2005-04-30

O cartaz de Carrilho 

Foi hilariante ver a cara de Carrilho perante a pergunta do jornalista acerca da asneira que os publicitários que estão a preparar a sua campanha fizeram. Mais hilariante ainda foi a explicação que deu, sacudindo a água do capote como se aquilo não lhe dissesse respeito.
Como é óbvio diz-lhe respeito directamente porque é a sua imagem que está em causa quando alguém inverte uma fotografia e troca o lugar do Castelo de São Jorge com o Bairro Alto. O candidato se não viu o cartaz antes de ser colado, alguém com responsabilidades tinha o ver e se não estava em condições mandava fazer bem. Dizer que não é nada com ele é que me parece uma coisa muito estranha. Pior, o erro foi detectado mas parece que quem decide na campanha de Carrilho, achou que podia sair para a rua mesmo assim.
O assunto vale o que vale, mas não deixa de ser interessante a falta de organização e alguma desresponsabilização dos responsáveis da campanha do aspirante a autarca.
Para quem gosta de falar em trapalhadas esta é uma espécie de hino. Se fosse com Santana Lopes o que não diriam os socialistas e afins...

2005-04-29

Estão quase lá 

Jogar contra uma muralha defensiva não é fácil. Os holandeses do AZ Alkmaar não são parvos de todo a jogar à bola e por alguma razão são a equipa sensação da Taça UEFA.
O resultado não tranquiliza o SCP mas abre-lhe grandes expectativas de disputar a final no seu estádio. Na Holanda o Alkmaar tem de arriscar a marcar pelo menos um golo e o SCP aproveitar esse jogo mais aberto e ofensivo do seu adversário.
O meu palpite: o SCP vai à final.

2005-04-28

Um imenso mar de espuma 

Não me ocorre outra frase para caracterizar a “acção” do governo neste primeiro mês de “trabalho”. Temas jogados para o ar, outros para o colo do Presidente da República, contra a sua vontade, e pouco mais. A ideia é simples: não se decide nada de fundamental até às autárquicas e se for possível arranjar um bom candidato presidencial à esquerda, o estado de graça prolonga-se até Janeiro de 2006.
Nem no aborto, com condições fabulosas para resolver a questão, são capazes de assumir uma decisão. Falam de referendos na expectativa de manter o debate político em questões que suscitam muita conversa e pouco mais. Agora parece que também se lembraram da regionalização. Devem estar à espera que o povo diga não de novo.
Nada que já não estivesse à espera.

UEFA 

Logo à noite somos todos lagartos.
Força SCP.

Credibilidade 

Na semana em que Marques Mendes ganhou o Congresso, Miguel Sousa Tavares, no seu comentário semanal na TVI, afirmou que estava expectante para ver como ele iria lidar com os dossiers autárquicos de Lisboa e Oeiras. Da capital foi o que se viu. Do concelho vizinho, também. A candidata do PSD será Teresa Zambujo e Isaltino se quiser que corra por sua conta e risco.
Espero que o comentador de serviço da TVI seja capaz de reconhecer que a capacidade de liderar e a credibilidade política estão de volta à São Caetano à Lapa.

Super Airbus 

Ontem foi um dia histórico para o mundo da aviação civil. O super avião Airbus 380 descolou em Toulouse para o seu primeiro voo e o teste correu muito bem. Aquilo que parecia impossível há uns anos atrás, tornou-se realidade: colocar no ar um avião com capacidade para transportar ao mesmo tempo cerca de 800 passageiros ou então proporcionar a bordo um conjunto de serviços até agora impensáveis como um casino ou um ginásio.
O projecto é europeu e constitui o passo mais arrojado de sempre no mundo da aviação comercial. Depois da criação dos sistemas fly-by-wire, o consórcio europeu volta a marcar pontos.
Aqui ficam algumas imagens feitas por quem esteve em Toulouse no dia em que o “animal” saiu à rua pela primeira vez.
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2005-04-27

Já me esquecia 

Até no CDS/PP o Benfica saiu vencedor. Ribeiro e Castro, conhecido benfiquista e ex-dirigente, limpou a maltinha do Portas como quem limpa o respectivo a meninos. Tão cedo não me vou esquecer da cara de Telmo Correia, incrédulo a ouvir os resultados das moções. O ex-ministro do Turismo ficou sozinho ou perto disso, até ao nascer do dia seguinte para ouvir o que ouviu. Não se faz…
Não sei o que se vai passar para o lado do Caldas mas que gostei, lá isso gostei.

Benfica e o MFA 

Já repararam que um jogo do Benfica, polémico ou não, foi o suficiente para fazer cair no esquecimento as comemorações do 25 de Abril?
Alguém se recorda de alguma coisa de grande significado dita ou feita na passada segunda-feira que tenha sido notícia a nível nacional?
Será o Benfica um clube reaccionário que provoca desatenção nas “forças vivas” deste país?
Será que o GLORIOSO voltou a ser o clube do regime?
Será que pelo facto de José Sócrates ser um confesso benfiquista já se esteja a notar essa preponderância?
Ou será apenas que o assunto (cravos, chaimites, MFA, capitães de Abril, heróis da madrugada, etc…) está tão estafado que um qualquer jogo de futebol serve para distrair a atenção?
Espero que não. O 25 de Abril foi importante, mas as suas comemorações são cada vez mais um episódio mil vezes repetido ao qual poucos dão a devida importância.
Em Tavira pelo menos juntou-se o útil ao agradável: inaugurou-se a Casa do Benfica com pompa e circunstância com o povo na rua, cantando e rindo.

2005-04-26

Estatística 

Com a preciosa ajuda do meu amigo Marcos Guia, deixo aqui alguns números que se calhar não são verdadeiros e foi ele que os inventou. Só acredita quem quiser e eu que até estive lá mas não contei todos os remates à baliza ou faltas cometidas, sou obrigado a acreditar que eles devem ser verdadeiros:

Faltas
Benfica - 9, Estoril - 34
Remates à baliza
Benfica 23 (2 golos, 1 ao poste, 11 defendidos)
Estoril 2 (1 golo, 1 defendido)
Cantos
Benfica - 6, Estoril - 1
Posse de bola
Benfica 82%, Estoril 18%

O Benfica jogou mal, pelo menos na minha opinião. Enquanto esteve com um jogador a mais na primeira parte não fez a diferença. Mas daí até que se ponha em causa a veracidade do resultado vai um passo de gigante.

Na área do Estoril aconteceram dois lances em que a bola bateu na mão do defesa. Em pelo menos um deles, garanto que já vi árbitros a marcar grande penalidade por muito menos. Mas desses lances ainda ninguém referiu nada.

O árbitro interrompeu várias vezes a marcação de lances de bola parada para a grande área do Estoril, porque os defesas estavam permanentemente agarrados aos avançados do Benfica. Naturalmente que só se fala do "abraço" do Ricardo Rocha ao adversário que como toda a gente sabe é um lance recorrente que acontece em todos os jogos beneficiando todas as equipas.

O Estoril devia ter terminado o jogo com 8 jogadores. O Cissé ou lá como se chama aquele rapaz que deu uma bolada despropositada numa senhora bombeira, agrediu o Pedro Mantorras por trás sem bola. Viu apenas um cartão amarelo.

O lance que dá origem ao golo do Estoril, tem início na marcação de uma falta que não existe.

Ninguém me fará escrever que o Benfica jogou bem, mas ninguém me convence que o Benfica ganhou o jogo com a ajuda da arbitragem.
Há muitos anos que não ia a um estádio ver um jogo da Liga e aquilo que vi não me trás vontade de assistir ao resto do campeonato fora da sala da minha casa.

Como o Marcos Guia referiu e muito bem, o facto do jogo Estoril-Benfica ser motivo de tanta polémica, obriga a que passe completamente desapercebida a razão pela qual o Polga não foi expulso aos 19 minutos no jogo com a Académica. Dou de barato o golo limpo do Beira-Mar em Alvalade. Já faz parte do passado e o Benfica, tal como o Porto, também têm ao longo do campeonato situações semelhantes

Para terminar, BOA SORTE para o Sporting. Oxalá chegue à final e seja campeão da Taça UEFA. Quem apenas gosta de futebol pelo desporto que é e pensa um pouco naquilo que são os nossos interesse ao nível da UEFA, não pode desejar outra coisa.

2005-04-25

Mantorras resolve 

Os cerca de 30.000 adeptos que estiveram ontem no Estádio do Algarve, na sua esmagadora maioria benfiquistas, não assistiram a um grande jogo de futebol, muito pelo contrário. O SLB revelou o seu mau futebol, sem soluções, sem causar desequilíbrios, enquanto jogou contra onze e mesmo contra dez. Faltou-lhe criatividade e vontade. É impossível que os jogadores estejam a jogar tudo aquilo que sabem, até porque já os vimos a jogar com outra atitude.
O Estoril não parecia uma equipa de futebol mas sim um batalhão de dar porrada. Os cartões mostrados foram justos e alguns ainda ficaram no bolso do árbitro.
No fim, perante o massacre ofensivo do SLB lá foi possível ver dois golos que fizeram a história do jogo.
Mantorras mais uma vez resolveu o problema.
Uma nota positiva para o jovem João Pereira. Na minha opinião foi o melhor jogador em campo. Correu o campo todo com um pulmão que parecia nunca mais terminar. Fez esquecer Miguel por completo.
Espero que o SLB melhore o seu futebol porque aquele que mostrou ontem não chega para ser campeão.

2005-04-23

MARENOSTRUM 

Zé Francisco e companhia apresentam o seu novo albúm "Almadrava" em Tavira no dia em que se comemora a Liberdade. A não perder.

Sofre coração 

Amanhã lá estaremos ao vivo e a cores para o que der e vier.
Já comprei os anti-ácidos, não vá o diabo tecê-las.
A comitiva vai ficar instalada na mais bonita cidade algarvia, mais concretamente aqui.

Feira da Serra em Tavira 

Abriu ontem e encerra no dia 25 (segunda-feira).
É um autêntico festival de coisas boas onde as calorias marcam presença com muito destaque.

2005-04-22

Renovação por decreto 

O governo aprovou na semana passada uma lei com vista à limitação de mandatos dos órgãos políticos de natureza executiva, com o objectivo de impor alguma renovação, nomeadamente ao nível do poder local e regional. Deixa de fora os deputados que como toda a gente sabe não têm características de execução política e por isso podem perpetuar-se no parlamento enquanto tiverem vida, vontade para isso e o partido assim o entender.
Desde logo há aqui uma questão de princípio sobre a qual tenho algumas reservas: a faculdade de limitar por decreto aquilo que cabe à democracia e ao povo.
Esta questão leva-nos a outra que é: está a nossa democracia suficientemente adulta e com capacidade de se regenerar para manter os princípios da igualdade de oportunidades?
Faz sentido impedir um cidadão de se candidatar as vezes que entender quando essa é a vontade do povo? Não cabe ao povo o direito de escolher quem quer que o governe em vez da imposição na limitação de escolhas? Em democracia o horizonte é a liberdade ou a restrição? Que auto-regulação mais genuína pode ter a democracia se não a vontade dos eleitores?
Por outro lado o governo quer impor a retroactividade da lei, prejudicando eventualmente alguns dos seus autarcas históricos mas com o claro objectivo de impedir fenómenos políticos de hiper-popularidade como é exemplo Alberto João Jardim. Não lhe ganham nas urnas, então tentam na secretaria.
Será que é este o verdadeiro problema da política em Portugal, nomeadamente ao nível das autarquias locais? Eu julgo que não.
Há uma tese em ciência política que afirma que o Poder não se conquista, perde-se. É discutível mas faz algum sentido. O povo é soberano e já deu provas de saber escolher. Num espaço de pouco tempo é capaz de ter sentido de voto diferente, consoante o que está em causa. Nomeadamente nas eleições autárquicas, muitos eleitores votam em função dos candidatos cabeças de listas e não propriamente no partido A, B ou C. Isto significa que o povo tem discernimento para escolher, caso a caso, quem está em melhores condições de governar.
Os contornos eleitorais do Poder Local são muito próprios. O mesmo já não se passa ao nível da Assembleia da República. Aí os candidatos a deputados são escolhidos por métodos que nem sempre são os mais democráticos, impostos por vontade expressa de alguém que manda. O eleitor não tem possibilidade de escolher isoladamente quem quer que o represente. Qualquer deputado das últimas filas do hemiciclo pode permanecer em funções sem nunca ter prestado contas do seu trabalho. É caso para dizer que se comece por aqui.
Como é óbvio, um autarca ou um presidente de um governo regional que não seja competente e não tenha obra feita, acaba por ter o resultado dessa incapacidade.
A título de exemplo veja-se o que se passou no Algarve nos últimos 10 ou 12 anos. Observe-se o mapa político nas eleições autárquicas de 1993 e aquele que temos hoje. Não foi preciso decretar-se a renovação. O povo tratou de a fazer.

O homem do Ferrari que gosta do Algarve 

Os algarvios que se cruzaram ontem na EN125 perto do Algarve Shopping com um Ferrari de matrícula monegasca e que ficaram com a sensação de conhecer o condutor, podem dissipar as dúvidas. Era mesmo ele.

2005-04-21

Ciência Viva 

Foi inaugurado hoje em Tavira mais um Centro Ciência Viva com a presença do Ministro Mariano Gago.

Notícias do laranjal algarvio 

Já são conhecidos mais dois candidatos do PSD a autarquias algarvias. Joaquim Mendonza em São Brás de Alportel e Flávio Figueiras em Aljezur.
Boa sorte para os dois.

Os Hospitais SA 

A questão da passagem dos Hospitais SA para EPE (Entidade Pública Empresarial) é mais um artifício do que propriamente uma medida de fundo que sirva para melhorar o sistema de saúde em Portugal. Depois de esclarecer algumas dúvidas com quem sabe alguma coisa sobre o assunto, gostava de deixar as seguintes notas:

1 – Uma questão prévia. O Governo fica aflito cada vez que alguém lhe recorda que a sua constituição tem muito pouco de esquerda, seja ela moderna ou moderada. Por isso faz manobras de diversão para dar a entender que é um Governo voltado muito mais para o Estado, independentemente de saber se isso serve melhor os interesses dos cidadãos, do que para o sector privado que como é sabido é o motor da economia dos países mais desenvolvidos e prósperos. São tiques que o PS ainda não se libertou.

2 – O ministro da Saúde quando apresentou a medida afirmou que os Hospitais não têm como objectivo dar lucro. Mas quem alguma vez falou nisso? E por acaso servem para dar prejuízos incontrolados? Serve para que não haja critérios de gestão rigorosos que impeçam o regabofe que caracteriza algumas empresas do Estado que batem recordes sucessivos de prejuízos? Por acaso por ser do Estado, obriga a que seja mal gerido ou sem rigor na aquisição de bens e serviços?

3 - As características mais visíveis são semelhantes: em ambos os modelos aplica-se a lógica da contratação “privada” – não há admissões para a função pública (os quadros estão “fechados”); os procedimentos de compra são mais flexíveis, há liberdade (relativa) contratual para promover negócios que respeitem o objecto social (prestar serviços de saúde). Qual é o pecado? Ou por outra, qual é a diferença neste caso entre EPE e SA?

4 - O modelo SA é mais transparente. Existe uma separação entre a esfera patrimonial (aquilo que nas empresas se conhece por “balanço” – o Activo, Passivo e o Capital Próprio) e a esfera da exploração (a “Demonstração de Resultados”). Logo, aquilo que são valores a receber (Activo) não se confunde com Vendas ou Serviços Prestados (“proveitos” da D.R.) e os valores a pagar (Passivo) não se confundem com o Custo (conceito da D.R.). Ou seja, sabe-se qual é o resultado líquido da actividade, o que não tem nada a ver com quanto a empresa deve aos credores (ou com o que tem a receber dos seus devedores). Estes são conceitos que a opinião pública frequentemente confunde e que o modelo EPE não permite esclarecer com clareza.

5 - O modelo EPE obedece à lógica do Orçamento de Estado, não tem conta de exploração, como atrás se referiu, logo, as dívidas (passivo) são consideradas para o défice orçamental do Estado. Só isto vai representar vários biliões de euros. Ou seja numa lógica de controlo do défice está aqui mais um problema para o Governo a troco de uma questão de identificação ideológica. Não faz muito sentido.

6 - Bruxelas só autorizou a transformação em SA com a consequente “saída” do défice dos Passivos dos hospitais na altura, porque o Governo se comprometeu a apresentar um plano de convergência, baseado em “business plans” de cada SA com vista a que todos estivessem a dar resultado líquido positivo no prazo de 6 anos. Não houve tempo para avaliar, aquilo que foi um compromisso assumido com a Comissão Europeia. Logo não se sabe qual era o resultado final da medida.

7 - Quem preparou a transformação em SA foi o ministro Correia de Campos no último Governo de António Guterres. O Orçamento de Estado de 2002, preparado pelo PS, tinha verbas orçamentadas para criar 4 a 6 Hospitais SA e os estudos preparatórios já tinham começado. O que o Governo do PSD fez foi aumentar aquela dotação para permitir a empresarialização de 34 hospitais (que originaram 31 empresas). Ou seja, o agora ministro da Saúde que diz que os Hospitais não são para dar lucro, está intimamente ligado à génese da fórmula SA.

8 - Os Hospitais SA foram criados, cada um, por Decreto-Lei. Esses decretos dizem que o Capital Social é detido EXCLUSIVAMENTE pelo Estado. Para alterar isto e privatizar, seria necessário um novo Decreto-Lei.

9 - O PS na sua anterior encarnação aprovou uma lei que diz que todas as empresas em que o Estado seja accionista único (caso dos Hospitais SA), seja accionista maioritário ou que simplesmente domine a maioria dos votos é considerada uma Empresa Pública (para todos os – bons – efeitos é o mesmo que um EPE), logo, não se compreende a febre “publicista”. No entanto, parece que o Governo vai alterar o regime legal dos EPE para permitir a sua… privatização! Se se confirmar é de morrer de rir…

10 - Os dirigentes dos SA são considerados Gestores Públicos, ou seja, têm um regime próprio, previsto na Lei e não recebem os vencimentos que lhes apetece! É tudo fixado pelo Ministério das Finanças. Provavelmente será este regime que se aplicará aos EPE – nada de novo e não haverá “poupança” nos ordenados “chorudos” dos administradores. Ou seja, tudo na mesma. Qual é a diferença?

Aprovado referendo sobre despenalização do aborto  

Digam o que disserem e até prova em contrário, o referendo que o PS aprovou ontem na Assembleia da República não é revelador de uma vontade genuína deste partido em querer resolver o problema. Aqui o PCP tem razão naquilo que diz. Se é para resolver, o Parlamento que resolva. Se é para empatar, então vamos a referendo.

2005-04-20

Lágrimas de crocodilo 

Jaime Pacheco declarou ontem aos órgãos de comunicação social que os seus jogadores estavam de tal modo indignados com o que se tinha passado dentro do campo que até choraram. Agravou ainda mais o estado de espírito dos seus homens ao afirmar que são pais de filhos e nessa condição não é normal que chorem.
Eu acho que ele deve ter razão. Os colegas de Tiago quando o viram a pontapear um adversário caído no relvado depois de uma entrada violenta do sempre eterno e pacífico João Pinto, tinham razões de sobra para chorar de vergonha.

Português Suave 

Segundo algumas fontes, um dos handicaps de D. José Policarpo para chegar a Papa era o facto de ser um fumador compulsivo. Já se vê que o Santo Padre não pode ter vícios mundanos que lhe toldem o espírito para as exigências do pontificado.

O novo Papa 

Quem tinha esperanças de ver nos próximos anos uma renovação profunda na Igreja Católica, perdeu-as na tarde de ontem. O Vaticano, com a escolha do Cardeal Ratzinger, vai endurecer o seu discurso em relação aos temas mais problemático que estão em discussão no Mundo civilizado.
O chamado braço-direito de João Paulo II é um homem de convicções fortes mas pouco moderado e com um elevado faro pela controvérsia. Vamos provavelmente ter uma Igreja mais próxima de posições fundamentalistas que não servem os melhores propósitos da discussão. Duvido que seja capaz de atrair novos devotos da fé numa altura em que a Igreja Católica se bate com o êxodo dos seus fiéis para outros credos mais atentos, porém mais demagógicos e apostados na exploração da ignorância alheia. As seitas religiosas que negoceiam com os propósitos da fé devem estar muito satisfeitas. Os jovens que procuram uma Igreja Católica de cabeças arejadas e com uma nova visão dos problemas dos nossos dias, dificilmente se sentirão atraídos por este novo pontificado.
Também é verdade que, provavelmente, não vai durar muito tempo. A idade avançada (78 anos) do agora Papa Bento XVI não deixa muito espaço de manobra.

2005-04-19

Um comentário que merece passar a post 

Sem a devida autorização do autor, deixo este comentário para reflexão. Desde já quero dizer que me identifico com o mesmo, nomeadamente, na questão de principio.

Por principio não sou favor da limitação de mandatos, porque entendo que numa democracia é aos eleitores que cabe esse papel, e em ultima analise aos partidos, pois por norma os candidatos são apoiados por partidos e devem ser estes a ter a capacidade de perceber quando é necessária a renovação.
Penso que os Partidos não querem é assumir o seu papel na socieade, que é serem ouvintes constantes das aspirações das populações em que se encontram inseridas, para que em cada momento apresentem as alternativas e soluções para as mesmas. Sem estar preocupados com questões menores de contabilidade aritemética eleitoralista, mantem a todos o custo os seus candidatos no poder só para ganharem vantagem eleitoral.
Portanto preferem omitirem-se da sua função mais nobre e refugiar-se numa norma constitucional.
É mais uma prova da fraqueza, falta de clareza, limitando os seus horizntes.
Mas se a lei for para a frente é mais uma prova de a nossa democracia ainda não está preparada para se autoregular por si só...
Nesse Caso que venha a lei, mas que a mesma não se limite somente aos cargos executivos como se propoe, mas que se estenda a todos os cargos politicos ( executivo e deliberativo ). Só assim é possivel, transmitir uma verdadeira vontade de mudar.
Mário Vieira

Ao rubro 

Continua acesa a disputa pelo 2º lugar no campeonato da Liga de Futebol. Sporting ou Braga qual será o vice-campeão?

2005-04-16

Bem prega Frei Tomás 

PS rejeita proposta para aumentar salário mínimo nacional para 400 euros

O fumo e o fogo 

Na política e nos partidos, qualquer coisa fora do lugar dá para fazer cair um ministro, secretário de Estado ou apenas um dirigente partidário. Por vezes essas coisas nem são verdade mas só mais tarde é possível constatar a veracidade dos factos e a inocência das pessoas.
Como é diferente o mundo do futebol. Quanto mais atolados mais fortes nas suas lideranças porque para os sócios é tudo feito em prol do clube.


Nota: Aguardo a reacção de Miguel Sousa Tavares, terça-feira à noite na TVI.

Limitação de mandatos 

A renovação de parte da política portuguesa por decreto não agrada a alguns sectores do PS e os argumentos são semelhantes a outros já ouvidos. Voltaremos ao assunto mais tarde.

Eleições Bascas 

Em Espanha, mais concretamente no País Basco, estão a ter lugar as eleições autonómicas. A polémica está centrada como não podia deixar de ser na ilegalização das listas do Batasuna (braço político da ETA) e do aparecimento de um partido denominado Partido Comunista de las Tierras Vascas (EHAK) o qual tem esta atitude fantástica: não condena as acções da ETA mas luta pelos Direitos Humanos.
Ora isto dava vontade de rir se não desse ao mesmo tempo vontade de chorar.
O EHAK aparece como uma operação de cosmética a favor dos terroristas bascos sem que lhes seja vedada a possibilidade de ir a votos, muito por culpa do PSOE cuja intenção é travar a capacidade eleitoral do Partido Nacionalista Vasco (PNV) que devido à sua natureza consegue ir buscar alguns votos etarras mais radicais que não podem escolher as forças políticas ilegalizadas.
É o sucumbir dos socialistas ao combate à proliferação do terrorismo político em trova de conveniências eleitorais.
Há mesmo um relatório da Guardia Civil que dá conta das ligações, inclusive familiares, de membros do EHAK a elementos do Batasuna e da ETA, o qual foi sonegado. Nesse relatório era referido que o inspirador do EHAK, Antonio Egido Sigüenza, participou na elaboração de um manifesto da ETA/HB denominado «Oldartzen», que apontava os políticos do PSOE e do PP, bem como os jornalistas, como objectivos das acções terroristas.
Sintomático.

2005-04-15

A prova do pecado da gula 

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Lembram-se do post "Adivinha"? Pois bem, as pessoas que reagiram têm suspeitas fortes em relação ao comilão de pequenos-almoços do fim-de-semana passado na terra mais santa de Portugal, onde ficou grande parte da comitiva algarvia que participou no Congresso de Pombal.
Depois de um trabalho de investigação apurado com a colaboração de fontes e testemunhas as quais por razões de ética não posso revelar os nomes, aproveito para divulgar em primeira mão uma cópia da prova do “crime”.
Os pequenos-almoços principescos servidos na cama têm um custo que mais parece o de uma refeição num restaurante algarvio.

P.S.- Ovos com Corn Flakes? Mas isso não dá dor de barriga?

Leão com garras afiadas 

O SCP foi do Inferno ao Céu em 90 minutos. Fez um jogo que orgulhou Portugal e está com todo o mérito nas meias-finais da Taça UEFA. O “senhor que se segue” é uma equipa aparentemente desconhecida mas que está a causar sensação no seu país – Holanda – e no resto da Europa. Depois do que já fez, julgo que o SCP está em condições de ultrapassar esse obstáculo e disputar a final no seu próprio estádio. Depois, logo se vê.

2005-04-14

Ainda o Congresso "pombalino" 

1 – De todos os militantes presentes em Pombal havia um que ainda não tinha percebido o que se tinha passado com o PSD durante os últimos meses: Pedro Santana Lopes.
O álibi que montou para justificar a pesada derrota com a assumpção de apenas um erro, aquele que segundo ele mais contribuiu para a derrota eleitoral é sintomático de alguém que assume as suas responsabilidades não as assumindo. Afirmar que a interrupção da campanha motivada pela morte da Irmã Lúcia o que na minha opinião foi uma atitude correcta, é o seu único lapso significa que tudo o resto não foi consequência da sua acção. Tudo o resto foram ventos e marés que se juntaram para empatar a sua caminhada. . Hoje sabe-se que não é assim. Explicou aos presentes uma verdadeira teoria da conspiração da qual foi vítima sem culpa formada. Todos contra ele. Já vi e ouvi o Guerreiro Menino dizer coisas mais sensatas.

2 – A vitória de Marques Mendes é racional e é disso que o PSD necessita neste momento. Pôr um Congresso a aplaudir de pé é reconfortante mas não trás nenhuma vantagem fora desse âmbito. Dizer coisas simpáticas daquelas que os militantes tanto gostam de ouvir é meio caminho andado para preencher o ego daqueles que hoje se sentem desamparados por terem perdido o Poder da maneira como perderam. Mas isso trás vantagens? O PSD fica eleitoralmente mais forte?

3 – Luís Filipe Menezes usou a emotividade para dar a volta ao Congresso porque sabe que a militância reage a impulsos fortes nomeadamente quando lhe falam ao coração, mesmo que lhes estejam a dizer enormidades. Um bom exemplo foi a promessa de apresentar uma moção de censura ao governo – já não me recordo bem qual era a razão. Ora isto está ao nível das patetices que o PCP fazia com as maiorias absolutas de Cavaco Silva. Quem apresenta uma moção de censura numa assembleia onde existe uma maioria absoluta da força contrária está a arriscar-se a apanhar com uma moção de confiança ao governo, garantidamente aprovada e isso é o facto que fica para a História.

4 – Quem diz que no PSD não houve uma renovação, não está a ser verdadeiro. As pessoas que integram a actual direcção nacional não são novas na política, algumas delas já desempenharam cargos importantes no partido mas não são as mesmas que estiveram nas anteriores liderança de Barroso e Santana Lopes. São personalidades de vários meios, autarcas, deputados, trabalhadores liberais, docentes universitários ou seja pessoas que não são exclusivamente do chamado aparelho partidário. Da liderança de Durão Barroso para a de Santana Lopes de facto não houve renovação. Eram os mesmos, sabendo nós que o passado recente os tinha entrincheirado cada um do seu lado e com as suas tropas. Ao juntá-las a coisa não resultou e foi o que se viu.

5 – Santana Lopes, quando venceu a Câmara de Lisboa, insurgiu-se e bem com a ausência do derrotado João Soares na tomada de posse dos órgãos autárquicos. Onde estava Santana Lopes no domingo de tarde quando teve lugar o encerramento do Congresso? E os outros dirigentes à excepção de Miguel Relvas?

2005-04-13

Adiar soluções 

Julgo que já deu para perceber que o PS não quer alterar a lei eleitoral autárquica que, tal como está, não responde aos desafios do poder autárquico, muito pelo contrário.
A seis meses de um novo acto eleitoral o PS quer mandar o problema para as calendas gregas.
Ou seja, mantêm-se uma eleição inflexível para o executivo com a possibilidade de surgirem diversas situações da mais perfeita ingovernabilidade.
Está de regresso o PS calculista a olhar para as suas conveniências em vez de meter as mãos nos problemas. Querem aprovar uma lei que tenha aplicabilidade apenas em 2009. Para quê esperar tanto? É o regresso ao adiamento das soluções. Já estava à espera disto.
Entretêm-se com o problema da limitação dos mandatos quando esse não é o problema principal do funcionamento da administração local.

Tchau Couceiro 

Técnico do AZ Alkmaar a caminho do FC Porto

2005-04-12

Vão dar banho ao cão 

Continuo a observar alguns escritos sobre o Congresso de Pombal e vejo que foi melhor do que eu pensava. Os “amigos” do PSD não gostaram. Estavam à espera de outra coisa, do tipo alguém à estalada, discursos insultuosos, crucificação de Santana Lopes, que o palco se desmoronasse com gente em cima, que a electricidade faltasse (por acaso até faltou mas por pouco tempo), que os microfones estivesse desligados, que as casas de banho entupissem, que houvesse uma ameaça de bomba ou talvez duas, que os jornalistas fossem agredidos ou impedidos de trabalhar, enfim coisas que pudessem dar outro tipo de notícia. Eles chateiam-se quando as coisas acontecem com normalidade e tranquilidade. Eles chateiam-se quando nós somos capazes de superar os problemas e partir em frente. Eles incomodam-se quando nós viramos a página do livro, porque sabem que é nas nossas fraquezas e nos momentos mais difíceis que vamos buscar forçar para nos erguermos. Eles no fundo sabem que nós vamos voltar e que a seguir ao PS é o PSD e a seguir ao PSD é novamente o PS.
Há mesmo uns que acham que não se passou nada. Os mesmos que nunca fizeram um congresso com listas a concurso para escolher um líder, nunca debateram mais do que a absoluta unanimidade a que chamam temas fracturantes da sociedade portuguesa. Falam de direitos sucessórios. Tinha graça que fosse assim. Devem estar a falar da casa que habitam.
Esses gostavam que tivéssemos dado um triste espectáculo. Mas isso não aconteceu, o que lhes derrete a paciência e as expectativas como manteiga exposta ao sol do Verão no Algarve.

2005-04-11

Adivinha (private joke) 

Alguém sabe o nome do Delegado do Algarve que desfrutou de pequenos-almoços principescos no Hotel onde estava instalado, servido no quarto com requinte e distinção?

É só love 

Passei os olhos por alguns blogues e jornais que “adoram” o PSD e constatei o seguinte:

1 - Marques Mendes saiu enfraquecido do Congresso porque ganhou por poucos. Falso. Completamente falso. Marques Mendes venceu com a maior diferença dos últimos anos em Congressos onde a liderança é disputada por duas ou mais listas. Vão ao arquivo e vejam.

2 – Se Luís Filipe Menezes tivesse ganho diriam qualquer coisa do tipo: PSD afunda-se no populismo demagógico apesar de ter um candidato cuja imagem de responsabilidade e crédito político é por todos reconhecida. Ou seja Marques Mendes é que é bom e os militantes não viram isso.

3 – Se Marques Mendes tivesse ganho com uma diferença esmagadora o tom da conversa seria: no PSD os militantes agem como rebanhos de carneiros uns atrás dos outros e não são capazes de olhar para outras propostas e candidaturas.

Ou seja, há opiniões à la carte e para todos os gostos desde que enfraqueçam a liderança que emergiu do Congresso de Pombal. Marques Mendes passou de bestial porque criticou Santana Lopes, a besta porque ganhou o Congresso.

Futebol 

Isto está cada vez com mais emoção.
Ontem aconteceram duas coisas distintas.
Em Vila do Conde a já conhecida falta de ambição do SLB nalgumas alturas do campeonato passou por lá e deu no que deu.
Em Alvalade o sistema que o Drº Dias da Cunha tanto se queixa, passou por lá a correr na primeira parte do jogo e deu no que deu.
Vamos ver o que isto dá nas próximas semanas.

Pombal 

Valeu a pena. Correu bem para o PSD.
Quando tiver tempo voltarei ao assunto.

2005-04-08

Dia de viagem 

Pombal é o destino. Espero que valha a pena. De Barcelos só a recordação de uma cidade bonita no Alto Minho com paragem em Guimarães para visitar o Centro Histórico classificado como Património da Humanidade.

SCP 

O jogo não foi grande coisa e o resultado podia ter sido melhor. Julgo que o SCP tem argumentos suficientes para dar a volta à eliminatória.

2005-04-07

Força SCP 

Hoje, tal como no dia do jogo com o FCP mas por razões diferentes, somos todos lagartos.

Alteração na secção "Recomendo" 

Os amigos e amigas da Vialgarve saem do último lugar (alfabético) da secção Recomendo e dão lugar ao Visões. Seja bem vindo. Espero que não lhe aconteça o mesmo que a Tertúlia Louletana. Perdeu a força com a problemática do Turismo de Qualidade. Esperemos que recupere em breve.

Boa sorte 

O PSD confirmou a candidatura de João Amado (leitor deste blogue o que muito me orgulha) à Câmara Municipal de Portimão. O assunto não me diz respeito mas não posso deixar passar em claro a notícia e desejar-lhe a melhor sorte do mundo. Espero que o ruído de fundo à sua volta serene e que ele tenha tranquilidade suficiente para tentar conquistar uma eleição que não se apresenta fácil.
Sou felizmente amigo de algumas pessoas que têm uma opinião crítica a seu respeito mas acho que o momento não está para isso. É necessário dar o benefício da dúvida até porque o PSD é um partido com estatutos claros e dirigentes eleitos democraticamente.
O melhor que posso dizer a seu respeito é:
- Se eu fosse portimonense votava nele.
FORÇA JOÃO.

Curiosidade 

Era interessante conhecer o número de consultas diárias aos sites do Público e do Diário de Notícias nos últimos dias e compará-las com as de há um mês atrás. Simples curiosidade a minha.
Quem contratou publicidade ao Público deve estar satisfeitíssimo…

2005-04-06

Faz toda a diferença 

Vamos voltar uns meses atrás e imaginar que Santana Lopes ainda é primeiro-ministro. Vamos igualmente imaginar que o Papa tinha falecido nessa altura e que o Estado português emprestava o Falcon para D. José Policarpo chegar mais depressa a Roma. Recorde-se que existem mais voos diários para Roma do que para São Tomé e Príncipe, bem como várias companhias aéreas a fazer esse voo a partir de Lisboa.
Agora imaginem o que a comunicação social bem treinada que temos em Portugal e os partidos de esquerda não diriam. Lembram-se da história do Estado laico e das benesses e favorecimentos à Igreja? Pois é. Só se aplicam às vezes.
Quanto custou a viagem do Falcon a Roma e quanto custa um bilhete de primeira classe na TAP ou na Alitalia? Sim porque eu sou católico e acho que o máximo representante da Igreja portuguesa deve ser bem tratado e não remetido para um voo nas companhias low-cost que nem um copo de água oferecem...

Lindos meninos 

Eis a nata do futebol português. Hoje são os deste clube mas podiam ser outros. É tudo igual.

Lógicas estritamente pessoais 

Esta entrevista revela duas coisas fundamentais no que respeita às eleições autárquicas em Lisboa:
A primeira é que Santana Lopes ao regressar a um lugar que é seu por direito próprio, prestou vários maus serviços, caso não seja ele o candidato em Outubro e mesmo sendo outros problemas se levantam. As hipóteses de Santana Lopes conseguir um resultado semelhante ao de 2001, parecem cada vez mais ténues.
A segunda é que o seu regresso tapou a visibilidade de Carmona Rodrigues que tinha vontade de continuar a ser presidente da Câmara e daí assumir uma candidatura com possibilidades de vencer.
Ou seja a lógica de uma pessoa compromete toda a estratégia e toda a dinâmica que estava a ser construída com o objectivo de manter a principal autarquia do país.
Manuel Maria Carrilho pode perfeitamente vir a ser o próximo presidente, não por mérito próprio mas sobretudo por este distúrbio que foi causado quase no fim do mandato.
O lugar de Santana Lopes, nesta fase, é no Parlamento para onde foi eleito. No momento em que saiu do lugar de presidente da Câmara, deveria ter encerrado esse capítulo na sua vida. Pelo menos durante os próximos tempos.

Romaria 

Os fundamentalismos religiosos causam reacções verdadeiramente impressionantes nos seres humanos e aqui não há que distinguir o credo.
Nestes dias o Vaticano tem sido palco de uma manifestação que está próxima desse fundamentalismo exacerbado que também existe na Igreja Católica. Não há, como noutras circunstâncias e noutras religiões o fim de causar dano a alguém, mas há um estereótipo de comportamento que nos obriga a reflectir sobre as verdadeiras motivações do ser humano.
Enfrentar uma fila de muitas horas, ao sol e ao frio, nalguns casos à sede e à fome, para poder ter cinco segundos de proximidade com o corpo do Papa, é algo que a mim me faz alguma confusão. Maior confusão sinto quando vejo as imagens de pessoas que lhe apontam a máquina fotográfica, desde a mais simples à mais sofisticada passando pelo telemóvel, com o objectivo de conseguir uma fotografia que no futuro lhe possa garantir que esteve lá. Ou seja, transformou-se um cadáver, porque é disso que se trata, numa quase atracção turística e num, perdoem-me a expressão, produto de promoção da Igreja.
Pelo meio daquela multidão há certamente muita gente que está ali num acto sentido de homenagem e de dor perante a perda de alguém que muito deu à causa da paz e da liberdade, cujo pontificado marcou a história da Humanidade no fim do século passado. Estão lá pessoas cujo objectivo é apenas esse: orar e homenagear. Porém não estou certo que sejam a esmagadora maioria. Para além delas há também aqueles que tanto estão ali para ver o corpo do Papa, como organizam romarias para ver os destroços de um avião que caiu, o resultado final de uma catástrofe natural ou outra desgraça qualquer. Não há para elas outra motivação que não seja testemunhar o problema dos outros.
O mistério da morte é uma coisa muito séria que merece respeito. Nenhuma romaria organizada em seu redor pode homenagear melhor quem parte do que o silêncio e o respeito.

2005-04-04

Públi€o 

O jornal Público deixou de ser o parceiro preferencial da blogosfera lusa. Voltamos à óptica do utilizador pagador, porque aquilo que ganham em publicidade já não chega para garantir o livre acesso ao site.
Voltemo-nos pois para citações e referências noutros jornais. Quem fica a perder é o Público.

Lets go boys 

Com alguma incerteza à mistura e uma defesa que faz tremer o mais gélido adepto, o Glorioso lá passou mais um teste. Não é ainda óbvio quem vai ganhar o campeonato, mas para lá caminha.
Um amigo meu garantiu-me esta manhã que o SCP não vai perder mais pontos até ao final, ao contrário do Glorioso. Sim o meu amigo é lagarto daqueles com lugar cativo até ao fim da vida ou perto disso.
Eu acho que o SLB vai perder pontos bem como os seus mais directos adversários. Saber se a diferença actual será suficiente é o grande enigma da questão.
Ainda do jogo de ontem gostei de ver os primeiros minutos à Benfica e, naturalmente, o golo do Mantorras.
Mais uma vez quase fica para a história do jogo um golo mal anulado na baliza que está mais habituada a este tipo de lances. O Baia que o diga.

Quem diria 

Ler para crer.

2005-04-02

Em paz 


João Paulo II
Karol Wojtyla
1920-2005

Horrível 

Acabei de ver uma reportagem sobre o aparto mediático que está instalado às portas do Vaticano. Dezenas de antenas parabólicas e carros de exteriores, centenas de jornalistas, quilómetros de cabos espalhados pelo chão, projectores, câmaras de vídeo e respectivos operadores, etc, etc, etc…
Sinto muito mas a única imagem que me veio à cabeça foi aquela dos filmes do far-west em que os abutres sobrevoam o cowboy ferido.
O Papa merece, por tudo e mais alguma coisa, morrer em paz.
Como católico sinto-me incomodado com o que se está a passar. Tem de haver um limite. Deve haver um limite.
Isto não é o dever de informação. É uma orgia de intoxicação com a qual a Igreja não deveria pactuar, para seu próprio bem e por respeito pelo Papa.

Recordar é viver 

Li num blog um comentário a um post miraculoso do tipo: só dizem que são contra os Governos Civis, agora que não são vocês que estão no Poder.
O post em causa tem uma referência a um outro escrito por mim e por isso entendi que devia recordar um artigo de opinião que escrevi para um jornal regional sobre o assunto, há precisamente três anos atrás, quando o PSD tinha acabado de vencer as eleições legislativas.

A Comissão Liquidatária
Infelizmente aconteceu o que eu já estava à espera. Os governadores civis foram uma vez mais nomeados apesar da promessa de os extinguir.
Duas considerações sobre o assunto:
A primeira tem a ver com a natureza do cargo e com a promessa que foi feita. O PSD escreveu no seu programa eleitoral, o qual tive a honra de defender, o seguinte: «Tomar medidas imediatas no sentido da transferência das competências dos governos civis para o plano municipal ou intermunicipal, designadamente em matéria de aproximação entre o cidadão e a Administração, de licenciamento ou autorizações para o exercício de actividades. Propor, na próxima revisão constitucional, a extinção dos governos civis.»
Isto não é invenção minha, foi escrito pelo PSD e apresentado aos portugueses.
Só posso entender que não tenha sido esta a prática, partindo do princípio que na formação do governo foi necessário fazer ajustes com o parceiro de coligação e que este se tenha negado a aceitar esta medida. Se foi assim, pior um pouco, tendo em conta o discurso dos principais dirigentes populares em relação aos gastos do estado e aos cargo de nomeação assentes na confiança política.
Se é bem verdade que a revisão constitucional que eventualmente poderá levar à extinção do cargo, necessita de um acordo entre o PSD e o PS, não é menos verdade que a imediata transferência de competências e a não nomeação dos governadores civis era matéria exclusiva do governo que poderia facilmente fazer passar na Assembleia da República. Não o fez porque não quis.
Pior, é pensar que isto está para durar e que os governadores civis, agora nomeados, vão durar toda a legislatura.
O segundo aspecto está relacionado com a pessoa que foi nomeada no Algarve. José Valentim Rosado não é uma pessoa qualquer. É um homem de grande respeito na região, autarca durante muitos anos cuja credibilidade política está acima de qualquer suspeita. Fosse o cargo que ocupa uma coisa muito importante e estaria certo de que a escolha tinha sido adequada.
Quero em qualquer dos casos desejar ao José Valentim Rosado, que honre a confiança do governo e dos algarvios e que não ceda à tentação de fazer o mesmo que outros fizeram antes de si.
O Governo Civil não faz falta à região e ao país. Serve apenas para gastar mal o dinheiro dos contribuintes e para organizar interesses partidários. Saiba o José Valentim Rosado contrariar esta opinião.


Mantenho hoje a mesma opinião que não está dependente de saber se é o PSD ou o PS o partido do Governo.

Já cá canta II 

O post sobre o bilhete para o concerto dos U2 no Alvalade XXI foi a brincadeira do dia 1 de Abril neste blogue. Nem mesmo a banda irlandesa da qual sou fã incondicional me faz entrar no covil dos lagartos.
Pensei que o post levaria a que alguém fizesse uma licitação no sentido de o adquirir, mas a conversa caiu para o lado de quem tem um estádio mais bonito. Paciência.

2005-04-01

O fim em directo 

A agonia do Papa e os seus últimos momentos de vida foram transformados num mega espectáculo mediático à escala mundial. Em Portugal os telejornais repetem as imagens e os directos com o Vaticano na tentativa de apanhar o momento em que um qualquer porta-voz venha dizer que o Papa morreu. É uma tristeza a forma como tudo isto é tratado e como nos é colocado na frente dos olhos. Não é necessário tanto e estou mesmo convencido que o Papa não desejaria todo este circo mediático que subitamente se instalou na Praça de São Pedro. Não está em causa a figura extraordinária que o Papa só por si representa nem a importância do seu pontificado ao longo destes anos todos. Isso é indiscutível. Trata-se apenas de um homem de carne e osso, um mortal a quem é devido muito respeito e recolhimento nesta hora ocaso.
Estou convencido que Karol Wojtyla. na sua imensa humildade desejaria um final muito mais tranquilo e discreto.

Os Governadores Civis 

O cargo de Governador Civil é talvez o mais inútil de toda a Administração Pública. Não tem grandes funções práticas e as poucas que vão tentando justificar a sua continuidade para além da esfera do interesse partidário, podem ser transferidas para outros serviços do Estado.
O PSD com Durão Barroso prometeu extinguir este cargo mas por falta de coragem de enfrentar algum baronato existente no seio do próprio partido, viu-se obrigado a voltar com a palavra atrás e a dar o dito por não dito. O PS que gosta muito deste tipo de cargos, nomeadamente para fazer alguma política de menor interesse para o cidadão, mantém os Governadores Civis em 18 pontos do país.
É uma despesa pública desnecessária e com pouca utilidade. As pessoas vivem bem sem os Governos Civis. Nem dariam pela sua falta.
No Algarve o senhor que se segue é o Dr. António Pina, dirigente do PS e ex-director regional da Educação.

No que ficamos 

Vi ontem na televisão Luís Filipe Menezes a afirmar que o candidato às presidências que o PSD, liderado por si, apoiará é Aníbal Cavaco Silva. Tive um ataque de tosse e só recuperei após alguns minutos. Há umas semanas atrás Menezes desdenhava o nome de Cavaco, afirmando que existiam outras possibilidades, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa. Chegou ao ponto de levar uma nega do próprio no mesmo dia. Agora, quando o óbvio é tão nítido como a água cristalina, ou seja, Cavaco é, segundo todos os estudos de opinião, o candidato em melhores condições para averbar uma vitória na corrida a Belém, Menezes vem dizer que o PSD liderado por si apoiará Cavaco.
É disto que o partido não precisa: um líder que num dia diga uma coisa e noutro o contrário.

Já cá canta 


Com muito custo (€€€) consegui o ingresso que me permite entrar no dia 14 de Agosto, num estádio verdinho forrado com uns azulejos de casa de banho que está plantado a seguir ao Campo Grande, junto à 2ª Circular.
Se por acaso houver algum interessado em ir na minha vez estou aberto a sugestões.

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