2004-07-30

Azar é um gajo cair de costas e... 



Entupiu 

O site de Azar Karadas está fora de serviço por excesso tentativas de acessos. O limite de banda do site não aguentou a curiosidade da grande família benfiquista.
Espero que consiga corresponder com golos e se não o fizer nem pense em dizer que foi AZAR.

Esta é fantástica 

José Sá Fernandes quer processar Estado. O Blasfémias levanta este caso com uma pertinência muito interessante e real. O tal advogado justiceiro do túnel das Amoreiras quer pôr o Estado a pagar indemnizações – a propósito dos incêndios - que reverterão a favor de organizações ambientalistas. Serão os Verdes do PCP?
É de facto muito interessante. Se pensarmos que o combate aos incêndios, eficaz ou não, já é pago pelo Estado e que o mesmo, em muitos casos, tem que compensar as populações pelas perdas e danos, terá agora que abrir ainda mais os cordões à bolsa para meter dinheiro nas mãos dos ambientalistas. E eu pergunto: então vamos onerar ainda mais os contribuintes através de indemnizações, quando são eles que suportam o combate aos incêndios e são parte deles que ficam afectados com os mesmos. Isto é o quê? A lógica da batata, suponho.
Ficam os contribuintes mais pobres e os ambientalistas mais felizes. Se o negócio resulta, ainda vamos ter as organizações ambientais entre os incendiários suspeitos.


Alegre Manuel 

Devo-vos dizer uma coisa: apesar daquele tom poético, saudosista do passado revolucionário, da cisma anti-fascista como se ela ainda fosse uma realidade, da utopia dos valores de esquerda separados da realidade, Manuel Alegre dá um exemplo de coragem e determinação candidatando-se à liderança do PS. Digo isto sem qualquer tom de piada ou menos consideração.
Perante um partido vergado, como de costume, à lógica do aparelho e da expectativa clientelar, Manuel Alegre representa uma ruptura como essa mesma lógica, sabendo de antemão que as suas hipóteses de sucesso dependiam da desistência dos outros dois candidatos ao cargo de secretário-geral.
Achei também interessante o naipe de pessoas que guardavam a retaguarda de Alegre na cerimónia de apresentação da sua candidatura. João Cravinho, Alberto Martins, Maria de Belém, Manuel Maria Carrilho são figuras da primeira linha de um PS menos alinhado no esquema do tipo: sou do que ganha. Julgo que neste campo até é capaz de estar numa situação mais confortável do que João Soares. A única pessoa de maior relevo que me recordo de ter visto na apresentação da candidatura do ex-autarca de Lisboa, foi o próprio pai.
A candidatura do poeta coimbrão é quixotesca. Não tem margem de sucesso, mas talvez consiga por o PS a discutir alguma coisa mais substancial para além do acessório.
Já agora só mais uma nota: a idade ou neste caso o facto de já não ser novo não deve ser entendido como um factor de menoridade. A juventude, em política, não está na face nem no corpo. Está nas ideias e na forma de olhar a vida e o mundo.


2004-07-29

Citações geniais 



«Sou um animal feroz»
(José Sócrates, Expresso 24/07/2004)

VJS 

Vicente Jorge Silva não para de me surpreender, por vezes pela positiva.
No blogue mais socialista da blogosfera nacional, Vicente escreveu esta pérola.
Aceitam-se comentários em relação à melhor frase ou parágrafo. Pessoalmente voto no seguinte:

Coelho é, de facto, um homem poderoso, demasiado poderoso e influente na máquina partidária socialista, um fazedor de reis. Aparentemente, toda a gente tem medo dele (veja-se a deferência que todos os notáveis do PS lhe manifestam, como João Soares, por exemplo). Ora, precisamente, um dos sinais clarificadores dentro do PS seria criar uma distância crítica relativamente a Coelho e a tudo o que ele representa como expoente do mais típico clientelismo e aparelhismo socialista.


Beleza e tristeza 

Em Loulé os incêndios continuam por circunscrever. Ontem ao fim da tarde, Tavira tapou-se com uma nuvem enorme e medonha de fumo proveniente desses incêndios. Na rua era fácil ver as cinzas caídas no chão o que permite perceber, um pouco, o horror de quem está lá tão perto.
O espectáculo do sol a pôr-se atrás do espesso manto preto traz-nos sentimentos antagónicos: beleza e tristeza.


Amigos Benfiquistas 

Quero deixar claro que o Fernando do Bétis (marcador dos 3 golos de ontem) e o autor deste blogue, são pessoas diferentes.
Eu jamais marcaria 3 golos ao glorioso, ainda por cima oferecidos pela defesa encarnada.


2004-07-28

Carrilho sobre Alegre em 1997 

"homem do passado"

“homem que não se reconhece no mundo de hoje"



Onde ele chegou 

Manuel Maria Carrilho vai ser o mandatário da candidatura de Manuel Alegre a secretário-geral do PS. O ex-ministro da Cultura de Guterres foi só um dos maiores críticos de Alegre no tempo da discussão da terceira via, das derivas mais à direita do ex-primeiro ministro e da quebra de disciplina partidária e parlamentar do deputado de Coimbra. Agora aprecem juntos. Como o poeta socialista está onde sempre esteve, presumo que tenha sido o marido de Bárbara Guimarães que se descaiu para a esquerda. Isto há uns anos atrás era impensável.
Como é óbvio há uns anos também não era de prever que Santana Lopes fosse número dois de Barroso e até seu sucessor natural sem recurso a Congresso. Ou seja, em política já nada me espanta. Nada mesmo.


2004-07-27

Moção de confiança 

Apresentar moções de censura ou rejeição a um governo que tem suporte maioritário na Assembleia da República é pouco mais do que uma parvoíce, na medida em que a resposta adequada é sempre uma moção de confiança que termina vencedora. Ou seja, o que fica para a história é aquilo que o Parlamento aprovou e não o que chumbou.
Que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista mais a sua extensão daltónica chamada “Os Verdes” o façam eu ainda entendo. Que o PS alinhe neste Carnaval é que já é mais estranho. No entanto percebe-se. O PS está sem rumo, sem eira nem beira. Deriva até Outubro ao sabor do vento. Se o vento sopre forte ele anda mais depressa, se sopra fraco ele anda mais devagar. Ninguém segura o leme.


Cavalinhos 


(Tavira, Abril de 2004)

Falar antes do tempo 

O ex-secretário de Estado das Florestas João Soares, escreveu um artigo no Expresso desta semana do qual gostaria de destacar as seguintes frases:

- Parece que algumas pessoas ficarão tristes e desapontadas se este ano os fogos florestais não tiverem, de novo, os contornos de calamidade.

Ou

- Perante este quadro de acção - que nem sequer é exaustivo – dizer (como alguns insistem) que «nada está  a ser feito» ou afirmar que «faltam medidas adequadas de prevenção para preparar o Verão de 2004» é, no mínimo, ridículo.

Este artigo foi publicado no passado Sábado dia em que começou mais uma vaga de incêndios de Norte a Sul do país.


O ex-governante não esperou pelo fim do Verão onde as políticas postas em prática ao nível da prevenção e do combate aos incêndios devem ser avaliadas. Fê-lo precisamente no início, numa altura em que o país está a ter problemas graves.

É caso para lhe dizer: - perdeu-se uma oportunidade de ficar quieto e calado.



€€€€ 

Alguém sabe qual o encaixe financeiro do FCP no que respeita à venda de jogadores e do treinador?

2004-07-26

SLB 2004/2005 

Não sei se vão ficar todos mas os jovens que estão a alinhar na equipa principal do SLB neste começo de temporada, são muito interessantes. E, em todo o caso, antes eles que uma série de estrangeiros de qualidade duvidosa que só servem para encher os bolsos aos seus empresários e vazar os cofres da Luz, se é que estes têm alguma coisa lá dentro.

Nota: Se algum jurista ou advogado ler este post, agradecia que me respondesse à seguinte dúvida: o empate do Sporting com o Casa Pia, em jogo de treino, é relevante para o processo?


Fórmula 1 

Eu gostava de voltar a acompanhar o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, mas para isso era necessário que o Michael Schumacher deixasse de competir. Aborrece-me saber quem vai ganhar, antes da corrida começar. É sempre igual.

Congratulations Lance; Parabéns Azevedo 


(Tavira 21/02/2004)

2004-07-24

Wake up 

Vicente Jorge Silva parece estar órfão deste PS, pouco depois de ter aderido à família.
Excelente a descrição que faz das candidaturas à liderança do PS. Demolidor para Sócrates, sarcástico q.b. para Soares e desiludido para Alegre.
VJS não se revê em nada do que se passa no PS actual e o mais engraçado é que não deve ser o único.
As candidaturas que estão em cima da mesa, duas delas pelo menos, não têm o mínimo de noção do mundo de hoje. Vivem em permanente sobressalto, esgrimindo argumentos velhos, bafientos e até pouco inteligentes. A cruzada anti-fascista não conquista um voto fora do círculo de pessoas cuja mentalidade política ficou perdida nos idos anos 74 e 75 do século passado.
Wake-up. A política actual não é isto. A vida muito menos.

Depois da “tralha guterrista” que tanto o aborrecia, VJS está condenado a viver politicamente com um líder que não é mais do que o produto acabado e mal reciclado desse tempo que foi o guterrismo, de má memória, sobretudo para o PS.

Mais um mergulho 

E pensar que esta manhã até senti um pouco de frio. Não, não estou doente. Apenas de regresso aos mergulhos na costa algarvia.
Saída da Fuzeta pelas 9:00 da manhã num semi-rígido estilo prega saltos. Sete mergulhadores, entre os quais dois alentejanos de Beja que trataram de por o resto da malta bem dispostas. À saída da barra da Fuzeta o mar parecia uma lagoa. O horizonte era imperceptível devido à bruma existente, característica própria do calor que se faz sentir e que tem origem no norte de África.
Quase a chegar ao local de mergulho encontrámos uma tartaruga grande à superfície. Não é muito normal, convenhamos. Fomos mais perto e constatámos as nossas mais profundas suspeitas. O animal estava morto. Foi de facto uma pena.
Mais à frente chegámos à Pedra do Barril. Olhámos para o ferro que desceu a grande velocidade para perceber até que ponto a água estava com boa visibilidade. Parecia que se via o fundo. A alegria era generalizada. Todos para dentro de água com uma temperatura fantástica.
Até sensivelmente aos 14 ou 15 metros a visibilidade manteve-se bastante boa. Daí para baixo foi a desilusão. A visibilidade foi-se reduzindo e a temperatura caiu a pique. Lá em baixo entre os 25 e os 27 metros, em certas zonas, a água estava mesmo muito fria, na ordem dos 12 a 13 graus.
A estratégia de descermos todos juntos foi também um erro. Como “caímos” todos na mesma zona e mantivemos o grupo completo, criou-se muita “suspensão” devido ao efeito das barbatanas. Os que vinham mais atrás não devem ter ficado muito satisfeitos.
Pouco peixe mas os lindíssimos corais do costume. Passados sensivelmente 30 minutos voltámos à superfície, sem esconder uma certa desilusão própria desta actividade. Cá em cima a temperatura e a visibilidade eram fantásticas. Mas lá em baixo…
De regresso à Fuzeta ainda houve tempo para a melhor parte do mergulho. Umas cervejas no bar “O Farol” e dois dedos de conversa à mistura.
Melhores mergulhos virão. Quanto ao dia, é impossível pedir melhor.


2004-07-23

O meu filho é que é bom 

O papá Soares diz que o seu filhote é o militante mais indicado para dirigir o PS e, consequentemente, para primeiro-ministro de Portugal. Só tenho pena que tirando o papá Soares e mais quatro ou cinco amigos, mais ninguém pensa desta maneira.
Tanto que eu queria que o João ganha-se as eleições.

Eleições no PS 

As eleições no PS vão ser um processo doloroso apesar de já se conhecer o vencedor. Naturalmente que tudo não passará do direito à diferença, ao debate de ideias e à enorme liberdade de pensamento e disputa pelo Poder que existe neste partido que servirá para justificar um processo que noutro – PSD por exemplo – seria a mesquinhez partidária, a luta do Poder pelo Poder ou uma batalha de interesses protagonizada pelos barões.
No PS, como toda a gente sabe, mesmo que tirem os olhos uns aos outros, a leitura será sempre a do socialismo em liberdade e democracia.

Morreu Carlos Paredes 

Levaram-nos um tesouro. A cultura portuguesa ficou mais pobre.
Sentidos pêsames à família e a Portugal inteiro.

2004-07-22

Companheiro Zé Manel  

Chegou o dia de te dizer o que penso sobre tudo isto que aconteceu nas últimas semanas. Bem sabes do apreço que tinha por ti. Disse-te diversas vezes.
 
Lembras-te daquela vez em que vieste ao Algarve a meu convite participar num debate sobre a Europa na Universidade do Algarve, pouco tempo depois de termos perdido as eleições para o Guterres, e que acabámos a jantar na Ilha de Faro a comer arroz de lingueirão? Lembras-te de eu te ter dito que o próximo primeiro-ministro eleito pelo PSD serias tu. Lembras-te, não te lembras?

Ou em Tavira quando nos voltámos a encontrar no Pavilhão Eduardo Mansinho no dia em que começou o Congresso do PSD. Lembras-te de teres perguntado a minha opinião sobre o ambiente que se vivia e eu te ter dito que estava contigo no desejo de impedir que o Marcelo fizesse a tal Alternativa Democrática com o Portas? Lembras-te não te lembras?

Pois é. Tu eras a pessoa que eu achava melhor preparada para dirigir o PSD e o país.

Depois fui a Coimbra ajudar a eleger-te líder, bem como a Viseu quando a coisa ficou preta com as candidaturas do Pedro e do Luís. Ou seja, desde 1995 que te tinha como referência pessoal dentro do PSD. Eu não fui daqueles que só te apoiaram quando foste eleito presidente do PSD ou primeiro-ministro de Portugal. Eu estive sempre lá. Apoiando-te porque sabia que tu entre os outros todos eras de longe o melhor.

Por isso quando soube que querias ir embora não fiquei eufórico, muito pelo contrário. Compreendi a tua escolha, mas preferia que tivesses ficado.

Queria ajudar-te a ganhar novamente as eleições legislativas. Queria ajudar a demonstrar que a tua política para o país era a única possível, ainda que com vicissitudes à mistura. Queria ajudar a demonstrar, que vales mais do que toda a esquerda junta e de preferência sem levar o PP atrás.

Mas tu seguiste o teu caminho e a mim não me resta outra solução se não aceitar a tua escolha.

Deixa-me portanto que te diga uma coisa: tivemos sorte. Tivemos mesmo muita sorte. Imagina que isto dava para o torto. Imagina que o Sampaio convocava eleições antecipadas. Imagina que o Pedro não conseguia ganhá-las. Imagina que o PS não entrava na espiral que entrou. Imagina que a esquerda não ficava de “cara à banda”, para usar uma nova expressão política. Imagina que a Ana Gomes não ficava histérica a gritar contra o Sampaio de quem se arrependeu, amargamente, de ter votado. Imagina que o Vitorino queria ser líder do PS. Imagina tudo isto junto e depois diz-me se eu não tinha razões para estar preocupado com a tua decisão.

Hoje foste eleito Presidente da Comissão Europeia. Fica sabendo que fico muito satisfeito. Tens prestígio, inteligência, competência e honestidade suficiente para o cargo. A partir de hoje és dos políticos mais importante no Mundo. Mas imagina que isto tinha corrido mal.

Não te guardo rancor. Provavelmente porque isto até correu bem. Mas não me peças que bata palmas de pé, porque essa já não é a minha vontade. Às vezes as nossas decisões podem não ser as melhores para nós, mas são seguramente as melhores para o país. Essa capacidade de perceber o que é melhor para o país e para a democracia é o fermento que faz os grandes políticos e os grandes estadistas.

E assim acaba esta história. Correu tudo bem, mas podia ter corrido tudo muito mal. Resta-nos esperar que o novo governo seja capaz de conduzir o país e se possível, vencer as próximas eleições.

Muitas felicidades para ti e até sempre.



Verão em Tavira 2004 

Para quem estiver interessado em saber, pode ver aqui ou então ali.


Dois em um 

Quando um espectador vai assistir a um jogo do SLB, tem como bónus a possibilidade de assistir, no fim do encontro, a um espectáculo de pancadaria. É o chamado: dois em um.

Verde tinto 

O novo Ministro do Ambiente foi o mais contestado no momento da sua nomeação. Eu próprio acho estranha mas, como é óbvio, dou o benefício da dúvida.
 
Através desse grande partido da democracia portuguesa chamado “Os Verdes” fiquei a saber que afinal Luís Nobre Guedes não só não é um desconhecido na área do Ambiente como ainda é rotulado como tendo interesses vários no sector. Isto a mim surpreendeu-me por duas razões:
 
A primeira por puro desconhecimento. Se calhar o homem até conhece alguns dossiers e não é propriamente um leigo na matéria.
 
A segunda pelo ridículo da situação. “Os Verdes” são pouco mais do que um grupo de irresponsáveis políticos que vivem atrelados ao PCP, sem que se conheça o seu peso eleitoral que, previsivelmente, deve ser o mesmo do POUS da Carmelinda Pereira. Quando num dia atacam alguém por falta de conhecimento e no outro pedem a sua demissão por excesso de interesses - se tem interesses sabe com certeza do que fala - “Os Verdes” revelam a sua natureza fanática e irresponsável.
 
Custa-me dizer isto mas é verdade: quem lhes respondeu bem foi Paulo Portas. “Os Verdes” falam do que lhes interessa e de Ambiente a única perspectiva que parecem ter é a de, a esse propósito, conseguirem manter-se à superfície do plano político. Sobres os crimes ambientais que os regimes comunistas cometerem e cometem, nem uma palavra.


Para esta secção do PCP o Ambiente não é uma causa, é um argumento.

Secretários de Estado 

Custa-me dizer isto porque tenho lá alguns amigos e pessoas de quem gosto. Com alguns deles trabalhei bem perto nos tempos da JSD. Mas por uma questão de coerência devo dizer que a escolha e nomeação dos secretários de Estado foi tudo menos um processo bem organizado e repleto de surpresas, algumas delas incompreensíveis.
Se toda esta confusão tivesse sido com um governo do PS eu nem hesitaria em criticar. Como não foi, não devo deixar de escrever que as coisas podiam ter corrido de outra maneira e nalguns casos com mais desapego pelo Poder.
Espero ter a oportunidade de defender o trabalho de cada um deles, enquanto cidadão, até porque sei da grande competência política e técnica de muitos dos que agora assumem funções. Não posso é dizer que não me surpreende um conjunto de coisas que aconteceram.
 
Nota – O que aconteceu ontem em relação à nomeação da nova secretária de Estado Teresa Caeiro dava para escrever uma tese sobre aquilo que não deve acontecer na nomeação de membros do governo.


2004-07-21

Sinfonia 

Quem é o maestro desta orquestra?

Trova do vento que passa (pelo Largo do Rato) 

O PS já encontrou uma solução de futuro para o cargo de secretário-geral, para além de entrincheirar o partido no sector mais à esquerda, quase a roçar no PCP e no Bloco de Esquerda. A novidade chama-se Manuel Alegre. A partir de agora fico indeciso em relação à minha preferência. Gostava que João Soares fosse eleito, mas assim já tenho dúvidas.
 
Mesmo na noite mais triste

em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
 
Força Manel!

Bagão Félix vai demitir director geral dos Impostos (actualização) 

Parece que o ainda Director Geral das Contribuições e dos Impostos, apesar de ganhar bem, trabalha bastante. Pareceu-me teu ouvido ontem um representante dos trabalhadores das Contribuições e Imposto, dizer que este director já resolveu problemas que se estavam a arrastar há muito tempo, alguns deles longe de terem uma solução.
Se calhar o homem é mesmo bom ou então limita-se a trabalhar ao ritmo que se trabalha no sector privado que é um pouco diferente daquele que se pratica no Estado.
Ainda assim o seu vencimento é mesmo hard-core.


Carvalhas na televisão 

Carlos Carvalhas disse ontem na televisão que o povo sancionou a política de direita do governo do PSD e do PP.
Então e a política do PCP? Há quantas eleições consecutivas a política dos comunistas é sancionada pelo povo português?
 
Clandestinidade
Repararam na forma como Carvalhas falou. Sorrateiramente. Parece que ainda vive na clandestinidade.
 
Perigo de vida
Carvalhas diz que o Bloco de Esquerda não é um perigo para o PCP. Convém referir que no fundo, todos os partidos que concorrem às eleições são potencialmente perigosos para o PCP. Se assim não fosse a míngua dos votos não era o que é?
 
Sinceridade acima de tudo
Carvalhas é um homem sincero. Quando a jornalista lhe disse que não tinha dado muitas entrevistas nos últimos tempos, o líder comunista respondeu:
- Não tenho tido convites.
Depois pensou melhor no que tinha dito e começou a dar a volta ao texto.
Convém referir que os órgãos de comunicação social, hoje em dia, são empresas que necessitam de vender para sobreviver. Logo, têm que seleccionar as entrevistas que fazem e as notícias que escreve. O que não tem interesse não vende e o que não vende não é noticia. É o caso de Carvalhas.
 
Tabu I
Atenção. Há um tabu no PCP. O número de militantes. O secretário-geral disse não saber quantos eram, o que no fundo é um contra senso. Se eles são cada vez menos, é mais fácil contá-los.
 
Tabu II
Para além desta questão dos militantes, Carvalhas não disse se era de novo candidato a secretário-geral. Isto sim é um grande tabu o qual ninguém sabe como irá terminar.


2004-07-20

Bagão Félix vai demitir director geral dos Impostos 

Esta decisão de Bagão Félix é um “soco no estômago” de Manuela Ferreira Leite, dado numa altura em que a ex-ministra não tem como reagir.
O actual Ministro das Finanças fala em «remuneração excessiva», «falta de transparência no recrutamento» e por fim «falta de perfil» do recrutado.
Como se vê a coordenação política do actual governo não começou nada bem. Ministros actuais a atacarem decisões de ministro anteriores, com a agravante de terem sido colegas na mesma equipa.
Se juntarmos a isto as declarações que Paulo Portas fez na Madeira, é caso para dizer que pior era difícil.
Isto ainda acaba mal.
 
Nota: No sector privado os quadros dirigentes podem ser pagos aos preços que o patrão entende pagar. Ninguém se deve sentir incomodado com esse facto. Já no Estado, a bitola ou o tecto salarial deveria ser o vencimento do Presidente da República e ninguém poderia receber mais do que o Chefe de Estado, até por uma questão de moralização. Pelos visto não é isso que acontece. Paulo Portas tem um assessor de imprensa que ganha mais que o próprio ministro e a Direcção Geral de Contribuições e Impostos um director-geral cujo ordenado triplica o do Presidente da República. Isto não é correcto, como correcta também não é a forma como o actual ministro o vai demitir, lançando a suspeita sobre quem o contratou.


2004-07-19

Os Grizeus... 

...mudaram de cor. Melhorou e muito. Só falta mudar de clube.


PS: Lamego retira candidatura à liderança para apoiar Sócrates 

Óbvio. Estranhei não ter sido no próprio dia em que Sócrates apresentou a sua candidatura. Agora só João Soares personifica a área mais à esquerda do PS. Espero, sinceramente, que ganhe as eleições.
 
Nota – Há cada vez mais espaço para uma candidatura de Paulo Pedroso ao cargo de secretário-geral do PS. Porque será que ele não avança?


Das profundezas do Mar das Caraíbas 


(Esta foto foi tirada a 30 metros de profundidade junto a um fenómeno subaquático muito interessante chamado "Parede". Trata-se disso mesmo de uma "parede" de recife de coral que começa aos 8 metros de profundidade e prolonga-se até aos 50. O mergulhador com o fato de manga curta c´est moi)
 

(Eu de novo a 30 metros de profundidade)
 

(Um peixe balão antes de insuflar-se)
 

(Recife de coral e peixes coloridos)
 

(Mais do mesmo)


Ministério do Turismo (actualização)  

O senhor que tomou posse como Ministro do Turismo, na primeira oportunidade, faltou ao respeito aos algarvios e ao primeiro-ministro. Fez graçolas com a ideia da pasta do Turismo vir para o Algarve, alegando que a esta região costuma vir mas de férias.
É a típica piadinha bacoca de lisboetas arrogantes. O Algarve é para férias, em Lisboa trabalha-se.
Ao mesmo tempo, parodiou com uma ideia que pode ser defendida ou criticada, mas que deve ser respeitada, ainda mais por um membro do Governo.
Eu pessoalmente não vejo grandes benefícios em que o Ministério do Turismo se instale em Faro, se isso não for acompanhado de um conjunto de outras medidas necessárias ao sector, mas a razão de fundo da ideia é boa e merece pelo menos algum respeito, sobretudo de quem é detentor da pasta.


Tomada de Posse 


Esperemos que as coisas corram bem. Se assim for, perde a oposição interessada no "quanto pior, melhor" mas ganha o país. Se as coisas correrem mal, perdemos todos, oposição incluída.
Porque no fundo ninguém ganha quando as coisas correm mal a Portugal. Mas todos ganham quando as coisas correm bem.

Os grandes Homens nunca morrem 


Se fosse vivo, Francisco Sá Carneiro completaria no dia de hoje 70 anos.
 

2004-07-18

Um mal entendido 

O jogo de ontem do SLB não podia ter terminado pior. Um jovem inofensivo entrou dentro de campo com o único propósito de dar nas vistas. Não ameaçou os jogadores nem o árbitro – o adepto manifestava-se a favor do árbitro -  apenas fez uma brincadeira que à luz das regras de bom funcionamento de um estádio de futebol, está proibida.
O jogo era amigável e portanto não tinha carácter competitivo do ponto de vista oficial. Era apenas uma festa, nada mais, para testar a equipa do SLB e proporcionar aos emigrantes na Suiça a oportunidade de ver o clube jogar.
O jovem foi interceptado por três ou quatro seguranças – julgo que não eram polícias – que o imobilizaram no chão com violência e usaram de um bastão para o agredir.
Isto provocou a insurreição no público que assistia ao jogo que imediatamente invadiu o campo e tirou de esforço com os seguranças que foram agredidos, tendo mesmo um sido espancado.
A intervenção dos jogadores e da restante equipa técnica do SLB serenou os ânimos e permitiu que os ditos seguranças fossem retirados do relvado.
Como o treinador do SLB referiu, tudo não passou de uma mal entendido. Acontece que o mal entendido descambou para uma cena que envergonha toda a gente e não apenas uma parte.
Envergonha os seguranças que interceptaram o manifestante porque o fizeram de forma desproporcionada. Pareciam uns Rambos a mostrarem serviço. Faz-me lembrar por vezes a polícia que quando se trata de uma coisa pequena e sem perigo aparece com grande aparato, armados até aos dentes e com as sirenes dos carros ligadas. Quando há uma chatice de verdade daquelas que metem facas e pistolas, só aparecem quando tudo está serenado.
Envergonha o público que, por muita raiva que sentisse no momento, não pode entrar daquela maneira dentro do relvado para participar numa batalha campal. Essa acção é perigosa para toda a gente e as consequências podem ser muito delicadas. Um dos seguranças foi pontapeado pela multidão até à inconsciência. E se ele tivesse morrido? De quem era a responsabilidade. Podia ter acontecido.
Por último envergonha o SLB que sendo o menos culpado de toda a situação deveria tirar ilações dos acontecimentos. A maioria das pessoas que invadiram o relvado era adepta do clube. Assim sendo e para que hajam consequências imediatas dos maus exemplos, o SLB deveria regressar a Lisboa, o mais depressa possível, como forma de repúdio ao comportamento dos seus adeptos. Dizer apenas que se tratou de uma mal entendido, é pouco. Se por acaso a situação se tivesses descontrolado ainda mais e se houvesse perda de vidas humanas, continuava a ser um mal entendido?


E eu serei um pássaro 

João Soares confiante que será secretário-geral do PS

Ministério do Turismo 

Quando ouvi pela primeira vez a história da descentralização dos ministério e secretarias de estado, não consegui sequer entusiasmar-me pelas razões que já expus aqui.
Ao ver a formação do novo Governo e ao saber quem será o titular do novel Ministério do Turismo, conclui o quanto eram correctas as minhas reticências.
Quando se afirma o propósito de colocar a secretaria de Estado do Turismo no Algarve e depois se nomeia um lisboeta centralista que gosta muito do Algarve para vir de férias, percebi que há coisas que não são para compreender. São para ir compreendendo.
O facto de se ter criado um Ministério do Turismo até me parece positivo tendo em conta a importância desta indústria no nosso país. Tudo o resto é da mais elementar dúvida.


2004-07-17

Um ano  

Quero agradecer a todos quantos por aqui passaram durante os últimos 365 dias. Espero continuar com ânimo e disponibilidade para manter este blogue no ar com actualização permanente.
Um abraço a todos e muito obrigado pela vossa companhia.

 
Nota - Um obrigado especial ao meu conterrâneo JCD. Foi via Jaquinzinhos que chegaram mais visitantes a este blogue.

Diferente  

João Cravinho disse ontem uma coisa sobre este governo com a qual estou plenamente de acordo. Olhando apenas e só à formação da equipa governativa, esta é diferente da anterior. Ou seja, nalgumas áreas foram feitas mudanças aparentemente para melhor e noutras para pior. A análise rigorosa destas diferenças só mais tarde será possível fazer.
A isto chama-se um olhar sério e honesto sobre a formação do governo. Fazer o que outros fazem afirmando que tudo é mau, não merece sequer discussão pela falta de credibilidade do argumento.


Fernando Negrão no governo  


Finalmente fez-se justiça política em relação a este senhor. Tenho orgulho de ter pertencido a uma lista de candidatos às últimas eleições legislativas, encabeçada pelo Juiz Fernando Negrão.
Na formação inicial do governo de Durão Barroso, o ex-director da Polícia Judiciária ficou de fora. Acabou por ser nomeado para presidente do Instituto de Droga e Toxicodependência. Agora vejo-o entrar para uma pasta ministerial diferente daquela que é a sua formação, experiência profissional e vocação. Só me resta desejar-lhe a melhor sorte do mundo.
Trata-se de um homem de grande dignidade pessoal e qualidade intelectual. Garanto que assim é.


2004-07-16

Convite 


 
O nosso amigo Daniel Tecelão teve a gentileza de me enviar um convite para a tomada de posse do novo governo, o qual eu muito agradeço.
Segundo consta o Daniel vai assumir uma pasta governamental, por muito estranho que isso possa parecer. Trata-se da Secretaria de Estado dos Rabugentos.
 
Desejo-lhe desde já as maiores felicidades pessoais e políticas para o exercício de tão nobre função.
 
Força Daniel, estamos contigo.


E porque não? 

Se Paulo Pedroso era um dos dirigentes mais promissores do PS e se era dado como o delfim de Ferro Rodrigues, porque não aproveita para se candidatar a secretário-geral do PS?
 
A julgar pelas manifestações de solidariedade generalizadas no interior do partido e pela forma como foi recebido na Assembleia da República quando saiu da prisão preventiva, era de prever grande sucesso eleitoral.


Faltava dizer isto 

Ainda sobre a questão da sucessão do Governo, há uma coisa que a esquerda ainda não disse e que se o tivesse feito, tinha ganho muitos pontos no plano da credibilidade política:
 
- Nós queremos eleições antecipadas porque temos a noção clara que o pior já passou e que dentro de pouco tempo existem condições para voltar ao plano político que mais apreciamos e que, como ninguém, melhor executamos. Gastar, sem olhar a quanto, como e porquê. Para além disso as probabilidades de derrotarmos o PSD, nesta circunstância, são superiores a aquelas que teremos em 2006, findo o mandato em curso.
 
Esta é a realidade. Tal como já escrevi, se o PSD tinha noção que podia perder agora as eleições legislativas, toda a oposição a começar pelo PS sabia que em 2006, esse objectivo, é muito mais difícil. Tudo o resto é política e conveniências.
 
Não queiram ser mais pudicas que o povo não acredita.


A verdadeira oposição 

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Quem está convencido que os principais rostos da oposição ao novo governo serão os de José Sócrates, Francisco Louçã ou Carlos Carvalhas, está enganado.
Estes dois senhores aqui em cima farão mais oposição que qualquer outro político de esquerda. Até porque têm, provavelmente, mais credibilidade pública que os protagonistas da oposição.
 
Nota – Decidi colocar o nome de Sócrates porque me parece evidente que vai ganhar as eleições no PS de caras. Se isso é bom ou mau, na minha perspectiva, é coisa que ainda não consigo responder. Uma coisa parece-me evidente, a entrevista que deu ontem à noite à RTP1 não me pareceu ter sido muito fértil em novas ideias e caminhos para o PS e para Portugal. Debitar durante uma hora uma série de generalidades, não faz dele um grande líder.


A formação do Governo  

Acho, na generalidade, a equipa governativa de Pedro Santana Lopes muito positiva e até confesso, acima das minhas expectativas. Afinal existe muita gente com qualidade e mérito, disposta a participar num governo liderado pelo ex-autarca de Lisboa.
Como é óbvio, não há bela sem senão. A nomeação de Luís Nobre Guedes para Ministro do Ambiente só me consegue causar perplexidade. Se é verdade que para a pasta da Saúde não é necessário ser médico, nem para as Obras Públicas engenheiro civil, convenhamos que Nobre Guedes, ilustre advogado lisboeta, deve estar para o Ambiente como eu estou para os caminhos de ferro de Portugal.
A ver vamos como dizia o cego. Como eu tenho-me enganado várias vezes nos últimos dias, pode ser que esta seja apenas mais uma.


2004-07-15

Citações úteis 

O PS, nas últimas semanas, citou várias vezes as opiniões de José Pacheco Pereira. Deixo aqui mais uma para ver se serve.

Recordações de infância 

Vi esta semana na televisão uma reportagem que me trouxe a nostalgia da infância. Tratava-se de umas crianças palestinianas a brincar aos polícias e ladrões e aos cowboys e índios. Que saudades daquele tempo em que na rua dos meus pais havia pouco trânsito e eu brincava pelo meio dos automóveis estacionados, poucos por sinal, aos tiros que não eram mais do que fantasia.
As crianças que vi naquela reportagem fizeram-me lembrar esse tempo. Até achei curiosas as réplicas das armas que utilizavam, pareciam tão reais. No meu tempo era um ramo de uma árvore ou uma cana ou então uma pistola feita de esferovite. Isto até Outubro. Depois os meus pais levavam-me à Feira, onde adquiria novo arsenal que dava, mais ou menos, até ao Natal. Como as nossas batalhas eram muito duras, por vezes o material bélico estragava-se.
Enfim um tempo que já não volta. Sorte destas crianças palestinianas que têm brincadeiras com que se entreter.

As diferenças 

Aplaudo de pé este post no Acidental.

Limpeza 

Ao que parece o governo de esquerda do Senhor Blair vai fazer uma operação de limpeza na administração pública britânica. Trocando por miúdos, são mais de 100.000 funcionários a ir para o olho da rua.

Grizeus 

A nossa amiga Stormy criou o seu blogue. Chama-se Grizeus e é todo rosinha. Julgo que a cor, neste caso, não tem significado político. Em breve passará para as minhas recomendações, sendo certo que vou ser um fiel leitor.
Força Stormy. Manda lá esses trovões e relâmpagos.

Um drama dos grandes 

Portugal nos próximos anos vai sofrer alterações no seu clima, tal como a maior parte dos países no planeta. Ao que parece, a média de dias por ano em que as temperaturas vão estar acima dos 35º vai passar dos actuais 10, para 60 a 70. Ou seja, os Verões vão ser cada vez mais quentes e mais secos por um período muito maior. Os incêndios que acontecem agora vão ser em muito maior número e de dimensões superiores, a não ser que um dia se chegue à situação de não existir mais nada para arder.
Como se isto não bastasse, o aumento da temperatura do planeta motivado pelo efeito de estufa provocado em grande parte pela poluição produzida pelo Homem, provocará um aumento substantivo do nível do mar e consequentemente grandes problemas de erosão na orla costeira, entre outros.
Este é um problema que a minha geração ainda vai conhecer um pouco mas que as próximas irão sofrer na pele. Infelizmente vamos deixar aos nossos filhos um Mundo pior do que aquele que nos deixaram a nós. Isto sim é um drama e dos grandes.

The silly season 

Decididamente neste Verão quente de 2004, não vai haver a já tradicional silly season. Com o novo governo a dar os primeiros passos, se calhar alguns deles menos direitos, e o PS em disputa interna, haverá boas notícias durante todo o mês de Agosto.

Novo Governo  

As escolhas para a formação do novo Governo estão, até agora, acima das minhas expectativas. Ainda bem. Vamos ver qual será a solução final.

Ajudem-me a perceber 

Nos últimos dias os partidos mais à esquerda, PCP e BE, acompanhados de perto pela CGTP, pediram eleições antecipadas como única forma de ultrapassar a situação criada pela demissão de Durão Barroso e criticaram abertamente a forma como a solução de Poder foi encontrada, nomeadamente no seio do PSD. Puseram em causa a legitimidade da maioria parlamentar, da decisão do Conselho Nacional laranja e se tivesse havido Congresso, não deixariam de tecer muitas críticas a esse respeito.

Talvez não fosse mau lembrar o seguinte em relação a estes dois partidos e à respectiva central sindical.

Há quanto tempo é Carlos Carvalhas secretário-geral do PCP e qual o método usado em congresso, à porta fechada na alturas das eleições, para o eleger?

Desde que o Bloco de Esquerda foi formado, já lá vão alguns anos, quantos líderes teve esta coligação de partidos de esquerda? Foi sempre o mesmo ou tem havido regularmente eleições e disputa interna? Nesta formação partidária há quem conteste o líder ou alinham todos pelo mesmo diapasão, sempre?

O mundo sindical já conheceu melhores dias e na minha opinião ainda vai conhecer outros muito piores. No caso da CGTP há quantos anos é Carvalho da Silva o seu líder máximo?

A resposta a estas perguntas ajudava-me a perceber o que se entende por legitimidade política e já agora, renovação de lideranças e soluções de alternância de poder internas.

2004-07-13

Vitorino não vai candidatar-se à liderança do PS 

Afinal o D. Sebastião vai manter-se por Alcácer Quibir.
Segue dentro de momentos uma luta de gatos dentro de um saco.
A partir de agora tudo são segundas escolhas.

Populista com muita honra 

Anda a oposição, em peso, aos gritos. Dizem que Pedro Santana Lopes (PSL) é populista.

Dizem-no com sentido pejorativo, mas eu que não embarco em tudo o que ouço e de algumas coisas tenho sérias dúvidas, socorri-me do dicionário para ver o que significa, com rigor, a palavra populismo.

Sendo assim, o que a oposição chama a PSL e ao governo que irá formar é:

- Simpatia pelo povo; corrente literária e artística interessada na descrição dos costumes populares.

Imediatamente a seguir, no meu dicionário, vem a palavra populista que tem sido das mais ouvidas para catalogar o líder do PSD. Fiquei igualmente a saber que PSL, aos olhos da oposição, é:

- Pessoa que é amiga do povo; diz-se de certa tendência literária com características demófilas.

Como ainda não estava totalmente esclarecido, nomeadamente no que toca à palavra demófila, vim mais atrás e verifiquei que também não tem problema de maior. Demófilo é alguém que:

- É amigo do povo; democrata.

Portanto, estes são os defeitos que os partidos de esquerda encontram em PSL.
Por mim, estou esclarecido.

Nota: Para quem achar que não estou a ser rigoroso, tenho a informar que o dicionário que consultei é: Dicionário da Língua Portuguesa – 7ª edição da Porto Editora

A minha opinião 

Eu não sou, nem de perto nem de longe, aquilo a que vulgarmente se chama um santanista. A todos os congressos do PSD a que fui, com confrontos eleitorais, e onde um dos candidatos era Santana Lopes como principal figura de uma candidatura, estive sempre no lado oposto. Fui apoiante de Barroso (Coliseu de Lisboa, Coimbra e Viseu) e de Marcelo em Santa Maria da Feira em 1996, tendo deixado de o ser no congresso de Tavira em 1998, quando apresentou e defendeu a Alternativa Democrática.
Ou seja, não tenho nenhuma proximidade com o actual líder do PSD que não seja a mesma de milhares de militantes por este país fora. No entanto, ele actualmente é líder do PSD e como tal é o meu líder também. Aceito isso com naturalidade apesar de achar que esta forma que o conduziu a presidente, podendo ser a mais razoável, não foi a melhor. Os presidentes do PSD são eleitos em congresso, de preferência.
Acrescento a isto o facto de achar que Santana Lopes será, de longe, melhor primeiro-ministro que Ferro Rodrigues, coligado ou não com Francisco Louçã e/ou Carlos Carvalhas. Ou seja, esta esquerda que temos em Portugal, nem pensar.
Portanto não deixarei de apoiar o governo que vier a ser constituído com as reservas que são naturais e conhecidas, nomeadamente no que se prende ao facto de ser o resultado de uma coligação com um partido que não merece lá estar e do qual o PSD está a anos luz em diversas matérias. Mas por Portugal, passo por cima desta questão. Esquerda é que não.
Por isso de Pedro Santana Lopes espero que governe o melhor que sabe e pode e de preferência que vença as próximas eleições legislativas. Já agora, se não for pedir muito, que seja também um bom líder do PSD.
Esta é a minha posição, sem grandes detalhes, sobre a actual liderança do PSD e sobre o futuro primeiro-ministro de Portugal.

Anúncio 

António Vitorino convocou para hoje uma conferência de imprensa para dizer que é candidato ao cargo de secretário-geral do PS. Não pode haver outra explicação racional. Se assim não for, admito que alguns socialistas fiquem à beira de um ataque de nervos depois de tantos reveses. Mas creio que só pode ser isso: é candidato.
Para quem queria ser presidente da Comissão Europeia, acabar como líder da oposição em Portugal não está nada mal. Partir uma perna ou até mesmo duas, é bem pior.

Descentralização 

A descentralização do Poder não é feita à base de teorias mas sim de práticas. Por isso é mais descentralizador o Governo que descentraliza efectivamente competências para os níveis mais baixos da administração pública do que aquele que transfere serviços de um lado para o outro do país.
O facto de haver uma secretaria de Estado do Turismo no Algarve, só é um acto importante de descentralização se não se ficar apenas por isso. O mesmo se aplica aos outros casos.
Como tal, não consegui ficar muito entusiasmado com a ideia. Prefiro saber mais à frente se essa medida, que duvido que venha a ser concretizada, é acompanhada de medidas políticas no sentido da descentralização.
O lugar onde as coisas se encontram não é o mais importante se à frente dessas mesmas coisas estiverem cabeças centralistas.

Idade do Ferro 

Há quem queira fazer passar a ideia que Ferro Rodrigues se demitiu apenas em consequência da decisão de Sampaio. Parece-me uma ideia erra ou pelo menos pouco rigorosa. Basta olhar para dentro do PS até ao fim de semana passado e perceber que Ferro Rodrigues era cada vez um homem mais só.
Se Ferro saiu, no PS bem se podem encontrar os que motivaram essa saída.
Veja-se agora a onda de unanimidade que varre o partido com a eventual candidatura de Vitorino.
Nos socialistas a “Idade do Ferro” foi um drama que só teve um momento alto, mais por efeito da coligação que governa o país do que propriamente pela sua acção de dirigente máximo.

Unanimidades 

O timing do PS neste momento, não sei se é igual ao do comissário Vitorino. Talvez as coisas se tenham precipitado de tal maneira que ponham de fora o ex-ministro da Defesa de Guterres. Uma coisa parece-me certa: a julgar pelas últimas declarações, António Vitorino colhe unanimidade ao ponto de fazer desistir os candidatos que já mostraram disponibilidade para concorrer ao cargo de secretário-geral.
Se isso acontecer e se houver de facto unanimidade em relação à moção de Vitorino, só quero ver o que se dirá sobre o assunto. Talvez a unanimidade de Vitorino seja um pouco diferente daquela que Barroso teve no último congresso.

2004-07-11

Novos dados 

O candidato da esquerda nas próximas presidenciais é o Professor Diogo Freitas do Amaral.
PS, PCP (na segunda volta depois de ter apresentado um qualquer sindicalista na primeira) e Bloco de Esquerda serão o suporte da candidatura.

Não se riam. Isto pode acontecer.

Tudo isto existe... 

Esta é a prova que até os maiores intelectuais do nosso país estão sujeitos a afirmar as maiores barbaridades.
Só falta o Professor Boaventura Sousa Santos acusar Jorge Sampaio de homicídio por negligência.
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é a esquerda que temos em Portugal.

Imaginem 

Ontem à noite numa conversa de esplanada de café, alguém dizia qualquer coisa como isto:

- O Santana Lopes? Esse gajo quer é gajas. Já teve tantas mulheres na vida que ele próprio já deve ter perdido a conta. É isto que queremos para primeiro-ministro?

Não interferi na conversa, como é evidente, mas comentei para as pessoas que estavam comigo:

- Imaginem se ele estivesse implicado no caso Casa Pia…

2004-07-10

Verdes de raiva 

Tal como escrevi aqui em baixo, estão a ser convocadas manifestações de protesto contra a decisão do PR. O Barnabé já as anunciou.
Isto é de morrer a rir.
Jorge Sampaio era, até à noite de ontem, um presidente BESTIAL. Aos olhos da esquerda passou a ser uma BESTA.
Nunca isto esteve tão bom. A esquerda entretida em manifestações e a direita a preparar-se para continuar a governar na segunda parte do mandato.
Uns falam. Os outros trabalham.

Manif, Já. 

Presumo que nos próximos dias o Bloco de Esquerda e o PCP vão convocar novas manifestações em frente ao Palácio de Belém. A diferença entre estas e as da semana passada é o alvo a atingir: deixa de ser Santana e passa a ser Sampaio.
Parece que já estou a ver os slogans:
“Está na hora, está na hora do Sampaio ir embora”
ou
“Abaixo a reacção. Sampaio deixa-nos da mão”
ou
“Queremos o Dom Duarte de Bragança, JÁ!”
ou ainda
“Sampaio em Belém, é coisa que não convém”

Vai ser o máximo.

Titanic 

Terá havido alguma relação entre a noite que a esquerda viveu ontem e o filme que a RTP1 transmitiu?

A cereja em cima do bolo. 

A manutenção das políticas sectoriais que a oposição tanto contesta neste Governo foi sublinhada pelo PR como caução para a não convocação de eleições antecipadas.
Vejamos o que isto significa:
A esquerda, até à noite de ontem, tinha dos vários discursos do PR uma ideia de farol que os partidos da oposição usavam para atacar o governo. Cada vez que Sampaio abria a boca para falar da governação do país e da linha de rumo seguida, a oposição enchia o peito para gritar, alto e bom som, que se tratavam de intervenções muito críticas às quais o Governo devia prestar atenção. O que Sampaio disse ontem foi precisamente o contrário da interpretação que a esquerda dá ou dava, aos seus discursos. As políticas ao nível da Europa, da política externa, da Justiça, da Defesa e da consolidação das contas públicas são para continuar. Calculo que os profetas da desgraça do PS ao BE, passando pelo PCP, devem ter caído para o lado quando ouviram semelhante coisa.
O que o PR quis dizer foi que, perante a situação que vivemos em Portugal, a solução é manter políticas de rigor e austeridade. E se o PR o diz, quem sou eu para o contrariar?
Que noite difícil para a esquerda...

O mais e o menos 

Na declaração de Ferro Rodrigues o que gostei mais foi a referência que fez ao PR pelo facto de ter sido eleito pelas forças de esquerda e ter tomado uma decisão contra as mesmas. Esqueceu-se que Sampaio é o Presidente de todos os portugueses e não apenas dos que nele votaram. Estavam convencidos que o PR não os deixaria – os partidos de esquerda – ficar mal. Enganaram-se.
Na mesma declaração o que gostei menos foi da sua demissão. Não me surpreendeu demasiado. Ferro Rodrigues era dentro do PS um general sem tropas. Tarde ou cedo isto podia acontecer, conforme aconteceu. A possibilidade do PR convocar eleições antecipadas era o balão de oxigénio de Ferro, que por acaso não se chegou a encher.
No entanto o demissionário secretário-geral socialista tem um motivo para estar satisfeito. Tanto reclamou, nos últimos dias, pela estabilidade governativa que acabou por tê-la, oferecida de bandeja pelo seu amigo pessoal Jorge Sampaio.
Quem é amigo? Quem é?

Olha que dois 

Mário Soares e Freitas do Amaral devem ter passado uma noite horrível. Imagino a azia que se deve ter apoderado dos dois. Depois de tanto esforço, tanto artigo de opinião, tantos nomes que chamaram a Durão Barroso e a Santana Lopes, o mínimo que esperavam era a dissolução do Parlamento.
Consta que Louçã já disponibilizou uma ficha de militante do Bloco de Esquerda para o fundador do CDS, sendo certo que Soares deverá manter-se onde está, isto enquanto o seu filho não é categoricamente derrotado na disputa interna dos socialistas.

Era, deixou de ser, voltou a ser. 

João Soares é um tipo de político muito versátil. A seguir às eleições europeias, reafirmou a sua disponibilidade para se candidatar a secretário-geral do PS. Depois, quando começou este processo de substituição do Primeiro-Ministro, deixou de o ser e afirmou estar convicto da vitória do PS de Ferro Rodrigues nas eleições que o PR ia antecipar. Como o cenário não se concretizou e o líder do PS se demitiu, Soares voltou à carga.
Naturalmente que este senhor não tem o mínimo de hipótese de ganhar o congresso do PS. Felizmente para o PS.

SMS 

Ontem à noite, alguém me enviou uma mensagem de tristeza e apreensão pelo facto de Ferro Rodrigues ter-se demitido. O mais curioso é que o emissor da dita mensagem não é militante do PS, muito pelo contrário...

Lágrimas de tanto rir. 

De tudo o que ouvi ontem à noite, o que gostei mais foi das declarações de Ana Gomes do PS.
Começou por se arrepender de ter votado em Jorge Sampaio. Depois disse uma montanha de disparates em relação à decisão do PR. De seguida tornou público mensagens particulares de SMS, provocatórias para o PR mas tão queridas ao PSD. Por fim questionou se Portugal vive em democracia.
A resposta é simples: claro que vivemos em democracia. Se assim não fosse Ana Gomes nem tinha tido oportunidade de divertir o país ontem à noite.
Vá lá que está de partida para Bruxelas. Imaginem o descanso que não é para o PS ter esta senhora lá longe. Se isso não for suficiente, o próximo secretário-geral do PS pode embalá-la e mandá-la de volta para a Indonésia.
No entanto no fim da sua intervenção fiquei mais calmo. Ana Gomes garantiu que está disposta a defender a democracia dos bandidos que a querem destruir. Valha-nos isso.

Fantástica. 

Que noite fantástica a de ontem. Depois de um estado de euforia generalizada nos partidos de esquerda, veio a consternação, o choque, o desagrado, a revolta e até uma demissão. Que pena não ter havido mais duas.
Aquela alegria que viveram durante cerca de três semanas, transformou-se subitamente em tristeza e pesadelo.
O que mais estranha em toda esta circunstância é o facto do Presidente da República apenas ter feito uma leitura clara do que está escrito na Constituição, actuando com normalidade no uso dos poderes que lhe estão conferidos.
Qual é o drama?

2004-07-09

Espera sentado para não te cansares. 

O Louçã já estava a fazer contas de cabeça. Queria ir para o governo a reboque do PS.
O PR tramou-o.
Bem feito.

Demissão 

O Ferro foi à vida.
Porque não fazem o mesmo o Carvalhas e o Louçã?

Reconheço 

que me enganei.
O PR foi capaz de tomar a decisão acertada.
Bem-haja.

Comunicação ao país 

Jorge Sampaio, em breve, dirá algo semelhante a isto:

Portuguesas e portugueses:
Depois de muita reflexão e análise com a ajuda preciosa da minha querida esposa.
Depois de ouvir o gato, o cão, o periquito, o pardal que pousa todos os dias no beiral do Palácio de Belém, a vizinha do rés do chão, o senhor Silva da mercearia, o polícia que está à porta do meu prédio, o cigano romeno que limpa os vidros aos carros que param nos semáforos na minha rua, a Deolinda das hortaliças, o Serafim do peixe, o António do talho, a Lurdes do quiosque dos jornais e a ucraniana Tatiana que limpa as escadas do prédio.
Por fim, depois de saber que o meu amigo Ferro Rodrigues se não tiver eleições legislativas em breve, arrisca-se a ser derrotado no próximo congresso do PS.
Decidi convocar eleições antecipadas.
Esta não foi uma decisão fácil. Foi mesmo a mais difícil desde que sou Presidente da República. Mas tinha que ser. E o que tem que ser, tem muita força.
Agora amanhem-se os partidos com o eleitorado que eu estou a dois anos de terminar o mandato e preciso de sossego para começar a escrever as minhas memórias.

2004-07-07

Qual o caminho? 

Esta questão dá para reflectirmos sobre o tema da produtividade das empresas.
Onde as leis laborais são mais flexíveis, tais como EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Nova Zelândia, a Irlanda e a Austrália, os níveis de desenvolvimento económico são os que toda a gente conhece.
A que grupo queremos nós pertencer?
Qual o caminho?

Quim no SLB 

Expliquem-me por favor a que propósito o SLB foi contratar o guarda-redes Quim?
Se existe um sector no plantel do SLB perfeitamente estabilizado, esse sector é o guarda-redes. O José Moreira já não é uma promessa do futebol português. É uma certeza. Não entendo. Sinceramente.

As razões 

A razão pela qual o PS não quis continuar a governar em 2002 não se prende com nenhuma vontade legítima de entregar a decisão ao povo, ao contrário do que é dito agora, depois da derrota que teve nas autárquicas. O PS sabia que estes dois anos que passaram seria de grande dificuldade e que iriam agonizar ainda mais o estado em que se encontrava a sua governação. Criou o problema e a seguir pôs-se de fora.
Ao fim destes dois anos o PS reclama eleições por duas razões: a primeira porque sabe que o pior já passou, independentemente da forma como este governo governou. A segunda porque tem mais hipóteses de vencer agora as eleições do que em Março de 2006.
O resto da oposição quer eleições por razão diferentes. O PCP quanto mais tarde tiver eleições, pior. O seu eleitorado diminui a olhos vistos a cada eleição que passa. A míngua eleitoral dos comunistas é irreversível. O Bloco de Esquerda está igualmente interessado porque aposta na impossibilidade do PS conseguir uma maioria absoluta e com isso ir a reboque para o governo.
Entretanto Ferro Rodrigues disse uma coisa muito interessante na saída da audiência com Jorge Sampaio: - Somos pela estabilidade governativa.
A sério? Ninguém o diria…

Palpite 

O meu palpite em relação à decisão do PR é a seguinte:
- Vai convocar eleições abrindo um precedente para o futuro, ao contrário daquilo que fez em 2002. Neste Governo o PR não tem amigos…

2004-07-06

Desafio 

Apagar um comentário repleto de ofensas gratuitas não é censura. Apagar uma ideia contrária à nossa mas escrita com elevação e sentido crítico, isso sim é censura.
Às pessoas que normalmente comentam os meus posts com sentido crítico e elevação, que apareça a primeira a dizer que eu apaguei alguma vez um comentário seu.
O Daniel, o Ramos e a Stormy, só para citar alguns, que escrevem regularmente comentários, na maioria das vezes, em sentido diferente, que deixem aqui o seu testemunho se estou a ser verdadeiro ou não.

P.S.- Se a pessoa que escreveu nos últimos dias tanta coisa em relação a mim é tão corajosa como afirma nos comentários que deixa, e se até é de Tavira, porque não repete os mesmos argumentos num artigo de opinião num jornal regional ou então num lugar com mais gente a ouvir? Isso sim seria muito interessante e eu teria muito gosto em ler ou ouvir.

Vinha a calhar, não vinha? 

Contra a vontade de muito boa gente, o EURO 2004 foi também um grande êxito ao nível da organização e à cabeça dessa mesma organização esteve o Governo de Portugal.
Faltou-nos a vitória desportiva, mas tivemos a do bem receber, a da diplomacia, a da simpatia, a da segurança, a do fair-play e assim a missão foi cumprida.
Não faltariam cabeças a desejar uma chatice qualquer para relacionar o facto com a Cimeira das Lages e o apoio aos americanos na intervenção militar no Iraque.
Numa altura em que os “canhões” estão apontadas a quem governa o país, um problema grande e a desorientação total ao nível do EURO 2004, vinha mesmo a calhar.

2004-07-05

Dissolução 

Já aqui referi as razões objectivas mas não enunciadas, pelas quais os partidos do governo e os da oposição querem, ou não, eleições antecipadas.
No entanto há uma questão incontornável na decisão que o Presidente da República irá tomar nos próximos dias.
As eleições legislativas são personificadas no candidato que o partido vencedor irá apresentar ao Presidente da República para primeiro-ministro porque o tempo e as sucessivas eleições assim o determinaram. Porém, o que está escrito na lei é outra coisa bem diferente.
Os eleitores votam em listas partidárias por círculo eleitoral. Os do Algarve votam nas listas que são apresentadas pelos respectivos partidos nesta região, apenas e só. A não ser os eleitores de Lisboa, mais ninguém teve a oportunidade de votar no candidato José Manuel Durão Barroso.
Sendo assim, independentemente da saída do primeiro-ministro, continua a verificar-se uma maioria na Assembleia da República em condições de apoiar o governo que venha a tomar posse e o respectivo primeiro-ministro. Só por esta razão, na minha opinião, não faz sentido convocar eleições antecipadas, mas se isso acontecer: vamos a elas.
Se o PR decidir-se pela dissolução da AR não sei se não será um caso inédito em que um órgão com condições para funcionar é dissolvido.

Sabe-a toda. 

António Vitorino parece ter deixado no ar a eventualidade de concorrer ao cargo de secretário-geral do PS. Por aqui se percebe a razão pela qual Ferro Rodrigues quer eleições antecipadas o mais depressa possível e Congresso pós-eleitoral.
Nestas condições também eu queria.

Por esta eu não esperava 

Li ontem no Público que Francisco Louçã já está a fazer contas de cabeça para uma eventual coligação pós-eleitoral com o PS, num cenário de eleições antecipadas.
Mas então não era o Bloco de Esquerda que vivia gritando que os portugueses não tinham votado na actual coligação governamental e que a mesma tinha sido negociada depois das eleições sem que os eleitores tivessem tido a oportunidade de a julgar?
Já agora, estará o PS interessado em ter Louçã como Ministro dos Negócios Estrangeiros, Finanças ou outra pasta qualquer, caso vença as eleições – se as houver?
Afinal o BE está para o PS como o PP está para o PSD. Resta saber se o PS cairá no erro que caiu o PSD de formar governo com um partido ultra-minoritário e com laivos de radicalismo populista.

IP 

O IP 213.22.166.135 à hora em que foi registado, corresponde a uma determinada pessoa.
Será muito difícil descobrir de quem se trata?

Bebidas alcoólicas ou apenas fruta estragada 

Ter um blogue perfeitamente identificado tem várias desvantagens. Das duas uma: ou é um daqueles que ninguém lê e só o próprio autor comenta os próprios posts, ou então está sujeito ao insulto e à difamação por parte daqueles que têm uma ideia de democracia que não corresponde à da maioria das pessoas.

Essa coisa que aparece por aqui (Caipirinha) é, provavelmente, um doente mental cuja enfermidade teve pioras em Dezembro de 1997, em Dezembro de 2001 e em Março de 2002. Pensei que tivesse havido melhoras agora no passado dia 13 de Junho, mas pelos vistos isso não aconteceu.

Garanto-vos uma coisa, aquilo que ele faz no meu blogue, eu não faço no dele até porque não o leio. Não lhe passo cartão. Nem me lembro que ele existe. Mas o post Requiem, pelos vistos e sem que eu perceba o porquê, tocou-lhe fundo na ferida.

Como a blogosfera já não é o espaço saudável que era quando começou, sobretudo porque existe gente que não se sabe comportar, talvez o Almariado esteja perto do fim. Talvez.

Eu sou uma pessoa feliz, com uma família excelente, uma esposa espectacular, uma filha linda que ainda ontem fez 2 anos, tenho outros sítios onde intervir, não preciso de estar sujeito à demência e à miséria intelectual deste tipo de gente. Talvez a tal bebida brasileira que se calhar não é bebida, é fruta tropical, não possa dizer o mesmo. Talvez tenha tido alguma má experiência na vida que o tenha deixado assim tão amargo. Ter harmonia familiar é algo muito saudável, a todos os títulos.

O normal neste blogue é haver comentários diversos de opiniões contrárias sem recorrer ao insulto. O que está a acontecer nos últimos dias é a excepção que confirma a regra.

Paciência 

Apesar de tudo, a selecção portuguesa está de parabéns. O que fizeram já foi muito bom. Se tivessem ganho tinha sido muito melhor. Mas a vida é mesmo assim.
Fica-nos a amargura do título ter sido conquistado por uma selecção que estava ao nosso alcance.

2004-07-02

:( 

Ouço pelas ruas da cidade de Tavira comentários ao que se passou nos últimos dois dias que são autênticas pérolas à demagogia, ao populismo, à mentira e à dor de cotovelo.
Quem nunca respeitou o povo ao longo de vinte e tal anos tratando-o como se ele fosse burro, não perde por esperar. É já para o ano que vem.

Rir é o melhor remédio 

Tenho muita pena em ver o estado em que estão alguns comentários por aqui. Mas isso não me fará parar. Há pessoas que me conhecem pessoalmente e não têm coragem para dizer na minha cara o que escrevem aqui. Nunca pensei incomodar tanta gente. Nunca pensei que o sucesso deste blogue fizesse tanta inveja. Quase a cumprir um ano e perto dos 15.000 visitantes só me resta rir de tudo isto.
Aos Joãozinhos e Caipirinhas deste mundo só me resta agradecer o facto de tornarem este blogue num dos mais lidos na região.

Os múltiplos 

Um dos argumentos mais ouvidos na nomeação de Durão Barroso é o “menor múltiplo comum”.

Relembrando a situação que se viveu no interior do PS nos dias a seguir às eleições europeias, é caso para perguntar que tipo de múltiplo era Ferro Rodrigues? O maior, o menor, o mais ou menos, o nem por isso ou o assim-assim?

Mudou tudo 

Durão Barroso teve um mérito em toda esta questão da sua nomeação para presidente da Comissão Europeia. Conseguiu que toda a esquerda tivesse, subitamente, mudado de opinião em relação ao mesmo assunto em muito pouco tempo. Isto não tinha novidade de maior se a coerência não fosse um monopólio dos partidos e dos políticos de esquerda.

Enquanto o nome em cima da mesa – de Durão Barroso apenas e só – era António Vitorino, reclamava-se sentido patriótico. Estava em causa a ocupação de um lugar de grande prestígio que honrava o país e a política nacional.

Assim que o nome mudou, tudo o resto também mudou.

Certezas 

Obviamente que a razão pela qual o PSD não quer ir a votos já, é a certeza de um mau resultado.
Obviamente que a razão pela qual a oposição não quer ir a votos em 2006, é a certeza de um mau resultado.

A final 

O EURO 2004 vai acabar como começou, apenas com uma diferença: desta vez os gregos não nos escapam.

A César o que é de César 

Aos bombeiros que combateram o fogo no concelho de Tavira, as minhas homenagens.
Aos que se aproveitaram da desgraça dos outros, a minha vergonha.

Mais calmo 

Tavira amanheceu mais calma. Na serra o fogo foi circunscrito apesar de ontem ter lavrado com grande intensidade.
Os abutres regressaram ao ninho.

2004-07-01

Requiem 

Pobres aqueles que usam a desgraça alheia para fazer política partidária.
Desgraça de vida de quem já não risca nada e vive insultando quem trabalha.
Triste figura a dos abutres que sobrevoam à presa cobardemente.
Venham mais desgraças e catástrofes para que tenham a visibilidade pública que de outra forma já não a têm.
A velhice não traz serenidade a todos. A alguns traz o ódio, a demência, a miséria intelectual e a falta de força…

Incêndio em Tavira (actualização) 

Fogo em Tavira em grande parte controlado

Incêndio de Tavira já está controlado

Fogo alastra a Vila Real de Santo António

Mais de 200 bombeiros combatem chamas em Tavira

Presidente de Tavira preocupado com frentes activas

Triste 

A mais triste fotografia de todas…

A verdade é como o azeite 

Como disse atrás, tenho mandado algumas "bocas", piadas, tenho discutido politica e feito comentários de acordo com a minha ideologia politica, assim como aceito outras ideologias. Mas há gente que só aparece aqui para criticar erros de português ou de acentuação nas palavras ou para insultar quam aqui escreve de uma forma mais séria. Por vezes estas pessoas levam-me a perder a paciência e a descer a um nível mais baixo.
Tenho pena do amigo FV ter cortado relações comigo, pois quando discutiamos as nosas ideias, tinhamos debates sérios, inteligentes e com nível, um dia excedi-me e acusei-o de ser de extrema direita. Daí para cá, salvo raras excepções, tem-me sido dificil encontrar alguém com nível para debater politica. É pena.

Ramos

Nota:
Podem, política e pessoalmente, acusar-me de muita coisa, menos de ser de extrema-direita. Quem me conhece pessoalmente e quem acompanha este blogue desde o seu início sabe que não sou de extremos e muito menos de direita. Tenho até uma opinião favorável em relação a temas que são defendidos habitualmente pelos partidos de esquerda. A interrupção voluntária da gravidez é um desses temas mas há outros onde tenho uma posição que não é semelhante à do partido em que estou inscrito.
Para além disso não sou racista nem xenófobo e abomino movimentos extremistas tipo skin heads ou neo-nazis e coloco-os dentro do mesmo saco dos de extrema-esquerda tipo luta armada, terrorismo político, anarquias e por aí fora. Como tal, ofende-me quem me chama de extrema-direita e só o faz por ausência de outro argumento válido para contrariar a minha posição.
Também eu tinha muito gosto, até certa altura, em debater com o Sr. Ramos. O mesmo não o posso dizer nesta altura, infelizmente.
Quanto ao tipo de comentários que têm sido colocados neste blogue, só me resta lamentar. Mas como já o disse no passado, vou fazer os possíveis para não censurar nenhum, mesmo os que apenas contêm ataques pessoais e baixaria.
Espero que as coisas mudem um pouco quando a própria situação do país estiver mais calma.

Não dá para festejar 

Não consigo festejar a vitória da selecção com o entusiasmo que ela merece.
Em Tavira o fogo arde desde ontem de manhã.
A coluna de fumo estende-se pelo céu acima ao sabor do muito vento que se fazia sentir ontem e que hoje, apesar de um pouco mais calmo, ainda persiste.
No combate estão bombeiros de várias proveniências mas mesmo assim parecem não ser suficientes para fazer face à desgraça.
Da janela da minha casa que tem vistas para a serra de Tavira era e é, possível ver as labaredas. À distância a que se encontra destas, dá para perceber que têm alguns metros de altura.
Ou seja, vivem-se momentos de grande tensão e incerteza nesta terra onde muitos bombeiros e residentes das zonas a arder não tiveram a oportunidade de ver o jogo de ontem e muito menos de festejar a nossa vitória.
Esperemos que nas próximas horas as muitas corporações de bombeiros de vários pontos do país que estão a intervir no local, consigam debelar as chamas.

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