socialistas. Até parece que foi assim tão grave o que fizeram. Afinal de contas foram apenas umas mentirinhas sobre impostos, umas nomeações estranhas para amigos, umas férias bem passadas em África no meio da bicharada quando o país estava a arder, para além de outras coisas igualmente menores.
Não compreendo este povo que nunca está contente com nada.
Bolas.
A ser verdade não percebo este país. Seis meses de governação e já não querem saber dos socialistas. Até parece que foi assim tão grave o que fizeram. Afinal de contas foram apenas umas mentirinhas sobre impostos, umas nomeações estranhas para amigos, umas férias bem passadas em África no meio da bicharada quando o país estava a arder, para além de outras coisas igualmente menores.
Não compreendo este povo que nunca está contente com nada.
Bolas.
Difícil
2005-09-29
Falemos de coisas sérias
Gostava de pedir aos leitores deste blogue que não façam comentários sobre este assunto porque o mesmo não tem qualquer razão de ser. Não faz sentido estar a comentar uma sondagem que dá uma vitória esmagadora à única pessoa que ainda não apresentou a sua candidatura. O Diário de Notícias assim só perde credibilidade jornalística. Ninguém de bom senso pode ter manifestado o seu apoio a um político que tem estado permanentemente calado, apenas sendo alvo de ataques pessoais daqueles que já se apresentaram para disputar as eleições presidenciais.
Vamos continuar a manter conversas sérias neste blogue. Não vamos cair na esparrela de alguma comunicação social de comentar coisas sem sentido.
Obrigado.
Vamos continuar a manter conversas sérias neste blogue. Não vamos cair na esparrela de alguma comunicação social de comentar coisas sem sentido.
Obrigado.
Prenda de anos
Que rica prenda de aniversário o Senhor Co deu ao patrão. Sim senhor. Agora queixa-te das trancinhas do Benny.
2005-09-28
Anti-depressivo
Podia ter sido muito melhor
Só vi a segunda parte. Parece que o resultado podia ter sido outro. Koeman é acusado de falta de ambição e de arriscar pouco. Tendo em conta o resultado do Lille com o Villareal, nada está perdido e não é provável que o Manchester perca jogos em casa.
Força para o FCP esta noite.
Força para o FCP esta noite.
2005-09-27
Clássico
2005-09-26
Baralhar e dar de novo
Manuel Alegre deu voltas e mais voltas, avançou, recuou, voltou a avançar e por fim parece que vai mesmo ser candidato a Belém. Temos portanto os condimentos para a reconstituição do célebre episódio de desavenças Soares/Zenha.
No entanto fico-me por aqui porque os leitores deste blogue, alguns, não apreciam que eu faça referências às presidenciais, nomeadamente à barafunda que vai na esquerda deste país. Eu, por respeito a eles, vou fazer um esforço nesse sentido, sendo certo que fico sem tema para hoje, apesar dos lenços brancos e assobiadelas a Peseiro, ontem à noite.
No entanto fico-me por aqui porque os leitores deste blogue, alguns, não apreciam que eu faça referências às presidenciais, nomeadamente à barafunda que vai na esquerda deste país. Eu, por respeito a eles, vou fazer um esforço nesse sentido, sendo certo que fico sem tema para hoje, apesar dos lenços brancos e assobiadelas a Peseiro, ontem à noite.
Nota: Alguém sabe se a Carmelinda Pereira vai a votos ou desiste na primeira volta para Soares? Era muito importante saber. Pode mudar tudo, substancialmente.
Andava engando
Eu não sou do PS mas acho que ele faz muita falta à política nacional. Sem ele isto não tinha tanta piada. No entanto, quando ouço um destacado socialista a chamar “parasita” a um militante de referência do seu próprio partido, fico um pouco espantado porque não é propriamente um exemplo de tolerância e fraternidade que os socialistas tanto apregoam. No limite talvez seja o tal PS que discute tudo com liberdade e democracia, mesmo nestes termos. Pensei que este tipo de impropérios era coisa dos partidos de direita neo-liberais como o PSD e o CDS onde os militantes não se respeitam e vivem ofendendo-se uns aos outros. Reconheço que andava enganado a este respeito.
2005-09-23
O que fazem os passarinhos
Depois do que aqui foi escrito sobre a aterragem de emergência do Airbus 320 da JetBlue, fica aqui esta fotografia curiosa. Trata-se de um Boeing 737 com a parte dianteira danificada devido à colisão com pássaros em pleno voo. Parece incrível mas é verdade o grau de destruição causado por simples aves. É possível verificar os restos de sangue na fuselagem. Se os passarinhos em vez de colidirem com o “nariz” do avião tivessem entrado para os reactores, podia ter acontecido uma catástrofe. Um pássaro sugado para o interior de um reactor em esforço é o suficiente para o destruir e incendiar. Ainda assim, se o outro reactor continuar a funcionar e o avião mantiver a estabilidade suficiente para continuar em voo, é possível aterrar em segurança.De bandeja
Fátima Felgueiras não precisa de fazer muita campanha. A RTP, TVI e SIC já se encarregaram disso. Quero ver como, à luz da Lei de Financiamento das Campanhas Eleitorais, vão justificar tanta propaganda gratuita.
Em jeito de resposta
Não tem sido hábito entrar em diálogo com quem comenta, ainda mais com quem não conheço, mas devido ao tema e à forma como esta questão foi colocada, julgo que devo escrever mais qualquer coisa.As ilações (e não elações) que retiro da cobertura que a CNN fez da aterragem de emergência do Airbus da JetBlue são as seguintes:
Em primeiro lugar, desde logo, o sentido oportuno. Como escrevi no post a CNN estava lá. Isso significa um grau elevado de capacidade jornalística de cobrir qualquer acontecimento, mesmo aqueles muito inesperados como foi o caso.
Em segundo lugar o trabalho de auto promoção é uma missão, direi mesmo obrigação, de uma estação de televisão como a CNN que concorre em quase cada um dos países onde é recebida, com outras estações de televisão. O mesmo acontece a outro nível com as televisões que conhece. Abra a televisão e repare qual é o canal que não se promove e o tempo que gaste com isso em horário nobre quando podia vender esse tempo a um cliente.
Em terceiro lugar, o que aprendi realmente não foi nada que já não soubesse. Aliás bastava ouvir os comentários em directo de um co-piloto da United Airlines, um piloto da USAF (Força Aérea Americana) e outros especialistas aeronáuticos para saber de ante mão que a situação era mais espectacular enquanto circunstância que é raro acontecer, do que expectativa de um drama. Curiosamente a palavra drama foi utilizada com insistência para prender a atenção dos tele-espectadores mas isso é normal em jornalismo em qualquer parte do mundo. Chama-se, normalmente, sensacionalismo jornalístico.
Por razões familiares tenho algum conhecimento daquilo que é a aviação comercial e sei que incidentes daqueles acontecem não com muita frequência, mas de facto acontecem, até com outro nível de gravidade, como é bom exemplo este no aeroporto de Bilbao em 2001.
A diferença entre os casos de Bilbao e o de Los Angeles é que no segundo os pilotos tiveram a oportunidade de realizar os procedimentos de emergência para estes casos o que diminui quase ao mínimo o grau de perigosidade. Ou seja, a possibilidade de haver uma catástrofe era reduzida. Os pilotos são treinados em simulador para aterrarem sem o trem da frente ou mesmo sem nenhum deles, numa pista como no mar ou noutro local qualquer desde que esteja desimpedido de obstáculos.
Por fim a questão da CNN estar disponível a bordo do avião. Já imaginaram o que isto é? Para o bem e para o mal? As pessoas estavam a assistir a tudo dentro de um avião. Será que isto é assim tão normal?
Resumindo e concluindo: o que assisti em directo na CNN foi um episódio anormal em aviação comercial, apesar de existir um histórico de situações semelhantes, para o qual havia uma presunção elevada de terminar em bem. Como efectivamente terminou.
Por fim a questão da CNN estar disponível a bordo do avião. Já imaginaram o que isto é? Para o bem e para o mal? As pessoas estavam a assistir a tudo dentro de um avião. Será que isto é assim tão normal?
Resumindo e concluindo: o que assisti em directo na CNN foi um episódio anormal em aviação comercial, apesar de existir um histórico de situações semelhantes, para o qual havia uma presunção elevada de terminar em bem. Como efectivamente terminou.
Foto: Reuters
2005-09-22
Case study
O que se passou ontem em Felgueiras é um fenómeno político e sociológico que merece ser estudado. A ex-presidente de Câmara, depois de ter fugido para o Brasil, regressa para prestar contas à Justiça e para concorrer ao lugar que já ocupou na autarquia e é recebida em delírio, pelo menos por uma parte da população. Há coisas que são difíceis de entender.
Tudo em directo
A CNN é a estação de televisão mais conhecida no mundo e ontem de madrugada demonstrou a razão pela qual é assim.
Depois de ter assistido ao excelente filme brasileiro “Cidade de Deus” fiz o zaping final antes de desligar a televisão. A CNN estava a transmitir praticamente em simultâneo duas notícias. A primeira era o furacão Rita que estava naquele momento com uma intensidade semelhante ao Katrina quando este passeava pelo Golfo do México, antes de atingir New Orleans. A segunda era um Airbus 320 da companhia JetBlue, às voltas no ar nas imediações do Aeroporto Internacional de Los Angeles a preparar-se para aterrar de emergência.
Ao descolar o trem dianteiro do Airbus ficou danificado de tal forma que não lhe permitia recolher, conforme é normal. Por isso não podia atingir altitude e velocidade de cruzeiro e foi necessário fazê-lo aterrar. Durante algum tempo o Airbus 320 voou num circuito de espera no sentido de gastar combustível. Este procedimento foi utilizado por duas razões: a primeira para reduzir o peso no momento de aterrar e a segunda para reduzir a probabilidade do avião se incendiar. No chão os meios de emergência foram colocados em alerta à espera que o avião aterrasse.
O mais extraordinário desta situação para a qual os pilotos estão treinados foi o facto de a CNN ter acompanhado tudo em directo com uma particularidade interessante: os passageiros a bordo assistiam a tudo. Os aviões da JetBlue têm disponível a transmissão da CNN a bordo dos seus aviões, através de uma recepção por satélite.
Tudo terminou em bem e não passou de um grande susto. O comandante aterrou o avião em segurança sem sair da pista. As rodas do trem dianteiro entraram em colapso e incendiaram-se sem danos maior para o resto da aeronave.
Os passageiros e a tripulação abandonaram o Airbus em segurança e pelos seus meios.
É caso para dizer: - A CNN, mais uma vez, estava lá.
Depois de ter assistido ao excelente filme brasileiro “Cidade de Deus” fiz o zaping final antes de desligar a televisão. A CNN estava a transmitir praticamente em simultâneo duas notícias. A primeira era o furacão Rita que estava naquele momento com uma intensidade semelhante ao Katrina quando este passeava pelo Golfo do México, antes de atingir New Orleans. A segunda era um Airbus 320 da companhia JetBlue, às voltas no ar nas imediações do Aeroporto Internacional de Los Angeles a preparar-se para aterrar de emergência.
Ao descolar o trem dianteiro do Airbus ficou danificado de tal forma que não lhe permitia recolher, conforme é normal. Por isso não podia atingir altitude e velocidade de cruzeiro e foi necessário fazê-lo aterrar. Durante algum tempo o Airbus 320 voou num circuito de espera no sentido de gastar combustível. Este procedimento foi utilizado por duas razões: a primeira para reduzir o peso no momento de aterrar e a segunda para reduzir a probabilidade do avião se incendiar. No chão os meios de emergência foram colocados em alerta à espera que o avião aterrasse.
O mais extraordinário desta situação para a qual os pilotos estão treinados foi o facto de a CNN ter acompanhado tudo em directo com uma particularidade interessante: os passageiros a bordo assistiam a tudo. Os aviões da JetBlue têm disponível a transmissão da CNN a bordo dos seus aviões, através de uma recepção por satélite.
Tudo terminou em bem e não passou de um grande susto. O comandante aterrou o avião em segurança sem sair da pista. As rodas do trem dianteiro entraram em colapso e incendiaram-se sem danos maior para o resto da aeronave.
Os passageiros e a tripulação abandonaram o Airbus em segurança e pelos seus meios.
É caso para dizer: - A CNN, mais uma vez, estava lá.
2005-09-21
O que dirá Almeida Santos desta blasfémia partidária?
Segundo um blogue pró-Manuel Alegre, o poeta deputado e eventual candidato a Presidente da República ou talvez não, afirmou no fim de uma cerimónia na Câmara Municipal de Portalegre o seguinte:
“A democracia está sequestrada, é preciso libertá-la" bem como "os aparelhos partidários são o problema da democracia em Portugal, como em toda a Europa".
Não estou absolutamente convencido que Almeida Santos o compare também a Salazar porque não seria justo para um camarada de esquerda como é Alegre. Agora que deve dizer alguma coisa sobre o assunto, lá isso deve. Caso contrário somos obrigados a admitir que os ataques que fez a Cavaco Silva foram injustos e apenas aconteceram numa lógica de pré-campanha eleitoral para as presidenciais onde é necessário jogar abaixo um adversário nem que seja à base de alarvidades.
“A democracia está sequestrada, é preciso libertá-la" bem como "os aparelhos partidários são o problema da democracia em Portugal, como em toda a Europa".
Não estou absolutamente convencido que Almeida Santos o compare também a Salazar porque não seria justo para um camarada de esquerda como é Alegre. Agora que deve dizer alguma coisa sobre o assunto, lá isso deve. Caso contrário somos obrigados a admitir que os ataques que fez a Cavaco Silva foram injustos e apenas aconteceram numa lógica de pré-campanha eleitoral para as presidenciais onde é necessário jogar abaixo um adversário nem que seja à base de alarvidades.
Pode ser saudade
2005-09-20
O galo contra ataca
Esta mania que o Carlos tem de meter o dedo na ferida até ao fundo e escrever coisas muito acertadas.
Tabu
2005-09-19
Monopólio do medo
Aqui neste blogue cada vez que se fala de Manuel Alegre ou Mário Soares cai o Carmo e a Trindade. Escreve-se que estamos com medo. Este fim-de-semana, depois de ver e ouvir o discurso de Almeida Santos na convenção autárquica do PS fiquei com a estranha sensação que o medo e o receio, a julgar por esta tese que quem fala dos adversários é porque os teme, na verdade não é monopólio dos apoiantes de Cavaco Silva. As conclusões subjectivas do presidente do PS levam-nos para um plano que não deve passar sem uma referência. É que Cavaco Silva ainda não pisou no terreno e já os adversários o estão a valorizar e a afiar a ponteira das botas para lhe acertar, antes que tenha hipóteses de tocar na bola.
A caminho do abismo
A questão do tele-lixo transmitido todos os dias em horário nobre e em quantidades industriais, pode até ser um sinal dos tempos, uma consequência da liberdade ou o simples facto de haver quem goste. Mas isso não obriga que quem não gosta tenha de pensar baixinho e não o dizer ou escrever. Eu sou um dos milhões de portugueses que tem mais canais para ver, DVDs, livros, Internet e, mais importante que tudo isto, família para me entreter e conversar, mas isso não me impede de reclamar e afirmar que se trata de um recuo civilizacional aquilo a que estamos a assistir neste momento. Isto está muito perto de bater no fundo e não é o facto de nos outros países ser igual ou semelhante que me fará mudar de ideias. Estou-me nas tintas para programas com gays da mesma forma que nem perco um segundo da minha atenção com as manifestações que se fazem em sentido contrário. Mas que isto não está nada bem, lá isso não está.
É um facto que dão muitas telenovelas, futebol e outras coisas que nem toda a gente gosta. Deve haver diversidade mas aquilo que parece estar em causa é uma descida ao abismo do tele-lixo com consequências que um dia serão visíveis.
É um facto que dão muitas telenovelas, futebol e outras coisas que nem toda a gente gosta. Deve haver diversidade mas aquilo que parece estar em causa é uma descida ao abismo do tele-lixo com consequências que um dia serão visíveis.
Os participantes são pagos para verem a sua vida devassada, serem publicamente humilhados e ridicularizados ou simplesmente para mostrarem a sua intimidade ou emoções ao grande público. Têm esse direito? Com certeza que sim. Mas talvez não fosse mau um qualquer efeito regulador que jogasse a mão a isto. Não faltará muito tempo para assistirmos a qualquer coisa realmente muito grave em directo. O quê? Não sei. Uma coisa é certa, quanto mais bizarro e estranho for o comportamento dos participantes nos reality shows dos famosos ou simples desconhecidos, maiores serão as audiências e consequentemente os negócios da publicidade nesses períodos. Ao fim e ao cabo é tudo um grande negócio.
A televisão é um dos principais, se não o principal veiculo de transmissão cultural que temos em Portugal. Pelo menos é o mais acessível. Logo, não haja sequer dúvidas que as tretas que são dadas a consumir terão os seus efeitos se é que já não têm.
A televisão é um dos principais, se não o principal veiculo de transmissão cultural que temos em Portugal. Pelo menos é o mais acessível. Logo, não haja sequer dúvidas que as tretas que são dadas a consumir terão os seus efeitos se é que já não têm.
2005-09-16
Estado de graça
Mais uma vez (talvez não seja a última) o referendo ao aborto
Quando o PS quer mudar de assunto porque as coisas não lhe estão a correr muito bem, vai à gaveta e retira o referendo à despenalização do aborto. Foi o que fez mais uma vez. Com uma tão ampla maioria parlamentar favorável à despenalização da IVG, continuar a falar de referendo. Mesmo que a coberto de compromissos eleitorais, sou levado a acreditar que Sócrates tem duas ideias em mente: a primeira é sacudir a água do capote porque se no referendo ganhar o SIM ele lava as mãos e diz que foi vontade do povo. A segunda é se o referendo der NÃO descartar-se do problema afirmando que os portugueses acham que as mulheres devem continuar a ser julgadas em tribunal por terem feito um aborto, apesar de ele ser contra. Lava as mãos como Pôncio Pilatos.
Se houver comentários a este post em sentido contrário, agradeço que não venham com a treta de que Sócrates tem um compromisso com os portugueses de fazer um referendo e por isso vai cumprir. O líder do PS também tinha um compromisso com os portugueses em como não aumentava os impostos e pouco tempo depois de assentar arraiais em São Bento foi das primeiras coisas que fez.
Eu pessoalmente não faço questão de que haja referendo, conforme já o afirmei noutras circunstâncias. Para mim basta que as senhoras e os senhores deputados tomem uma decisão. Depois cabe a cada uma das mulheres que esteja confrontada com o problema, resolver o que quer fazer. Essa parte a mim não me diz respeito. Não aprecio nada é ver mulheres que abortaram, sentadas no banco dos réus. Já chega.
Se houver comentários a este post em sentido contrário, agradeço que não venham com a treta de que Sócrates tem um compromisso com os portugueses de fazer um referendo e por isso vai cumprir. O líder do PS também tinha um compromisso com os portugueses em como não aumentava os impostos e pouco tempo depois de assentar arraiais em São Bento foi das primeiras coisas que fez.
Eu pessoalmente não faço questão de que haja referendo, conforme já o afirmei noutras circunstâncias. Para mim basta que as senhoras e os senhores deputados tomem uma decisão. Depois cabe a cada uma das mulheres que esteja confrontada com o problema, resolver o que quer fazer. Essa parte a mim não me diz respeito. Não aprecio nada é ver mulheres que abortaram, sentadas no banco dos réus. Já chega.
Nota: Sobre o mesmo assunto fica este post de Vital Moreira com o qual concordo em absoluto
Pouca educação
Acho, sinceramente, que o próprio PS tem muitas dificuldades em se rever na postura do seu candidato a Lisboa, Manuel Maria Carrilho. Ontem na SIC Notícias o verniz que ainda sobrava estalou por completo e o apontamento de reportagem feito à saída do estúdio é bem esclarecedor. Carrilho tem um registo ofensivo, demagógico e pouco verdadeiro. Faz uso de uma lógica que não colhe simpatias que é sistematicamente afirmar que ninguém fez nada. Ele é que é bom. O resto não presta.
2005-09-15
Esquadrões do tele-lixo português
Não é estranho que haja um programa cujo nome seja Esquadrão G onde os seus protagonistas são confessos gays. Estranho seria se o programa se chamasse Esquadrão H de heterossexuais.
Confesso que tenho dúvidas se os homossexuais que apenas querem viver a sua vida descansada sem que alguém lhes lembre permanentemente a sua orientação sexual, se sentem identificados com o tele-lixo que a televisão insiste em nos oferecer.
Já agora o Esquadrão G pode ter várias sequelas, tal como aconteceu com o Big Brother ou a Quinta das Celebridades. Seria assim:
Esquadrão G – Gays
Esquadrão H – Heterossexuais
Esquadrão L – Lésbicas
Esquadrão B – Bissexuais
Esquadrão V – Vão para o raio que os parta…
Todos têm direito. Nada de preferências.
Confesso que tenho dúvidas se os homossexuais que apenas querem viver a sua vida descansada sem que alguém lhes lembre permanentemente a sua orientação sexual, se sentem identificados com o tele-lixo que a televisão insiste em nos oferecer.
Já agora o Esquadrão G pode ter várias sequelas, tal como aconteceu com o Big Brother ou a Quinta das Celebridades. Seria assim:
Esquadrão G – Gays
Esquadrão H – Heterossexuais
Esquadrão L – Lésbicas
Esquadrão B – Bissexuais
Esquadrão V – Vão para o raio que os parta…
Todos têm direito. Nada de preferências.
Guilherme d'Oliveira Martins garante independência
Não tenho sequer dúvidas. Este homem nunca teve actividade política e partidária relevante, nunca foi deputado, nunca integrou qualquer governo, muito menos do PS, como tal está garantida a isenção e a independência total. Nem percebo porque deu essa satisfação ontem aos jornalistas. Acho que nunca ninguém pensou de outra maneira.
O primeiro milho é para os pardais
Os lagartos andam muito satisfeitos à terceira jornada e até já distribuem pérolas como esta. Porque a memória é curta convém lembrar como estava a classificação à terceira jornada há um ano atrás. Este post ajuda à memória de todos. Pois é o SCP estava a seis pontos do SLB e ainda não se tinham confrontado como já aconteceu este ano. Também a TVI, nessa altura, transmitia jogos de equipas que estavam na linha de água, conforme se pode verificar aqui.
Nessa circunstância, tanto o FCP como o SCP já tinham feito dois jogos em casa, ao contrário do que aconteceu este ano com o SLB o qual já foi a Alvalade. Por isso acho bom que os lagartos se acalmem para que o coração não entre em colapso com tanta alegria ou não vá acontecer o mesmo da época passada: não só não ganharam nada, como numa semana perderam tudo, inclusive a possibilidade de disputar a Liga dos Campeões.
É certo que ontem já tiveram uma pequena desilusão, mas também é certo que hoje estamos à espera, todos, de uma vitória folgada na Suécia contra um adversário incomparavelmente inferior ao SCP.
É certo que ontem já tiveram uma pequena desilusão, mas também é certo que hoje estamos à espera, todos, de uma vitória folgada na Suécia contra um adversário incomparavelmente inferior ao SCP.
Férias e incêndios
Ao remexer o baú das memórias deste blogue encontrei este post que me deixou satisfeito. Porquê? Porque tudo o que escrevi sobre as férias de Sócrates no Quénia não foi incoerente. O que o primeiro-ministro actual fez foi semelhante ao anterior. Ou seja, farinha do mesmo saco. Só que a um a comunicação social adorava bater todos os dias. Já com o outro fazem de conta que não sabem.
2005-09-14
Liga dos Campeões
O FCP perdeu ontem por duas razões:
- A primeira porque cometeu erros defensivos de palmatória. Parecia o SLB.
- A segunda porque o árbitro fez vista grossa ou se calhar não viu mesmo, porque estava atrás dos jogadores que disputavam a bola, a falta que o avançado do Glasgow fez a Vítor Baía no lance do segundo golo.
O resultado justo seria o empate mas o futebol também é isto.
Esta noite, em princípio, nem vou ter oportunidade de ver o SLB o que também não me deixa particularmente triste.
- A primeira porque cometeu erros defensivos de palmatória. Parecia o SLB.
- A segunda porque o árbitro fez vista grossa ou se calhar não viu mesmo, porque estava atrás dos jogadores que disputavam a bola, a falta que o avançado do Glasgow fez a Vítor Baía no lance do segundo golo.
O resultado justo seria o empate mas o futebol também é isto.
Esta noite, em princípio, nem vou ter oportunidade de ver o SLB o que também não me deixa particularmente triste.
Contas de outro rosário
Oliveira Martins que chegou a ser ministro das Finanças no governo do pântano guterrista, vai agora para Presidente do Tribunal de Contas. Não há dúvida que o PS não brinca em serviço e sabe bem como a coisa se faz.
Isto, mais uma vez, num governo do PSD faria cair o Carmo e a Trindade. Num governo socialista ninguém ou quase ninguém acha estranho.
Isto, mais uma vez, num governo do PSD faria cair o Carmo e a Trindade. Num governo socialista ninguém ou quase ninguém acha estranho.
2005-09-13
Stones forever
Enquanto os Stones tiverem saúde e algum juízo vamos ter a oportunidade de continuar a ouvir rock do melhor.Os sexagenários britânicos têm não só uma longevidade musical fabulosa como uma esperança de vida que nos dá algum alento.
Segundo parece está já a ser preparada um regresso a Portugal o que deverá acontecer lá para Maio do próximo ano. O Estádio do Dragão parece ser o local mais provável, depois do Municipal de Coimbra os ter recebido em 2003.
No que respeita ao disco A Bigger Band recomendo que o comprem depressa. É para ouvir muitas vezes e o aviso vai sobretudo para este senhor para depois não vir com a converseta que andou a resistir durante muito tempo, teve medo, estava céptico e mais não sei o quê. Depois acabou por comprar e agora já não quer outra coisa, blá, blá, blá...
Até que me farte, Rough Justice, Let me Down Sow e Biggest Mistake são os meus temas favoritos, não desfazendo os restantes.
O Código Da Vinci
O Código Da Vinci de Dan Brown não é apenas um bestseller em todo o mundo. É também o responsável por uma panóplia de outros livros relacionados com o tema.
Assim entramos numa livraria e encontramos:
- Os segredos do Código Da Vinci
- A descodificação do Código Da Vinci
- Tudo o que você precisa saber sobre o Código Da Vinci
- Descodifique o Código Da Vinci em 10 lições
- Receitas de cozinha práticas inspiradas no Código Da Vinci
- O Código Da Vinci depois de descodificado
- Aquilo que nunca ninguém lhe disse sobre o Código Da Vinci
- O que ficou por descodificar no Código Da Vinci
- Código Da Vinci anotado
- Código Da Vinci comentado por Jorge Nuno Pinto da Costa
- O que pensa o Mantorras sobre o Código Da Vinci
- O Código Da Vinci explica os frangos do Ricardo
- Conversas de Café à volta do Código Da Vinci
Existem outros, mas estes são os mais vendidos...
Assim entramos numa livraria e encontramos:
- Os segredos do Código Da Vinci
- A descodificação do Código Da Vinci
- Tudo o que você precisa saber sobre o Código Da Vinci
- Descodifique o Código Da Vinci em 10 lições
- Receitas de cozinha práticas inspiradas no Código Da Vinci
- O Código Da Vinci depois de descodificado
- Aquilo que nunca ninguém lhe disse sobre o Código Da Vinci
- O que ficou por descodificar no Código Da Vinci
- Código Da Vinci anotado
- Código Da Vinci comentado por Jorge Nuno Pinto da Costa
- O que pensa o Mantorras sobre o Código Da Vinci
- O Código Da Vinci explica os frangos do Ricardo
- Conversas de Café à volta do Código Da Vinci
Existem outros, mas estes são os mais vendidos...
2005-09-12
O outro Algarve
O enigma
É difícil entender. Muito difícil mesmo. Se não vejamos:
Manuel Alegre recebeu o apoio de Sócrates para se candidatar a Belém e colocou-se no terreno.
Depois Sócrates fez o que fez, isto é, tirou-lhe o tapete faltando à palavra e entregando o apoio do PS a Soares deixando Alegre desamparado.
Alegre veio a Faro e disse que a república não tinha donos nem havia homens providenciais.
Depois subiu até Viseu, convocou a imprensa para, em directo, dizer NIM.
Como a maior parte dos presentes não entenderam quais eram as intenções de Alegre, colocaram-lhe a pergunta de novo à qual respondeu: - Não sou candidato mas também não apoio Mário Soares, candidatura com a qual não concordo.
Naturalmente saiu de cena por vontade própria.
Agora diz que não sabe porque retiraram o seu nome das sondagens, logo ele que está em igualdade de circunstâncias com Cavaco.
Isto é mesmo à socialista: - Hoje sou, amnhã não sou. Depois de amanhã talvez seja. Vou falar aos meus amigos para ver se sou. Se calhar é melhor não ser. Também tenho direito a ser. Não sei se quero ser. Talvez possa ser. O melhor é não ser. Mas se não sou fico com pena de não ser.
Manuel Alegre recebeu o apoio de Sócrates para se candidatar a Belém e colocou-se no terreno.
Depois Sócrates fez o que fez, isto é, tirou-lhe o tapete faltando à palavra e entregando o apoio do PS a Soares deixando Alegre desamparado.
Alegre veio a Faro e disse que a república não tinha donos nem havia homens providenciais.
Depois subiu até Viseu, convocou a imprensa para, em directo, dizer NIM.
Como a maior parte dos presentes não entenderam quais eram as intenções de Alegre, colocaram-lhe a pergunta de novo à qual respondeu: - Não sou candidato mas também não apoio Mário Soares, candidatura com a qual não concordo.
Naturalmente saiu de cena por vontade própria.
Agora diz que não sabe porque retiraram o seu nome das sondagens, logo ele que está em igualdade de circunstâncias com Cavaco.
Isto é mesmo à socialista: - Hoje sou, amnhã não sou. Depois de amanhã talvez seja. Vou falar aos meus amigos para ver se sou. Se calhar é melhor não ser. Também tenho direito a ser. Não sei se quero ser. Talvez possa ser. O melhor é não ser. Mas se não sou fico com pena de não ser.
A manifestação dos militares
É recorrente mas mantém as memórias frescas porque nesta vida tudo se paga, nada se apaga:
- O que não diria o PS do governo do PSD/CDS-PP se este não permitisse a manifestação dos militares?
Aceitam-se sugestões.
Já agora, para que fique bem claro, sou contra este tipo de manifestações. Os militares que compõem as associações respectivas não podem convocar manifestações e as mesmas põem em causa a disciplina e a autoridade a que estão obrigados. Quem está nas Forças Armadas sabe que é assim.
- O que não diria o PS do governo do PSD/CDS-PP se este não permitisse a manifestação dos militares?
Aceitam-se sugestões.
Já agora, para que fique bem claro, sou contra este tipo de manifestações. Os militares que compõem as associações respectivas não podem convocar manifestações e as mesmas põem em causa a disciplina e a autoridade a que estão obrigados. Quem está nas Forças Armadas sabe que é assim.
2005-09-11
A primeira bicicleta
Ainda o derby
2005-09-09
O primeiro derby
E lá vamos a Alvalade com um ponto no saco e sem saber o que é marcar um golo, mesmo de grande penalidade.
Esperemos que não corra muito mal…
Esperemos que não corra muito mal…
Isto sim é um debate de ideias
José Sócrates disse ontem que o PIB aumentou no segundo trimestre deste ano devido às boas políticas do governo que começou a governar no final do primeiro. Isto não é fácil de explicar do ponto de vista macroeconómico mas admito que alguém com imaginação o faça. Porém, o ministro das Finanças, recentemente, falou em economia estagnada, ou seja crescimento zero, deixando no ar o espectro da recessão.
Entretanto as eleições autárquicas são de hoje a um mês e a coisa se calhar não está muito fácil para o PS.
Estamos entendidos.
Entretanto as eleições autárquicas são de hoje a um mês e a coisa se calhar não está muito fácil para o PS.
Estamos entendidos.
O caminho
Quando são sempre os mesmos a chamar-me nomes fico convencido que escrevi alguma coisa acertada que alguém não gostou. O que é mais fantástico é que nem o assunto em si vale tanto. Logo as reacções são exageradas, porém intencionais.
Mas o meu caminho é o mesmo e não apago o que escrevo para me defender. Outros fossem capazes do mesmo.
Mas o meu caminho é o mesmo e não apago o que escrevo para me defender. Outros fossem capazes do mesmo.
As suspeitas de Louçã
Louçã, bem ao seu estilo, lançou uma série de suspeitas sobre Dias Loureiro no que respeita ao combate aos incêndios por meios aéreos. Espera-se que prove as acusações porque se não o fizer terá, eventualmente, de se escudar na imunidade parlamentar da qual beneficia, ao contrário de milhões de portugueses, para não responder no local certo.
Mas sobre este assunto gostava de deixar aqui uma nota que retive na explicação esquemática que Louçã fez ontem numa folha de papel para as câmaras de televisão.
A certa altura diz que a OMNI é a representante da empresa Bombardier que é a única que vende os aviões Canadair. Talvez o senhor deputado Louçã não saiba mas Bombardier e Canadair é a mesma coisa. É como querer distinguir Clio de Renault ou Astra de Opel o C5 de Citroen ou, numa gama de topo, F40 de Ferrari. Tratam-se de modelos vendidos pela mesma marca. Qual é a suspeição?
Os Canadair são um entre muitos modelos de aviões de combate aos fogos que existem no mundo. Há mesmo que diga quem nem são os melhores ou mais eficazes. Não são com toda a certeza os que conseguem despejar mais água de uma só vez.
A Bombardier é uma empresa ou por assim dizer uma marca, tal como existe a Cessna, a Airbus, a Boeing, a Lockhead, a Embraer e por aí fora. São tudo marcas de aviões que constroem e comercializam vários modelos.
É óbvio que a Bombardier comercializa os Canadairs, pois é ela que os constrói. Esta empresa também existe em Portugal e por isso Louça disse que os portugueses a conheciam bem, porque para além de aviões, também constrói comboios.
Mas sobre este assunto gostava de deixar aqui uma nota que retive na explicação esquemática que Louçã fez ontem numa folha de papel para as câmaras de televisão.
A certa altura diz que a OMNI é a representante da empresa Bombardier que é a única que vende os aviões Canadair. Talvez o senhor deputado Louçã não saiba mas Bombardier e Canadair é a mesma coisa. É como querer distinguir Clio de Renault ou Astra de Opel o C5 de Citroen ou, numa gama de topo, F40 de Ferrari. Tratam-se de modelos vendidos pela mesma marca. Qual é a suspeição?
Os Canadair são um entre muitos modelos de aviões de combate aos fogos que existem no mundo. Há mesmo que diga quem nem são os melhores ou mais eficazes. Não são com toda a certeza os que conseguem despejar mais água de uma só vez.
A Bombardier é uma empresa ou por assim dizer uma marca, tal como existe a Cessna, a Airbus, a Boeing, a Lockhead, a Embraer e por aí fora. São tudo marcas de aviões que constroem e comercializam vários modelos.
É óbvio que a Bombardier comercializa os Canadairs, pois é ela que os constrói. Esta empresa também existe em Portugal e por isso Louça disse que os portugueses a conheciam bem, porque para além de aviões, também constrói comboios.
O nome correcto do avião a que vulgarmente chamamos Canadair de combate aos incêndios é o Bombardier 415. Ou seja, dizer Canadair ou Bombardier é a mesma coisa.
Fica aqui a fotografia de um com matrícula espanhola mas em território nacional.
Cavaco na frente mesmo não sendo (ainda) candidato
Aquele que é para muitos o melhor centro de sondagens do país, Universidade Católica, aponta Cavaco Silva como o provável vencedor das presidenciais com uma folgada vantagem sobre os seus concorrentes, o que não deixa de ser curiosos. É que Cavaco Silva é o único dos inquiridos que ainda não apresentou a sua candidatura.
2005-09-08
CDS...PP
Que eu saiba o CDS/PP é o único partido que nestas eleições autárquicas fez distribuir por todo o país um outdoor com a imagem do leu líder nacional. Ou seja, quando estão em causa candidaturas locais, mais ou menos credíveis é certo, onde a primeira imagem deve ser a do aspirante ao lugar de Presidente da Câmara, os populares mandam para a rua o ar angelical do lampião (grande virtude) José Ribeiro e Castro, ainda por cima com um slogan estranho:
"De novo do seu lado".
De novo? Então houve alturas em que não estavam? Quando? Porquê?
A estratégia parece simples mas de eficácia discutível. Segurar o eleitorado tradicional do CDS/PP e projectar a imagem do partido que na larga maioria dos casos vale muito mais que os candidatos locais.
De novo? Então houve alturas em que não estavam? Quando? Porquê?
A estratégia parece simples mas de eficácia discutível. Segurar o eleitorado tradicional do CDS/PP e projectar a imagem do partido que na larga maioria dos casos vale muito mais que os candidatos locais.
Consequências
Naturalmente. O problema da proliferação de candidatos à esquerda de Mário Soares é o combate que se vem travando há já algum tempo, contra a bipolarização da vida política. Por isso o Bloco e o PCP não só não ficam de fora para apoiar Mário Soares numa primeira fase, como ainda mandam as suas duas principais figuras a jogo.
Todos dois, Jerónimo e Louçã, já juraram a pés juntos que não desistem. Eu pago para ver. Se a probabilidade de Cavaco Silva vencer logo na primeira volta for grande, vamos ver se arreiam ou se vão a votos.
Que Louçã ache que Soares não consegue debater assuntos económicos com Cavaco, pelo menos ao mesmo nível e que Jerónimo provavelmente nem dê para começar uma conversa, eu até entendo. Mas isso implica o esfrangalhar do voto à esquerda em troca de tempo de antena. Vamos ver se a conversa não muda, subitamente, de figura.
Por tudo isto compreende e bem as preocupações do autor do artigo “Consequências à esquerda”. São muitas. Mesmo muitas.
O justiceiro quer ser presidente da CML
A SIC Notícias, através do seu jornalista João Adelino Faria, mostrou ontem à noite como se pode transformar um debate que à partida parecia interessante, numa coisa chata e sem conteúdo. De cada lado estava Carmona Rodrigues e José Sá Fernandes. O debate andou praticamente só à volta de questões processuais, nomeadamente do túnel do Marquês. Bem ao jeito de Sá Fernandes, convenhamos.
O advogado “justiceiro” lisboeta conseguiu provar que não tem jeito nenhum para autarca e se o fosse das duas uma: ou a cidade parava no tempo e não se fazia mais nada ou transformava a autarquia no centro nevrálgico dos berbicachos processuais.
Tal como Manuel Maria Carrilho já tinha referido no primeiro debate com Sá Fernandes, ser autarca significa projectar, decidir, fazer ou seja governar e não empastelar, encravar, encontrar um cabelo fora do sítio ou outro daqueles expedientes que Sá Fernandes tanto gosta.
Felizmente, para os lisboetas, o Bloco de Esquerda não tem a mínima hipótese de vencer as eleições. Mas, no plano do mais puro delírio e imaginação, gostava de ver Sá Fernandes sentado a governar Lisboa. Havia de ser lindo…
O advogado “justiceiro” lisboeta conseguiu provar que não tem jeito nenhum para autarca e se o fosse das duas uma: ou a cidade parava no tempo e não se fazia mais nada ou transformava a autarquia no centro nevrálgico dos berbicachos processuais.
Tal como Manuel Maria Carrilho já tinha referido no primeiro debate com Sá Fernandes, ser autarca significa projectar, decidir, fazer ou seja governar e não empastelar, encravar, encontrar um cabelo fora do sítio ou outro daqueles expedientes que Sá Fernandes tanto gosta.
Felizmente, para os lisboetas, o Bloco de Esquerda não tem a mínima hipótese de vencer as eleições. Mas, no plano do mais puro delírio e imaginação, gostava de ver Sá Fernandes sentado a governar Lisboa. Havia de ser lindo…
2005-09-07
A derradeira cambalhota
Esta manhã
A Antena 1 ou a TSF são as minhas companheiras de praticamente todas as manhãs. São elas que me dão as primeiras notícias. Algumas já as vi na SIC Notícias na noite anterior, as outras são mesmo frescas.
Esta manhã havia uma notícia “fresca” e trágica, pelo menos para a família de Cristiano Ronaldo. Durante largos minutos a notícia da morte do pai do craque da selecção portuguesa e do Manchester foi transmitida como se não existisse mais nada para além disso, misturada com declarações do vice-presidente da FPF e as do próprio jogador quando ainda não sabia da fatídica notícia.
Não está em causa a dor da família por ter perdido um ente querido, está, isso sim, a forma como os trágicos acontecimentos particulares, porque é disso que se trata, abafam um conjunto de outras noticias, porque elas existem, que passam para segundo plano. Não tenho a certeza de duas coisas: a primeira que o Cristiano Ronaldo e a família apreciem este aparato noticioso em redor do falecido. A segunda que a morte de alguém que é conhecido como pai de um jogador de futebol seja assim tão relevante para ocupar grande parte do noticiário matinal.
A grande questão era mesmo se Cristiano Ronaldo vai jogar ou não. E eu pergunto: - Quem importância tem isso perante a morte de um pai?
Esta manhã havia uma notícia “fresca” e trágica, pelo menos para a família de Cristiano Ronaldo. Durante largos minutos a notícia da morte do pai do craque da selecção portuguesa e do Manchester foi transmitida como se não existisse mais nada para além disso, misturada com declarações do vice-presidente da FPF e as do próprio jogador quando ainda não sabia da fatídica notícia.
Não está em causa a dor da família por ter perdido um ente querido, está, isso sim, a forma como os trágicos acontecimentos particulares, porque é disso que se trata, abafam um conjunto de outras noticias, porque elas existem, que passam para segundo plano. Não tenho a certeza de duas coisas: a primeira que o Cristiano Ronaldo e a família apreciem este aparato noticioso em redor do falecido. A segunda que a morte de alguém que é conhecido como pai de um jogador de futebol seja assim tão relevante para ocupar grande parte do noticiário matinal.
A grande questão era mesmo se Cristiano Ronaldo vai jogar ou não. E eu pergunto: - Quem importância tem isso perante a morte de um pai?
2005-09-06
Vai já andando
Cada vez que vejo o Valentim Loureiro a falar na televisão, fico com a sensação que a democracia não é de facto um sistema perfeito, sendo certo que é o melhor que temos.
Só mesmo numa democracia e num país com um nível de comunicação social semelhante ao que temos, pode dar-se ao luxo de marcar presença numa conferência de imprensa onde o cerne da questão é fustigar com impropérios e ironias de qualidade duvidosa o homem que há-de mostrar o caminho da rua ao major de Gondomar.
- Ó Senhor Major, dava-me tanto jeito que o senhor se filiasse no Movimento pelo Doente.
Só mesmo numa democracia e num país com um nível de comunicação social semelhante ao que temos, pode dar-se ao luxo de marcar presença numa conferência de imprensa onde o cerne da questão é fustigar com impropérios e ironias de qualidade duvidosa o homem que há-de mostrar o caminho da rua ao major de Gondomar.
- Ó Senhor Major, dava-me tanto jeito que o senhor se filiasse no Movimento pelo Doente.
Eles andam aí
2005-09-05
Bons livros
2005-09-01
Beslan
A idade
A questão da idade de Soares, da forma como tem sido levantada, na minha opinião, não é o argumento mais certeiro. Como escreveu Pacheco Pereira no Abrupto, a questão não está na idade, está na política.
É óbvio que em nenhum sector de actividade se considera um octogenário como uma aposta de futuro, alguém que imprima um rasgo de modernidade ou traga um valor acrescentado, diferente para melhor. Mas todos estes argumentos podem prevalecer se a representação política da pessoa for consentânea com os desafios a que se propõem. No caso de Soares, aquilo que ele hoje representa politicamente em Portugal é uma ideia de passado, de acerto de contas com a história e muito em particular com Cavaco, incorporando uma iniciativa quase desesperada de contrariar a enorme possibilidade do Presidente da República não vir ser um homem de esquerda.
Vejam-se também os métodos e as formas como Soares chega a candidato passando por cima de tudo e de todos, empurrado pelo PS de Sócrates, esmagando o PS de Alegre. Isto não augura nada de bom.
Mas ainda assim e por muito que o argumento da idade seja utilizado, o problema principal não é a idade é isso sim a política que cada um representa nos desafios que Portugal enfrenta. E aí Soares é manifestamente um candidato fora de tempo e são os próprios militantes socialistas que apoiam Alegre e o próprio que o referem. É uma imagem de um Portugal que já não é o actual, de uma página que já ficou para trás num capítulo distante da nossa História.
Poder-se-á perguntar o que é que Alegre tem que Soares não tem? Desde logo o capital imenso de nunca se ter posto fora de nada e de representar, nos dias que correm, o verdadeiro acervo de uma esquerda democrática. Em Português claro: Alegre é presente, Soares é passado.
Uma coisa é certa: ninguém em política fecha com chave de ouro uma carreira se a recordação derradeira for uma derrota, por muito honrosa que ela possa parecer.
É óbvio que em nenhum sector de actividade se considera um octogenário como uma aposta de futuro, alguém que imprima um rasgo de modernidade ou traga um valor acrescentado, diferente para melhor. Mas todos estes argumentos podem prevalecer se a representação política da pessoa for consentânea com os desafios a que se propõem. No caso de Soares, aquilo que ele hoje representa politicamente em Portugal é uma ideia de passado, de acerto de contas com a história e muito em particular com Cavaco, incorporando uma iniciativa quase desesperada de contrariar a enorme possibilidade do Presidente da República não vir ser um homem de esquerda.
Vejam-se também os métodos e as formas como Soares chega a candidato passando por cima de tudo e de todos, empurrado pelo PS de Sócrates, esmagando o PS de Alegre. Isto não augura nada de bom.
Mas ainda assim e por muito que o argumento da idade seja utilizado, o problema principal não é a idade é isso sim a política que cada um representa nos desafios que Portugal enfrenta. E aí Soares é manifestamente um candidato fora de tempo e são os próprios militantes socialistas que apoiam Alegre e o próprio que o referem. É uma imagem de um Portugal que já não é o actual, de uma página que já ficou para trás num capítulo distante da nossa História.
Poder-se-á perguntar o que é que Alegre tem que Soares não tem? Desde logo o capital imenso de nunca se ter posto fora de nada e de representar, nos dias que correm, o verdadeiro acervo de uma esquerda democrática. Em Português claro: Alegre é presente, Soares é passado.
Uma coisa é certa: ninguém em política fecha com chave de ouro uma carreira se a recordação derradeira for uma derrota, por muito honrosa que ela possa parecer.




