2003-10-31

Contra luz 


Para um amigo de peso 

Na política tenho encontrado coisas boas e más. Das más não reza a história. Das boas, destaco os muitos amigos por esse Algarve fora.
O Nuno, que é talvez o meu amigo mais pesado, está, naturalmente, na minha galeria de bons companheiros e o testemunho que deixou no seu Quadrante é a prova disso mesmo. São atitudes voluntárias e genuínas, as quais não posso deixar de agradecer.
Eu sei que ele sabe que se tivesse sido ao contrário, eu também estaria do seu lado a dar-lhe força.
Eu sei que ele sabe que o facto de ter descrito o problema da Rita no Almariado, foi uma forma de dizer aos meus amigos que mesmo nos momentos difíceis da vida, temos de manter a lucidez necessária para aguentar os problemas mais complicados.
Já agora uma nota pessoal:
- Nuno, está proibido de ficar tanto tempo sem colocar novos textos no Quadrante. É que eu vou lá todos os dias e encontro muitas vezes a mesma coisa e, como sabes, não prescindo de saber o que pensas sobre a vida, a política e este lindo país no qual temos a sorte de viver.
Um abraço.

Nota 20 

O JPH do Glória Fácil faz referência a um serviço telefónico disponibilizado pelo Ministério da Saúde o qual eu próprio já recorri e posso testemunhar a sua qualidade. Tal como o JPH, eu também cheguei uma vez à urgência pediátrica do Hospital de Faro, com a minha filha nos braços, na qual fui recebido de imediato e vi o tal fax enviado pelo serviço telefónico.
Da mesma maneira, já me aconteceu não ir ao hospital por recomendação da enfermeira que se encontrava do outro lado da linha. Simplesmente não se justificava. Mas há mais. Horas depois do meu telefonema, foram eles a ligar para perguntar pela minha filha. Se estava bem, se tinha comido, se tinha dormido, se se queixava de alguma coisa, se apresentava sinais de febre, por aí fora.
É verdade que fazem muitas perguntas. Algumas delas repetitivas, mas não há dúvida que constituem uma forte ajuda para os pais quando confrontados com sintomas de doença ou acidentes domésticos dos miúdos.
Em termos de simpatia, atenção, cuidado e competência, são nota 20.

Sondagens, valem o que valem 

Se isto é verdade nesta altura...meu Deus.

Socialismo em democracia e liberdade 

Sei que não é bom conselho de leitura, mas dá para ter uma ideia daquilo que o PS também é apesar de o negar.

Amenésia 

Será que o PS também é paciente do Dr. Rui Frade? Parece que sim. Leiam isto.

Prémio “Tou-me cagando…” 2 

Um esclarecimento prévio sobre o Prémio em causa.
Apesar de esta frase, supostamente, ter sido dita com um sentimento de quem se está nas tintas para uma coisa qualquer em concreto, ou seja como alguém que desdenha e subestima algo, aqui no Almariado a atribuição do Prémio será sempre para situações que me envergonham e contra as quais me manifesto.
A adopção do nome prende-se essencialmente com o contexto em que ela foi dita e que identifica uma postura civicamente, pouco saudável.
Assim sendo, o Prémio “Tou-me cagando…” desta semana vai para:

Os falsos psiquiatras, supostamente, pagos pela maçonaria que mentem à justiça sem qualquer pudor, alinhando numa lógica de tentativa de absolvição de um arguido, que durante uma vida o que fez de mais significativo foi violar crianças e alimentar uma rede de prostituição infantil para amigos poderosos.

2003-10-30

Asul 

Recomendo, vivamente, a frequência do Asul. Tem esse pequeno defeito de ser do FCP, mas como toda a gente sabe ninguém é perfeito. É filhe d`Olhão, o que já é muito bom.

Guardando o Soarismo 


Votei sem saber 

Conforme o jornal Barlavento escreveu, hoje, eu fui um dos "patos" que votou favoravelmente a moção do Deputado Patinha Antão sem conhecer o seu conteúdo, fazendo fé que ela exprimia, com rigor absoluto, a intervenção que tinha feito no momento em que a apresentou.
Quem me manda a mim não ser desconfiado...

Pastéis de nata 

Assisti a uma cena num café da baixa de Tavira que é digna de aqui ser contada, pelo facto de a achar muito estranha e até cómica.
Um senhor chega ao balcão e pergunta se os pastéis de nata são do dia.
A empregada responde que sim, são fresquinhos.
O senhor responde que nesse caso não quer.
A empregada fica a olhar sem perceber.
O senhor volta à carga e pergunta se não tem pastéis de nata da véspera.
A empregada responde que não, sem ter reparado que afinal tinha.
Uma outra colega que estava perto mete-se na conversa e aponta para uma bandeja com três pastéis de nata do dia anterior.
O senhor, mais satisfeito, pede um.
Come-o quase de penalty.
Afirma que estão mesmo como ele gosta e pede os outros dois.
Ficou ainda mais satisfeito.
As empregadas do café olhavam para ele com cara de espanto.
Ele olhou para elas e disse que só gosta de pastéis de nata se não forem do próprio dia.
Ainda há clientes muito exigentes…por muito estranha que pareça a sua exigência.

As verdades absolutas 

Vitor Oliveira, treinador da Briosa, disse ontem que o Benfica só tinha ganho jogo devido a lances de bola parada. Convinham que alguém lhe explicasse que esses lances também fazem parte do futebol e sabê-los executar é um dom que não está ao alcance de todos.
Disse igualmente que «se tivéssemos Nuno Gomes, Roger ou Simão, o resultado seria diferente, tendo em conta as oportunidades que criámos nesse período». Tem toda a razão. O Benfica se tivesse o Ronaldo, o Figo, o Zidane, o Raul, o Beckahm e o Roberto Carlos, também estaria muito melhor.

2003-10-29

Ordem na casa 

Depois disto será que alguém se importa de pôr ordem na casa.

Falta de sentido de Estado 

Espero que o primeiro-ministro chegue depressa da sua visita oficial a Angola e ponha na ordem a bagunça que se instalou no governo a propósito da transferência de competências do Instituto da Conservação da Natureza para o Ministério da Agricultura.
Haver dentro do mesmo governo, um ministro a afirmar que um colega seu está a mover-lhe uma OPA hostil é de uma gravidade confrangedora. Parecem putos à bulha uns com os outros.

Recomendação 

É de ler.

Guardando a Vindima 


Haja decência 

Dando como boas as notícias desta manhã, folgo em saber que o médico que “diagnosticou” a amnésia de Bibi é incompetente para o fazer.
Folgo igualmente em saber que na Ordem dos Médicos correm dois processos disciplinares contra si o que revelam o nível do mesmo.
Não folgo em saber o que pensa o advogado de Bibi em relação à Casa Pia. Ao contrário do que disse ontem à noite, não é a Casa Pia que tem culpa dos abusos sexuais a que as crianças foram sujeitas, mas sim os sucessivos provedores que por lá passaram e nada fizeram no sentido de o evitar. As instituições são compostas por pessoas. Pelo facto de as pessoas não serem boas, não significa que a instituição seja má. Ao contrário do que fez crer as vitimas são as crianças e não o seu cliente. E acho mesmo um infinito desplante a forma como afirmou que Carlos Silvino de facto violava as crianças, disse-o ontem na SIC, para depois defender o seu estado de deficiência mental. Por acaso nenhuma das crianças era familiar do advogado alentejano, se o fosse talvez não falasse assim.
Haja decência.

2003-10-28

Citações 

O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nehum venerado.
Einstein, Albert

Para os ouvidos 

Nos ouvidos só deve entrar o que é realmente bom. Contrafacção, não obrigado e muito menos produtos Made in Indonésia ou China ou outra coisa qualquer onde se exploram homens, mulheres e crianças de uma forma um pouco mais bárbara do que no Norte de Portugal.
Para começo de noite, que em boa verdade já começou há umas horas, sugiro duas pérolas do Jazz, pelo menos para o je:
Branford Marsalis Quartet e Miles Davis Quintet, por esta ordem.
Não sei se perceberam o trocadilho? quartet e depois quintet. Perceberam? O meu humor já conheceu melhores dias. Peço desculpas aos leitores que encalharam com este post. Mas já agora sigam o meu conselho musical desta noite. Não se vão arrepender.

Repararam? 

Alguém viu ontem o José Mourinho a fazer o gesto de cortar o pescoço a outra pessoa, enquanto nos seus lábios se lia uma série de palavrões? A quem quer Mourinho cortar o pescoço? Não poderá este gesto configurar uma ameaça física a terceiros? Estará o treinador do FCP interessado em ser conhecido como "Mourinho o Degolador"?

Eu não acredito 

Isto não augura nada de bom.
Começo a ficar com a sensação que o processo Casa Pia será uma réplica do das FP-25.
Será possível que este tipo de expedientes, repetidamente utilizados, podem abalar o processo ao ponto de um arguido sobre o qual recaem tantas provas e tantos factos acusatórios, ser considerado inimputável?
Será que alguém pode comove-se com esta “amnésia”, cujo resultado é o esquecimento sobre factos ocorridos recentemente (2 anos) ou seja o período em que muitas crianças foram sexualmente abusadas?
Eu não acredito nesta amnésia, por mais incompetente que seja para avaliá-la.

Histórias da Praxe 

As pessoas que têm a infeliz ideia de chamar praxe académica a exercícios de tortura, humilhação e dor, não sabem nem jamais virão a saber o que a mesma significa. Até à data, ainda não percebi porque não se começam a punir judicialmente estes verdadeiros atropelos à condição humana de forma exemplar, tal como também não percebo a atitude passiva dos reitores. Devem estar à espera que alguém um dia morra, para agir.
Nalguns casos, quem praxa fá-lo a coberto de uma falsa autoridade própria do momento. Se assim não fosse jamais o faria. Ou seja, há meninos que não têm sequer cara para levar um estalo mas que a coberto da praxe, infringem maus-tratos e humilhações aos colegas.
Façam como eu. A primeira relação que tive com esse tipo de situações aconteceu o seguinte: Um tipo, quase esquelético, daqueles que não comem para não cagar, agarrou-me pelo braço para me praxar. Fui obrigado a correr com uma colega às costas até à exaustão. Quando parei, caí no chão. Ele ainda veio ao pé de mim aos gritos para eu me levantar e começou a insultar-me. Um outro colega afastou-o de mim e ajudou-me a levantar.
Passada uma semana, à porta de um super-mercado, encontrei-me de caras com o meu “carrasco”. Agarrei-o pelo pescoço e enfiei-lhe um estalo no focinho. Ficou sem perceber o que se tinha passado e eu também não perdi tempo a explicar-lhe. Desde esse dia nunca mais me incomodou, nem sequer ousou retaliar.
Um amigo meu teve uma história melhor. Foi praxado severamente por um tipo auto-intitulado “veterano”. No dia a seguir, à porta da universidade, deu-lhe tanta porrada que o dito “veterano” teve que ser hospitalizado com um braço partido e várias escoriações na cara. Ninguém mais se meteu com ele. Há histórias que terminam assim.

Era suposto 

Era de supor que as grandes organizações mundiais tivessem líderes carismáticos, fortes, com obra feita no seu país de origem, ganhadores e persistentes na sua vontade.
Era também de supor que esses líderes jamais tivessem ficado a meio dos mandatos para os quais foram eleitos, nem sequer tivessem alguma vez fugido às suas responsabilidades políticas.
Era igualmente de supor que esses líderes não tivessem fragilizado a economia do seu país, nem desbaratado recursos, nem tão pouco falido as finanças públicas nacionais.
Mas o suposto é uma coisa completamente diferente da realidade. A prova disso é a mais que provável reeleição de António Guterres como líder da Internacional Socialista.

Guardando a Ria 


Acordou... 

A entrevista do nosso PR não prendeu a minha atenção ontem à noite. Pelo que vejo esta manhã na comunicação social, dá para perceber que disse deste governo o que nunca ousou dizer do anterior. Pelos vistos agora é que se lembrou que existem problemas em Portugal em vários sectores, muitos deles herdados do governo do seu partido.

Também estou de acordo. 

Achei, tal como um deputado do PS, um despropósito a festa que foi feita no interior do Panteão Nacional, onde estão depositados os restos mortais de algumas das figuras mais significativas do país.
Não é o local indicado para lançar um livro e muito menos o do Harry Potter. Tenho a certeza que não faltam sítios em Portugal mais indicados para fazer este tipo de eventos, nomeadamente o Castelo de São Jorge ou outro qualquer.
A memória dos que lá estão e a do próprio país merecem mais respeito.

2003-10-27

Guardando o vento que passa 



Este moinho está situado num dos pontos mais altos do concelho de Tavira, mais precisamente na freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo. Foi todo ele recuperado e encontra-se a funcionar como novo. Estar perto dele e escutar o som do vento a passar pelas suas velas, é um espectáculo de grande beleza.

Prémio “Tou-me cagando…” 1 

Um esclarecimento prévio sobre o Prémio em causa.
Apesar de esta frase, supostamente, ter sido dita com um sentimento de quem se está nas tintas para uma coisa qualquer em concreto, ou seja como alguém que desdenha e subestima algo, aqui no Almariado a atribuição do Prémio será sempre para situações que me envergonham e contra as quais me manifesto.
A adopção do nome prende-se essencialmente com o contexto em que ela foi dita e que identifica uma postura civicamente, pouco saudável.
Assim sendo, o Prémio “Tou-me cagando…” desta semana vai para:

Para toda a violência infantil, seja ela de que natureza for. A pedofilia é a mais mediática, mas existem outras igualmente brutais.
A criança de Ermesinde que sucumbiu aos maus-tratos do pai, é apenas a ponta do iceberg. Este caso soube-se. Mas e os que não se sabem e nunca se vão descobrir?
"O melhor do mundo são as crianças". Quem não for capaz de entender isto, não entende o verdadeiro significado da Humanidade.
Pena máxima para quem agride uma criança até à morte.

Coisas da vida 

Os hospitais não são locais agradáveis, é um facto. Hoje já não se sente o cheiro do éter com a intensidade de antigamente, mas o ambiente que lá se vive não é dos mais motivadores e normalmente não deixa grandes saudades.
Por motivos que já expliquei anteriormente, passeis largas horas da semana passada num hospital, repartidas entre a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e a enfermaria pediátrica. Do primeiro local, nada a dizer não fosse uma mãe irresponsável que por ali andava a fumar nos corredores e na sala de espera dos pais, como se estivesse num café ou num, bar. A primeira coisa que nos vem à cabeça é mandá-la do 5º andar lá para baixo. Nunca a vi ser repreendida e eu próprio achei que não tinha que me meter no assunto.
Já na enfermaria pediátrica, o ambiente é muito mais distendido do que na UCI, como é óbvio, mas não menos dramático no que toca e exemplos que se deparam aos nossos olhos. Desde a criança poli traumatizada devido a um acidente de viação onde morreu um familiar, até uma outra com deficiências mentais, abandonada à nascença pela mãe. São casos atrás de casos, de crianças que não pediram a ninguém para nascer mas que alguém as obrigou a sofrer.
Também lá estão os casos pacíficos. Os miúdos que vão ser operados às amígdalas ou ao nariz. Coisas de rotina e sem grande importância clínica. Muitos deles acompanhados pelos pais, ali aguardam a hora em que o médico os mande para casa.
De todos os casos, o que mais me marcou foi o de uma criança com graves problemas intestinais que passa mais tempo no hospital do que em casa. O seu pai, viúvo recente, cozinheiro de profissão, passa o dia a trabalhar e a noite, vai passá-la ao lado da sua filha no hospital. Praticamente não descansa, mas a sua menina assim sofre menos e de noite tem quem lhe faça companhia e lhe sossegue a amargura de ser doente. São estes os exemplos de coragem e de carinho que não nos podem deixar indiferentes, os quais deixo aqui à reflexão de todos.
Cá fora o mundo vive ao seu ritmo. As pessoas circulam como formigas e o sol brilha, mas só para alguns.

A inauguração da Catedral 

A Catedral é de facto imponente. Um responsável da UEFA foi mesmo ao ponto de afirmar extasiado: “- My God. This is a cathedral.”
De facto é, não só, uma obra fantástica como é também um dos melhores estádios da Europa, sendo certo que o Alvalade XXI e o do Dragão, não serão muito diferentes.
No entanto a festa foi feita de altos e baixos.
Dos altos destaco a participação massiva dos adeptos e dos sócios da grande família benfiquista que lotaram as bancadas e imprimiram à festa a cor e a alegria necessária. Apenas estiveram mal na forma como se comportaram em relação a pessoas que estavam presentes a convite da direcção e representam a cidade e o país. Goste-se ou não, são representantes do povo, democraticamente eleitos. Mereciam mais respeito.
Dos baixos, nitidamente duas coisas. A primeira a infeliz ideia dos vários discursos, absolutamente desnecessários. Bastava o Presidente do Benfica ter dado as boas-vindas e o Presidente da Republica ter feito o que fez.
O Presidente Vilarinho fez um discurso propagandístico da candidatura de Luis Filipe Vieira, para influenciar o rumo das eleições, como se isso fosse necessário. Esteve bem na referência que fez aos ausentes convidados e pouco mais. Foi demasiado extenso e emotivo. Não foi um discurso presidencial.
Depois o Presidente da Câmara e o Primeiro-Ministro, sportiguistas assumidos, foram inicialmente vaiados o que já seria de esperar. A direcção do Benfica devia ter previsto este tipo de incidentes, evitando o vexame pelo qual teve que passar. Aos sócios e adeptos que assobiaram e vaiaram Santana e Barroso, pouco há a dizer. Infelizmente, boa parte das pessoas que actualmente vão aos estádios, comportam-se desta maneira. Por isso há cada vez menos gente no futebol.
No plano baixo, esteve também a equipa do Benfica. O jogo era a feijões, é certo, mas a exibição foi muito pouco esclarecida e revelou a fraqueza táctica da equipa. Não têm garra, não honram a camisola que vestem, jogam com desinteresse e sem alegria.
Esperemos que melhorem em breve.

2003-10-24

De novo em casa. De novo a sorrir. 


2003-10-23

O Profeta 

Carrilho quer ficar para a história do PS como o profeta. Assim foi com Guterres, assim está a ser com Ferro.
O problema de Carrilho é ser pouco consequente. Fala mas não actua. Ao seu nível e depois do que disse na carta aberta que escreveu aos seus camaradas, a única saída coerente seria candidatar-se ao lugar de Ferro Rodrigues.
Não estamos a falar de militantes anónimos cuja consequência dos actos ou palavras, apenas se traduzem num patamar inferior sem beliscar as cúpulas. Carrilho não está a esse nível. Carrilho pertence às cúpulas e as cúpulas quando não concordam e o dizem de forma tão pragmática, não têm outra alternativa se não, dar um passo em frente. Animar congressos, escrever artigos de jornal e comentar a política em noticiários televisivos é o mais confortável. Avançar, personificando uma alternativa, colocando o partido nos carris certos, conforme defende, constitui uma atitude mais difícil mas, ao mesmo tempo, muito mais consequente e coerente.
Entretanto já o vi na televisão, esta noite, a dizer uma coisa estranhíssima e sem sentido: haver congresso não significa tentar mudar de líder.
- Ai não? Então para que serve o congresso? Para um desfile de votos de solidariedade a um líder em quem já pouca gente confia?
São tão inteligentes, estudaram tantos livros, têm tanta experiência política e parece que não são capazes de ver uma coisa que é clara como a água.

Depois da tempestade a bonança 

A Rita vai ter alta amanhã. Hoje já andou pelos corredores da enfermaria pediátrica e brincou na sala das actividades, onde os miúdos que estão internados costumam brincar. Uma espécie de sala de convívo da pequenada.
Voltei a ver aquele sorriso que me desarma cada vez que faz uma traquinice e que corresponde ao mais bonito que conheço nesta vida.
A mãe da Rita ainda não arredou pé do hospital. Com esta, é a terceira noite que dorme num cadeirão pouco confortável. Depois disto, umas férias vinham mesmo a calhar.
Quanto a mim, divido as minhas obrigações de pai com as funções de colaborador póximo de um dos melhores autarcas deste país. Hoje, cometi a proeza de chegar primeiro que ele ao local de trabalho e quando regressei do hospital (21:30) ainda nos encontrámos para discutir algumas questões de trabalho que tinham ficado pendentes.
Agora, estou a deliciar-me com as notícias do dia que ainda não tinha tido oportunidade de ler e que são muitas.
A todos os amigos que me desejaram força nesta hora difícil, o meu muito obrigado.

2003-10-22

Caros leitores e amigos 

Quero agradecer publicamente, as várias mensagens que recebi hoje no meu e-mail, dando-me força e desejando as melhoras à Rita. Fiquei, naturalmente, agradecido e comovido com a simpatia de algumas pessoas que nem sequer sei quem são, ou sabendo, não as conheço pessoalmente.
A Rita recuperou da infecção que tinha nos brônquios a qual lhe dificultava a respiração. Como devem imaginar, esta infecção tem um nome complicadíssimo, o qual sou incapaz de repetir. Sei apenas que é uma variante da “Laringite”.
Ontem à noite, durante algum tempo, a Rita esteve com insuficiências respiratórias graves, chegando mesmo a ter fases de grande dificuldade. No momento em que cheguei perto dela à Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, apresentava uma imagem de agonia e dificuldade, que jamais esquecerei. Olhava para mim com uma expressão de quem pedia ajuda para continuar a respirar. Foi um grande teste à minha resistência como pai o qual nunca mais quero repetir. Depois de devidamente medicamentada e com a respiração auxiliada artificialmente com oxigénio, a Rita acalmou-se e o antibiótico começou a fazer efeito.
A equipa médica que a assistiu não conseguiu esconder as dificuldades com que se deparou o que me deixou ainda mais aflito.
Esta manhã, felizmente, a Rita já acordou com a respiração estabilizada e com os níveis de oxigénio normais. Quando cheguei perto dela já fazia a respiração sem qualquer auxílio. Acordou bem disposta, dentro das dificuldades pelas quais tinha passado e com muita fome.
Ao fim da tarde, foi transferida dos cuidados intensivos para a enfermaria pediátrica onde ainda se encontra em franca recuperação.

Aproveito esta oportunidade para dizer mais duas coisas muito importantes:

A primeira, para reconhecer a qualidade da assistência que a Rita recebeu no Hospital Distrital de Faro (HDF). Numa altura em que falar mal da Saúde e dos Hospitais, é lugar comum, sendo o HDF, habitualmente, o bombo da festa, cumpre-me contrariar essa ideia, testemunhado o profissionalismo das pessoas que estiveram envolvidos na assistência médica da Rita. Foram, simplesmente, formidáveis.

Em segundo, para destacar a coragem e dedicação de uma grande mulher que presenciou a tudo com um sangue-frio absolutamente irrepreensível, sem nunca entrar em pânico, apesar da angústia que viveu, ou seja: a mulher com quem tive a felicidade de casar e que me deu a alegria de ser pai, a Carla. Como boa mãe que é, mantêm-se ao lado da Rita há já muitas horas, sem dormir decentemente e sem saber quando o fará.

As duras etapas da vida 

Não tinha que escrever este post. Mas por razões que a própria razão desconhece, vou escrevê-lo.
Esta noite, envelheci 10 anos no espaço de uma hora. Cheguei há pouco mais de uma hora do Hospital de Faro, onde a minha filha de 15 meses ficou internada nos cuidados intensivos da pediatria, devido a um infecção nas vias respiratórias, o que a colocou em grande agonia tendo sido necessário fazer-lhe respiração assistida com oxigénio.
Durante algum tempo esteve em situação de risco e no momento em que cheguei perto dela, estava com uns tubos no nariz, uma série de fios pelo corpo e com a possibilidade de ser ligada ao ventilador.
Foi, talvez o momento mais difícil da minha vida, como compreenderão. A esta hora, espero que esteja a descansar tranquilamente, sendo certo que eu esta noite não o vou conseguir fazer.
Nos próximos dias ficará internada no hospital, razão pela qual não vou poder alimentar o Almariado como ele gosta. Espero que as trinta e tal pessoas que passam por aqui diariamente compreendam as minhas razões.
Logo que tudo esteja ultrapassado e a Rita esteja cá em casa a fazer as traquinices do costume, tudo voltará à normalidade.
Obrigado pela vossa compreensão.

- Rita, o pai e a mãe adoram-te.

Carta aberta ao Alcabrozes 

Caros Amigos (permitam-me que vos trate assim)

No dia em que encontrei o vosso blog, fartei-me de rir com as vossas piadas e com a genuinidade com que relatam alguns episódios de figuras típicas da terra que me viu nascer, Olhão. Imediatamente fiz sentir esse meu agrado publicamente. Vi no blog um espaço saudável de humor e intervenção, ainda que com uns laivos de pouco fair play e até alguma ofensa. Disse-o claramente que ofender pessoas da forma como o faziam, nomeadamente, chamando palhaço ao Engº Francisco Leal não era uma coisa bonita e digna. Atrevo-me mesmo a dizer, e perdoar-me-ão os que não concordam, que o Presidente da Câmara de Olhão não merece ser tratado dessa forma e muito menos com uma cortina de anonimato na sua frente que não permite identificar o autor dos comentários menos elogiosos.
Não vos conhecendo, disse-o com total frontalidade correndo o risco de ser mal entendido, como parece ter sido o caso, pelo menos por alguns de vocês. O Sapo, que eu não sei quem é mas que parece ser uma pessoa sensata, percebeu a minha mensagem. Isto não significa que os outros sejam insensatos.
O Engº Francisco Leal não me é nada a mim e nem sequer é do meu partido, nem tenho com ele qualquer afinidade. Não tinha nenhuma razão objectiva para o defender, não fosse o facto de achar que ele está a ser vítima de uma brincadeira de muito mau gosto por parte de um dos participantes do Alcabrozes. Sou amigo do seu irmão, Prof. Hélder Leal, pessoa que muito estimo e conheço há cerca de 20 anos. Foi meu professor, meu treinador e já trabalhámos no mesmo projecto autárquico. É um tavirense a quem a cidade muito deve. Passaram pelas suas mãos centenas de jovens praticantes de andebol e alguns chegaram mesmo a singrar na modalidade. Quanto ao irmão julgo que não será diferente. Foi eleito democraticamente e deve merecer tanto a nossa critica como o nosso respeito.
Chamar-lhe “palhaço” e envolvê-lo numa brincadeira de mau gosto em redor do caso Casa Pia, com termos que fazem corar de vergonha qualquer pessoa, não só não é justo como é ofensivo.
Não sendo advogado posso garantir-vos que no post escrito no Alcabozes, relatando uma conversa telefónica fictícia, existe matéria crime. Garanto-vos que existe.
A mim não me chocam os palavrões ao contrário do que foi escrito no Alcabrozes. Conheço-os todos e não precisei de ir à tropa para os aprender. Faço uso, naturalmente, de alguns mas nunca nestes termos. Acho que foi excessivo. Como excessivo também foi o texto publicado pelo Violadord@noite.
Não sou de moralismo nem nada que se pareça. Já cometi os meus erros e não foram tão poucos como isso. Por essa razão acho que posso, antecipadamente, avisar-vos que este não é o caminho a seguir.
Em relação ao que o Gin-gôlÔ escreveu a meu respeito, quero apenas dizer que a questão do Prozac não tem nada de ofensiva nem foi por aí que eu vos alertei do tom da conversa. Dizer que o Alcabrozes é o Prozac da Net é, absolutamente inócuo e irrelevante para o problema em causa.
Em relação à continuação do Alcabrozes, se me permitem, acho que devem ponderar apenas duas coisas: a primeira é os conteúdos do blog. A vossa liberdade de expressão não pode colidir com o direito ao bom-nome de terceiros.
A segunda é o objectivo do blog e a sua forma de funcionar. Se o Alcabrozes fosse escrito apenas por uma pessoa, a questão do funcionamento não se colocava. Porém, pelo que vejo, existem várias pessoas com acesso à edição do blog. Logo, ou existem regras claras definidas à partida e respeitadas por todos os membros, ou acontecem coisas menos felizes como foi o caso do texto da escuta telefónica.
Por fim uma nota muito pessoal. Não é bom para a vossa amizade esta situação. Quando me dirigi a vocês pela primeira vez, foi com o objectivo de vos felicitar. Apenas coloquei um senão, à questão da ofensa ao autarca olhanense. Vejo que após essa minha mensagem, a conversa desceu de nível e subiu de tom.
Reflictam bem sobre o assunto, sendo certo que a esta hora já muita gente viu o que foi escrito sobre o Engº Leal. Se ele decidir vos processar criminalmente, acreditem que apenas está a exercer um direito que ninguém lhe pode negar.

Como é óbvio este texto ficará à disposição de todos, no Almariado, porque entendo que a blogosfera é um “oceano” de liberdade e porque o assunto foi suscitado, também aqui.

Um abraço para todos.

2003-10-21

Saudade 



Escuto hoje pela primeira vez o concerto que os Trovante deram na Aula Magna em 1983. A voz do Luís está mais fresca e menos sofisticada, mas é um prazer ouvi-la.
Estes rapazes cometeram um “crime “no dia que se separaram. O país não merecia isto. A mim só me vem à cabeça a palavra, SAUDADE.

Guardando as telhas  


Prémio "Tou-me cagando..." 

Depois de uma grande reflexão absolutamente isolada e com o objectivo de fazer do Almariado um blog o menos cinzento possível, decidi instituir um prémio a atribuir semanalmente, cujo nome será essa frase emblemática da política nacional: “Tou-me cagando…”
Trata-se de uma espécie de Prémio Pilita à moda do Algarve. Jamais os contemplados serão pessoas, ainda que as suas atitudes, no abstracto, possam ser referenciadas. Ao contrário do Drº Ferro Rodrigues, o segredo de justiça jamais será contemplado e muito menos os Magistrados do nosso país. Naturalmente que este prestigiado Prémio, está receptivo a sugestões e contributos de todas aquelas pessoas que num momento de infelicidade tenham encalhado com este blog, o Almariado.
Sendo assim, sexta-feira sai o primeiro.
Abram-se as hostilidades.

SOS - Save Our Souls 

Por qualquer razão que desconheço não consigo visualizar o Almariado em condições. As fotografias tiradas no deslumbrante concelho de Tavira desapareceram e a coluna da esquerda dedicada às minhas recomendações na blogosfera e não só, seguiram pelo mesmo caminho. Como esta treta é gratuita não tenho com quem reclamar. Resta-me pedir a alguém que por aqui passe e saiba identificar o problema, me informe da solução.
Se quando ler este post tudo estiver normal, faça de contas que não o leu.

Afinal...não estão tão passados. 

O PS num rasgo de bom senso pôs fim, ontem à noite, à ideia de um congresso extraordinário. Perceberam que uma reunião magna nesta altura ficaria conhecida para a história da política nacional como o “Congresso da Casa Pia”.

2003-10-20

Mais uma sugestão musical 

Para mim a música é uma permanente descoberta de novos sons e tendências. E nisto sou muito democrático. Ouço de tudo menos aquelas coisas infernais que passam agora nas discotecas e nas raves. Não sou nem nunca fui masoquista.
A minha sugestão vai hoje para o último trabalho de Elvis Costello cujo nome é North. É mesmo muito bom.

Estarão todos passados??? 

Manuel Alegre saiu-se ontem com uma que é reveladora do desnorte que paira no Largo do Rato. Propôs a realização de um congresso para aferir a condição e legitimidade do actual secretário-geral e para pôr a descoberto os contestatários à sua liderança. Não percebeu, talvez não tenha sido o único, que um congresso nesta altura, por estas razões, é a pior coisas que podia suceder ao PS. Imaginem o que seria um congresso onde a maior parte das intervenções fossem votos de solidariedade com Paulo Pedroso. Seria imiscuir ainda mais um caso que é absolutamente judicial, com a estratégia política do partido.
Será que os socialistas ainda não perceberam isto?
Será que passa por alguma cabeça cor-de-rosa que o derrube da actual direcção seja a melhor forma de contrariar a avalanche em que o PS se viu envolvido?
Será que ainda não perceberam que problemas destes não se resolvem com congressos nem com reacções a quente, mas sim com antecipação, serenidade e distanciamento daquilo que não é de natureza política?
Como toda a gente sabe, por cada asneira que o PS faz eu bato palmas de satisfação, mas assim também não. Pelo menos tornem as coisas um pouco mais difíceis para o PSD. Pelo menos dêem luta.

Guardando a outra margem 


Ao Alcabrozes 

O Alcabrozes disse ontem que eu tinha ficado chocado com o que lá tinha lido. Nada de mais errado. Não me choquei, diverti-me e muito.
Apenas referi que o anonimato do autor permite-lhe escrever coisas que de outra forma, provavelmente, não o faria. O melhor exemplo é quando afirma: «A nossa Armona e o nosso Olhão necessita de uma novo presidente da câmara! Este é um verdadeiro palhaço!». Isto não foi bonito, ainda que existam razões objectivas para não gostar do senhor. Além disso coisas destas costumam acabar em processo-crime.
Um pouco mais abaixo acabei por perceber algo que por distracção me tinha passado em claro. O Alcabrozes é feito por várias pessoas.
Por fim não posso deixar de agradecer as amáveis palavras que me foram dirigidas. Elas são duplamente bem recebidas na medida em que não faço a mínima ideia de quem as escreveu e parto do princípio que não se trata de ninguém das minhas relações pessoais. Se fosse o Notasoltas ou o Quadrante que são meus amigos de longa data, não me estranharia a amabilidade mas sendo pessoas que à partida desconheço a sua identidade, isso amplia a minha satisfação.
Em conclusão: quando estiver mal disposto ou triste, visito o Alcabrozes e passado dois minutos já estou bem, disposto. Isso é claro para mim.
Ao Sapo e aos seus amigos um grande abraço e VIVA O OLHANENSE.

2003-10-19

Mais um blog algarvio 

Encontrei hoje, por casualidade, um blog que dificilmente deixarei de frequentar.
O Alcabrozes é feito a partir de Olhão, terra onde nasci, por alguém que tem o privilégio de conhecer muitos conterrâneos seus pelos hábitos e costumes. Alguns dos textos ali encontrados são de morrer de rir, pela genuinidade que constitui o viver das gentes de Olhão.
Mais uma vez trata-se de um blog anónimo o que aumenta e muito, a coragem de escrever coisas hilariantes, picantes, mas também um pouco ofensivas. Mesmo assim gostei muito.
Por razões familiares, a minha mãe deu-me a oportunidade de ver a primeira luz do dia em Olhão e o mesmo se passou com a minha irmã 4 anos mais tarde. Cinco meses antes de mim tinha sido a minha tia e dois anos depois um primo. Ou seja, a minha família fazia questão de ter os seus filhos no velhinho hospital de Olhão, encostado ao caminho de ferro.
Nunca lá morei.
Dezasseis anos mais tarde, fruto de uma das mais caras transferências do futebol português, alinhei com as cores do mítico e glorioso Sporting Clube Olhanense que a par do Benfica, são os clubes do meu coração. Ainda fiz uns jogos mas o meu pai cedo explicou-me que a escola era mais segura e eu acreditei na sua palavra.
Já em 1995 voltei novamente a Olhão desta feita para trabalhar no Banco Espírito Santo, onde estive sensivelmente ano e meio. Foi o melhor tempo da minha vida profissional e recordo-o com muita saudade. Trabalhava com pessoas que eram muito mais velhas do que eu, algumas das quais, olhanenses castiços e genuínos. O Sancho, o Garraia. O Guedes que não era natural de Olhão mas era um grande senhor, o Simão que era e é completamente louco, o Hilário, o Quinta Gomes tio e sobrinho, mais conhecidos por Caganas e outros que recordo com igual saudade.
Por tudo isto Olhão está no meu coração, na secção onde guardo as coisas boas e bonitas.
Ter encontrado o Alcabrozes, seja ele feito por que for, é motivo de satisfação e por isso serei, a partir deste momento, frequentador assíduo. Percebi entretanto que o seu autor conhece e recomenda o Almariado, o que desde já aproveito para agradecer publicamente.
Bem hajas filho d`Olhão.


Guardando o palácio 


Jornalismo algarvio premiado 

Dois jornalistas algarvios, a Helena Figueiras e o Mário Antunes, conquistaram o segundo lugar num grande prémio internacional de rádio, pela produção e realização de um programa sobre imigração.
Esta é a prova do bom jornalismo que se faz no Algarve, sendo certo que existem igualmente outros bom exemplos que não sendo premiados e reconhecidos internacionalmente, são testemunhos de um jornalismo sério, honesto, saudável, apartidário e independente.
Afinal há vida para além do pântano.

Pela manhã 

Lisa Ekdahl, uma voz excelente à medida que o sol começa a querer mostrar-se com timidez. Light jazz no seu melhor.
A versão "Its Oh So Quiet" é de chorar por mais.
Heaven, Earth and Beyond é um trabalho excelente que mistura ritmos tão particulares como a bossa nova com as sonoridades jazzísticas.

2003-10-18

Congresso do Caldeirão 

Levar mais de 200 pessoas a Alcoutim para debater as questões da interioridade e os problemas do nordeste algarvio, é obra. A AMAL está de parabéns. Finalmente temos uma Associação de Municípios no Algarve a funcionar e a cumprir o seu papel.

Ao que chegaram 

Este é o estado da actual direcção do PS.

Citações (obrigado e igualmente) 

"Tou-me cagando para o segredo de Justiça."
Eduardo Ferro Rodrigues
Secretário-Geral do Partido Socialista

2003-10-17

A recuperar 

A serem verdade as notícias vindas a público hoje, no que respeita à inversão do ciclo e ao início da recuperação económica, então estamos perante um dia negro para o Partido Socialista. Se o país entrar de facto num período de crescimento, ao PS não lhe restará outro caminho senão inventar um qualquer problema estrutural para criticar o governo.
Ainda por cima quem afirma que Portugal está a recuperar é Vítor Constâncio, logo nada a contrariar.

Guardando o reflexo 


2003-10-16

Citações 

"Uma religião é tão verdadeira quanto a outra"
Burton, Robert

Outono 

Afinal o dia complicou-se. De uma manhã radiosa de sol, seguiu-se uma tarde de nuvens, chuviscos e até o som de um trovão.
O Outono mostra a sua garra.
Pelo menos assim não há incêndios nas nossas florestas. Há que ver as coisas pela positiva. Até o Outono tem as suas vantagens.

Guardando o Bairro 


Não li tudo mas do que li... 

Ontem o sono e a constipação da Rita, causa directa de frequentar o infantário, traíram a minha vontade de ler o artigo que a Time publicou sobre as meninas de Bragança. Li metade. Até ao momento não encontrei nada que fosse absolutamente escandaloso e atentatório à cidade de Bragança. São relatos normais de mulheres brasileiras que chegam à Europa à procura de um futuro melhor. Umas sabem ao que vêm, outras nem por isso.
É o normal sub-mundo da prostituição, sendo certo que ele existe, também, em Bragança. Até agora, não vi nada que já não tivesse visto na revista do Expresso.
O artigo começa com a fasquia bem alta, é certo. Uma “Paula” com uma criança nos braços a percorrer as ruas de Bragança a pé, encontra o marido na casa das meninas. Mas isto existe, é triste e não é fado. É a vida de milhares de casais por este mundo fora.

Como eu gosto 

Hoje, em Tavira, está um dia como eu gosto. Há sol. Não está frio nem está calor. Posso deixar o carro ao sol sem a preocupação de quando voltar a usá-lo, não fritar no seu interior. Está um dia óptimo para fotografar, passear, sentar numa esplanada e até para trabalhar. Está um dia óptimo para fazer tanta coisa, onde a mais importante é de facto viver.
Venham muitos dias assim.

2003-10-15

Guardando o Templo 


A capa da Time 




Esta capa valeu à revista Time a suspensão da publicidade ao EURO 2004 paga pelo Governo de Portugal.
Talvez algumas pessoas já não se recordem, mas o Expresso, há umas semanas atrás, publicou uma reportagem idêntica, pelo menos sobre o mesmo assunto. Não consta que o Governo tenha cortado relações com o mais importante semanário português.
Acho portanto a atitude de suspender a publicidade uma confusão absoluta. Acho, mas não tenho a certeza e por isso vou ler o texto que a Time publicou para perceber se o que lá é dito é muito diferente daquilo que o Expresso escreveu.

2003-10-14

«Europe’s new red light district».  

A prestigiada revista Time, descobriu que em Bragança existem umas meninas brasileiras que a troco de uns euros dão umas berlaitadas e a isso deu destaque. E eu pergunto: - E depois? Desde quando isso é notícia?
Por favor, não façam de nós um povo tão provinciano.
Até em matéria de putas, somos um povo atrasado. Só porque existem umas quantas garotas a animar uma cidade do interior, somos logo notícia na imprensa internacional. Aqui mesmo ao lado, na província de Huelva, a poucos quilómetros da fronteira existem vários estabelecimentos do ramo. É quase caso para dizer que dá-se um pontapé numa pedra e sai uma brasileira ou uma ucraniana.
Em Bragança, segundo o Governador Civil, «existem dois estabelecimentos a laborar» e a Time chama-lhe já «Europe’s new red light district». Antes fosse, talvez assim a economia local suspirasse de alívio. Sem qualquer comparação, nem é isso que está em causa, imaginem as receitas que este tipo de negócio representa em cidades como Amesterdão ou Paris.
Bragança vive com problemas graves provocados, essencialmente, pelo fenómeno da interioridade. A verdadeira indústria do sexo não está interessada em locais onde existem cada vez menos pessoas a viver, logo todo este aparato é artificialmente provocado e promovido.

Guardando a desgraça 


Aos gritos 

Ontem à noite, até que a minha filha fosse dormir, não pude ver televisão. Nos canais por onde passava, só via uma senhora do Partido Socialista aos gritos num estado de histeria lamentável. Não tive alternativa, desliguei o televisor. Não é esta a educação que quero dar à minha filha. Não quero que tenha estes maus exemplos. Uma criança ao ouvir gritos fica traumatizada e nós, para os nossos filhos, queremos sempre o melhor.
Será que o Dr. Ferro Rodrigues já percebeu o mal que esta senhora está a fazer ao PS e às criancinhas deste país?

2003-10-13

Guardando a margem 


Continua assim... 

Ana Gomes questionou o seu camarada José Lamego sobre a proveniência do ordenado que vai receber na sua missão no Iraque, e eu pergunto:
- Quem é que paga a Ana Gomes para ser tão palavrosa, tão destemperada, tão arrogante, tão dona da verdade, tão superior e tão arruaceira?

Ainda gostava de saber quantos votos vale esta senhora para o PS. Com grande habilidade e mestria, vem delapidando todo o capital de respeito que angariou na nobre missão que teve em Jacarta, defendendo com grande diplomacia a causa timorense.

- Continua assim que vais muito bem!

Isto não é Kafka II 

Ontem à noite, no seu comentário semanal na SIC, José Pacheco Pereira (JPP) disse aquilo que aqui, no Almariado, já tinha sido escrito, no que respeita à libertação de Paulo Pedroso.
Num post algures mais abaixo, cujo título é: “Isto não é Kafka” manifestei a minha discordância em relação a alguns comentadores ou dirigentes do PS quando atribuíam a este caso uma similitude com o romance de Franz Kafka, “O Processo”. As semelhanças entre uma coisa e outra são muito poucas ou mesmo nenhumas e JPP demonstrou-o com a racionalidade que lhe é própria.
K. era um cidadão anónimo igual a muitos outros que, de um dia para o outro, se vê a braços com a Justiça, acusado de um crime que desconhece por completo o qual lhe sentencia sem alternativa ou conhecimento a pena de morte, sem ter à sua volta os holofotes da imprensa nem a pressão da opinião pública. K., tinha pela sua frente um sistema judicial infinitamente burocrático, onde, ao contrário do nosso, se presumia sempre a culpabilidade do arguido e nunca a inocência. Paulo Pedroso tem, segundo opiniões diversas, um sistema judicial que funciona onde é possível recorrer das decisões tomadas na instrução do processo, para as instâncias superiores.
Ou seja, nada que se pareça.
O livro que JPP mostrou ontem à noite é a mesma edição que eu li. O raciocínio que fez foi semelhante ao meu. Fiquei satisfeito por saber que mais alguém pensa da mesma maneira.
Aos que se interessam por este tipo de assuntos, recomendo, uma vez mais, a leitura deste inquietante livro de Kafka.

2003-10-12

Montemor-o-Novo 

Depois de uma breve incursão por Montemor-o-Novo onde o fado diz que «é praça cheia», estou de novo ao teclado. Por um dia o Almariado foi privado da inclusão de qualquer texto ou fotografia.
Por falar em fotografias quero agradecer publicamente ao António Baeta Oliveira pela explicação que me deu em relação à edição de fotografias no blog. Foi muito útil a sua ajuda e registo a sua simpatia e amabilidade. Também não é de estranhar, é do Algarve.
Esta manhã visitei com curiosidade o centro histórico daquela cidade alentejana o qual me deixou bastante satisfeito, apenas no que diz respeito à chamada vila-a-dentro. A arquitectura dominante é uma imagem de marca apesar de aqui ou ali, algumas coisas chamam à atenção pela negativa. A perfusão de pequenas antenas parabólicas da TV Cabo, são um elemento a mais nalgumas fachadas. Por outro lado as ruas e os passeios em calçada, limpos de pinturas de trânsito excessivas, devem servir de exemplo para outros centros históricos de Portugal.
O castelo altaneiro deixou-me alguma desilusão. Algumas zonas estão pouco cuidadas e apresentam mesmo escritos nas paredes. Mesmo assim foi possível trazer alguns testemunhos fotográficos. Nota negativa também pela ausência de qualquer informação relativa ao castelo. Nada, nem uma vírgula nem um ponto final.
Sai-se do castelo com o mesmo conhecimento com que se entrou.

2003-10-10

Concreto ou Abstracto 

O Presidente da República (PR) disse ontem que não comentava casos concretos da Justiça.
Então a quem se referia quando há dias falou de homens “iluminados” por conhecimentos superiores da verdade?
Uma coisa é certa, sem referir nomes e falando no abstracto, pode-se dizer muita coisa em concreto. Foi isto que o nosso PR fez. Consequência ou não, Paulo Pedroso está cá fora.

Guardando a casa 


Nobel da Paz - O meu protesto 

A Academia Real Sueca, responsável pela atribuição do Prémio Nobel da Paz, perdeu uma grande oportunidade de render uma homenagem, em vida, a um dos mais emblemáticos símbolos da paz de toda a história da humanidade. João Paulo II era, na minha opinião, a escolha inequívoca.
A iraniana Shirin Ebadi foi a escolhida.
João Paulo II foi e é, um profeta da paz e da reconciliação dos povos. Teve a audácia e a determinação de juntar povos desavindos e restabelecer o bom senso em conflitos insolúveis. É um exemplo de vida.
As opiniões que tem sobre o funcionamento algo ortodoxo da igreja e a relutância para com algumas mudanças na sociedade como são as questões do planeamento familiar, não mancham, nem de perto nem de longe, o seu pontificado que foi todo ele exercido na perseguição de um objectivo único, traduzido na tentativa de uma paz mundial.
Sem por em causa a justeza da atribuição do Prémio Nobel a Shirin Ebadi, a oportunidade de a galardoar mais tarde não se perderia. Já no caso de João Paulo II, não é certo que viva o tempo suficiente para que seja, ainda, distinguido a este nível.
Resta-nos o consolo de saber que independentemente do Prémio Nobel da Paz, o mundo inteiro reconhece a sua obra e por ela tem respeito.

Nos últimos 10 anos estes foram os galardoados. Não me venham dizer que o Papa João Paulo II não está a este nível.

2003 Shirin Ebadi

2002 Jimmy Carter

2001 United Nations, Kofi Annan

2000 Kim Dae-jung

1999 Médecins Sans Frontières

1998 John Hume, David Trimble

1997 International Campaign to Ban Landmines, Jody Williams

1996 Carlos Filipe Ximenes Belo, José Ramos-Horta

1995 Joseph Rotblat, Pugwash Conferences on Science and World Affairs

1994 Yasser Arafat, Shimon Peres, Yitzhak Rabin

1993 Nelson Mandela, F. W. de Klerk

2003-10-09

Guardando a Viatura 


Isto não é Kafka 

O aparato mediático criado ontem em redor da saída de Paulo Pedroso do Estabelecimento Prisional de Lisboa, foi um manifesto exagero aproveitado até ao limite pelo próprio.
Pelo batalhão de jornalista em redor do ainda arguido, mais parecia que estávamos em presença de um herói nacional, de alguém que tivesse conseguido um feito histórico e emblemático para o país. No entanto a realidade é outra.
Quem os jornalistas perseguiram ontem até à exaustão foi apenas um arguido sobre quem recai a prática de 15 crimes de abuso sexual a menores, o qual se presume inocente. Apenas isto.
A forma como foi recebido, as palmas, as lágrimas e a emoção, em nada alteram o decurso do processo. Aliás o levantamento da prisão preventiva não está relacionado com os indícios do crime mas sim com questões processuais, o que é naturalmente diferente.
Carlos Magno dizia ontem na RTP1 que Kafka teria no caso Paulo Pedroso, a génese e o motivo da sua grande obra “O Processo”. Neste Verão que passou, este livro fez parte das minhas escolhas, o qual recomendo vivamente. Porém, das duas uma: ou eu não entendi a história sinistra de Josef K., ou Carlos Magno já leu o livro há muito tempo e não se recorda bem do mesmo.
K. não sabia do que era acusado. Pedroso sabe. K. acabou esfaqueado. Pedroso, na pior das hipóteses acabará preso, se o Ministério Público conseguir provar a sua culpabilidade.
São coisas totalmente diferentes. A Justiça de “O Processo” funcionava mal, era impessoal, infinitamente burocrática e quase impossível de absolver os arguidos. A Justiça portuguesa, segundo foi dito repetidas vezes ontem, funciona, presume a inocência dos arguidos e tem meios para os defender. A prova disso é que Paulo Pedroso está cá fora.

2003-10-08

Chegada triunfal 

A chegada de Paulo Pedroso à sede do PS foi apoteótica. Parecia uma noite de vitória eleitoral. Há muito que não se via coisa semelhante para aqueles lados.
Na falta de melhor, serve o que há…

Livre 

Paulo Pedroso acaba de ser libertado. Às portas do EPL um batalhão de jornalistas esperava a sua saída.
Há já quem festeje esse facto, sendo certo que ainda é arguido. No entanto, está cá fora e o processo continua.

Nunca digas Nunca 

A prova que na política as palavras NÃO e NUNCA, não fazem qualquer sentido e usá-las podem trazer situações embaraçosas, é o facto do PSD e o CDS/PP concorrerem às eleições para o Parlamento Europeu em listas conjuntas.
Quero ver como será nas eleições regionais na Madeira. Já imaginaram o Dr. Paulo Porta num comício a gritar com aquela voz esganiçada, coisas do tipo: - temos de acabar com a hegemonia do PSD na Madeira. Ou então: - Na Madeira não existe liberdade democrática e de expressão, por culpas do presidente do Governo Regional, eleito pelo PSD. Sim porque argumentos destes já foram usados antes e não consta que o Dr. Jardim tenha mudado assim tanto.
Vai ser de gritos…

MNE 

Teresa Patrício Gouveia, Ministra dos Negócios Estrangeiros? Terei ouvido bem?

A Constituição 

Ouvi esta manhã as declarações do constitucionalista Prof. Jorge Miranda sobre a hipótese de uma nova revisão da Constituição. Estou totalmente de acordo com o que disse e no essencial foi isto: rever a Constituição de forma tão sistemática e por questões tão pontuais é o pior serviço que se pode prestar à credibilidade da mesma e ao respeito e dever que ela deve merecer.
Assino por baixo.

2003-10-07

Assim é que eu gosto 

O JLL já começou a postar com mais regularidade apesar de se lamentar com a falta de tempo e essa virtude muito necessária chamada pachorra.
Espero que mantenha a toada e aproveito para lhe agradecer as citações que me faz, se bem que aos amigos não é necessário agradecer. Também é para isto que servem...
Continua porque é assim que eu gosto. Estás proibido de fazer silêncio.

Almariado no Glória Fácil 

O JPH, um dos mais polémicos intervenientes da blogosfera nacional que assina por baixo aquilo que escreve tal como eu, fez uma referência muito cordial à minha pessoa a qual quero agradecer publicamente. O Glória Facil é um daqueles blogs que deve ter a ingrata missão diária de desentupir a caixa de correio electrónico. Ter-me respondido desta forma, é um gesto que me apraz registar.

Leituras de fim de semana (III)
O simpático Fernando Viegas compreendeu perfeitamente as minhas dúvidas sobre o artigo blogosférico de António Guerreiro no "Actual" do "Expresso". Já este senhor decidiu complicar tudo - mas parece-me que é só a brincar, assim como quem parodia (até ao enjôo) o artigo em causa. Parece-me - mas não tenho a certeza. Se calhar já se iniciou um campeonato de Ser o Mais Ininteligível Possível. Sei lá.

O início da bagunça 

O PSD em 1995 perdeu as eleições legislativas fundamentalmente por três razões.
A primeira foi o distanciamento que criou em relação ao eleitorado. Deixou de ter em conta os ecos que chegavam da chamada sociedade civil e entrincheirou-se numa lógica de autismo completo, sobretudo ao nível da governação. Não foi capaz de antecipar a solução de conflitos sociais e políticos, tendo depois reagido a reboque dos mesmos. O buzinão na ponte sobre o Tejo foi a cereja em cima do bolo, para aqueles que promoviam a agitação em redor do governo.
A segunda foi a legião de pessoas que colocou no aparelho do Estado, muito contestado pela oposição, nomeadamente o PS, o qual esqueceu o assunto logo que chegou ao governo tendo também ele inundado a administração pública com o seu pessoal. O cidadão comum não aprecia este “Carnaval” e da mesma forma que já havia castigado o PSD, castigou também o PS.
A terceira foi o uso e o abuso feito do exercício do Poder. O Prof. Cavaco Silva foi a principal vítima deste abuso, praticado essencialmente pelos seus governantes ou por pessoas ligadas à governação. Mais uma vez os cidadãos começaram a perceber que havia um tratamento diferenciado por parte do Estado em relação a quem era do PSD e quem não era. O resultado é conhecido.
Estas foram as três razões políticas que levaram à derrota do PSD, sendo certo que o período de recessão vivido, sobretudo em 1993, ajudou a cavar o fosso e a ampliar a contestação ao governo de então.
É bom que o actual PSD pense nestas questões.
O Dr. Durão Barroso tem hoje uma imagem forte. Vale mais do que o resto do governo. Com o Prof. Cavaco Silva passava-se o mesmo. Mas o Dr. Barroso começa a ter também os mesmos problemas que teve o Prof. Cavaco, ou seja: falta de ligação à sociedade civil, preenchimento da Administração Pública com militantes do PSD, independentemente da sua competência técnica e, o que é pior, um início de abuso sobre aquilo que é a legalidade e o mais elementar bom-senso. Estou a lembrar-me, naturalmente, do caso da filha do Ministro que entrou para a universidade, contornando aquilo que está estabelecido na lei.
Normalmente estas coisas são feitas por figuras de segunda linha, como parece agora acontecer, mas isto deixa marcas muito significativas que podem prejudicar o primeiro-ministro.
Das duas uma: ou situações deste género acabam de uma vez por todas, doa a quem doer, ou o Dr. Barroso terá um fim parecido ao do Prof. Cavaco, isto é: por não ter sido capaz de puxar as rédeas a alguns militantes, o PSD acabou imolado no fogo das eleições.
O exemplo é pragmático. O Dr. Barroso, se quiser, ainda está a tempo de por um ponto final a este início de bagunça. Se não o fizer, sucumbirá no meio dela.

Olhei para o céu e só vi estrelinhas 

O Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), está a habilitar-se a ficar perpetuado para a história como o serviço mais incompetente que há memória no nosso país.
Ontem pôs o sul do país em polvorosa, com uma suposta tempestade. Fiz aliás referência à previsão do Instituto de Meteorologia, que reportava uma situação de trovoada mas de pouca intensidade. Perante isto o SNBPC, não teve para meias medidas. No afã de mostrar serviço ou coisa que o valha, fez sair comunicados dando conta da situação de prevenção.
Para aqueles que não moram no Algarve e por casualidade esbarraram neste texto, posso-vos garantir que há muito tempo não havia uma noite tão tranquila e o dia nasceu tão bonito que os turistas não tiveram qualquer problema em sair à rua com roupa de Verão.
A partir de hoje, quem é que vai acreditar nos relatórios e nos comunicados do SNBPC? As viagens de helicóptero em Lamego andam a afectar o estado de espírito deste pessoal. Haja bom senso.

Sensações matinais 

Esta manhã acordei com dois tipos de sensações.
A primeira foi de alívio. A grande tempestade prevista para o Algarve deu origem a um excelente e bonito dia de sol.
A segunda foi de incredulidade. Terá o ex-ministro Lynce sido vítima de pessoas, supostamente, da sua confiança política e pessoal?

2003-10-06

Não, não sou o único 

No passado Sábado de manhã fiz mais uma incursão na pediatria do Hospital de Faro. A Rita insiste em pregar-me sustos. No tempo de espera aproveitei para passar os olhos pelo Expresso. Descobri um texto sobre a blogosfera escrito por António Sérgio. Como tinha acordado muito cedo e estava num estado de ansiedade anormal, devido às circunstâncias, li uma vez o texto e prometi a mim mesmo voltar a lê-lo para ver se entendia a ideia do autor sobre o tema.
Em casa, no silêncio da sala, com a Rita a dormir, voltei a ler o texto e voltei a não perceber o contexto de quem o escreveu. Fiquei em pânico. Melhor, quase em pânico. Tanta vontade de o ler e depois não percebo o que o autor pretende transmitir.
Hoje ao ler o Glória Fácil, percebi que não fui o único a não entender o artigo. Respirei de alívio. Estive perto do suicídio, mas recuperei.

Gente atenta 

Ainda há gente à espreita de uma boa oportunidade. O JPH do Glória Fácil assistiu satisfeito a uns minutos do Canal 18 descodificado e até passou a acreditar em Deus.

Previsões 

Pelo que percebo, esta noite está prevista trovoada, chuva e vento neste belo Algarve a sotavento plantado. Também percebi que alguma comunicação social tratou de alarmar as pessoas com as previsões meteorológicas. Pelo que vejo no site do Instituto de Meteorologia o que está previsto é apenas:

NO BAIXO ALENTEJO E ALGARVE ONDE OCORRERÃO AGUACEIROS, EM ESPECIAL NO SOTAVENTO ALGARVIO. CONDIÇÕES FAVORÁVEIS A OCORRÊNCIA DE TROVOADAS NO ALGARVE. VENTO EM GERAL FRACO (10 A 20 KM/H) DE NORDESTE, SOPRANDO MODERADO (20 A 30 KM/H) NO LITORAL.

Nem dá para entusiasmar.

Orgulho nacional 

Assisti à hora do almoço a uma situação digna de registo.
Ao dobrar de uma esquina deparo com um grupo de turistas alemães a tirar fotografias a uma parede branca. Aparentemente parece estranho que uma parede suscite tanta curiosidade. Se fossem japoneses estava explicado, mas alemães…
Ao chegar mais perto percebi o interesse turístico da dita parede. Nela está afixada uma placa toponímica com o nome da rua que é nada mais, nada menos, Rua Amália Rodrigues.

Comparações 

A comparação feita por Freitas do Amaral este fim-de-semana no Expresso, afirmando que Portas agiu como Estaline, está a suscitar as mais diversas reacções contrárias até mesmo de Pacheco Pereira. Estaline faz parte de uma galeria de notáveis assassinos tais como Hitler, Pol Pot, Suharto, Saddam Hussein, entre outros. Mas não foi assassino que Freitas do Amaral chamou a Portas. Talvez a expressão seja dura, mas duro também é o borrão que Portas tentou passar na história do CDS.
Freitas do Amaral não é hoje o homem que já foi, em matéria ideológica e política, entenda-se. Por mais que tente contrariar, as suas últimas posições públicas são mais próximas do que está convencionado com esquerda. Mas a história e o percurso de um homem, não pode nem deve ser apagado. O passado faz-se de factos e não de subjectividades. E Freitas do Amaral tem um passado que está directamente relacionado com a fundação do CDS.
A mim não me espantou a comparação que fez e as expressões que utilizou e acredito mesmo que o fez com a absoluta noção das distâncias que Portas tem de Estaline mas com a proximidade de alguns comportamentos menos éticos.

Bailinho da Madeira e Vira do Minho 

Ao som do bailinho da Madeira o SCP deixou fugir mais três pontos, na minha opinião ingenuamente.
Fora do magnífico Alvalade XXI, o SCP têm-se revelado uma equipa sem ambição e incapaz de resolver as dificuldades que se lhe apresentam. Não fosse o árbitro da semana passada ter demorado o jogo com o Gil Vicente o tempo suficiente para que o SCP marcasse o golo da vitória, e o Eng. Fernando Santos estaria já a fazer as malas de viagem.
Quanto ao SLB, surpreendeu pela positiva. Ao contrário do que muitos imaginavam, eu inclusive, não dançou o Vira do Minho. Pôs o Moreirense a dançar e de que maneira.
Num jogo do qual só vi o resumo e li os comentários na imprensa, aquilo que transpareceu é que o SLB podia ter ganho por muitos mais. Saúda-se o regresso de Roger aos golos – e que golo – sendo certo que pode e deve fazer muito melhor. O brasileiro é dos jogadores mais criativos do SLB. Pena que não tenha até hoje sido capaz de revelar concentração e ambição dentro do relvado e disciplina profissional fora dele. Convém também frisar que o Moreirense não é uma equipa fácil. O SCP que o diga…
Quanto ao FCP, nada a dizer. É uma máquina de jogar futebol onde os seus jogadores têm a noção exacta do que é disciplina táctica e ambição de ganhar. Valeu o excelente golo da Briosa e pouco mais. No resto do jogo só deu FCP.

2003-10-05

Revolução Cultural 

A nova delegada regional da Cultura no Algarve, na sua primeira entrevista afirmou que vai fazer um Revolução Cultural.
Os comunistas algarvios devem ter ficado surpreendidos por ver a militante do PSD, cujo curriculum satisfez a vontade do Ministro da Cultura, a arquitectar o movimento chinês de Mao. Ou será apenas um caso de reminiscência maoista na família social-democrata?
Ponham-se a pau os comunistas, porque a Senhora Delegada está imparável.

A eterna Liberdade 

Os amigos do Sérgio Mestre despediram-se dele ontem à tarde no cemitério de Tavira, entoando o Grândola Vila Morena.
Não é uma situação normal, mas é com certeza aquela que o Sérginho mais apreciaria.
Viveu cantando a Liberdade. Partiu “escutando” a Liberdade.
Será lembrado por nós como um homem infinitamente livre, agora que partiu para a eterna Liberdade.

2003-10-03

Citações (Em memória do Sérgio Mestre) 

A música começa onde acaba a fala
Ernst T. A. Hoffmann
Alemanha, [1776-1822],

Adeus Sérgio 

A morte de alguém é sempre um momento de grande tristeza. Quando se trata de alguém que conhecemos ou de quem somos amigo, a primeira coisa que nos vem à cabeça é dizer coisas do tipo: - Não pode ser. Ainda na semana passada falei com ele e estava muito bem disposto.
A morte do Sérgio Mestre, hoje, é um desses momentos que nos deixa absolutamente desfeitos.
Na semana passada estive a tomar o pequeno-almoço com ele, por casualidade. Como é óbvio bombardeou-me com queixas sobre a cidade, como aliás era costume. Mas sempre com uma atitude construtiva, reconhecendo que Tavira nunca esteve tão bem como agora. Sendo um homem de esquerda e eu de direita, era de uma esquerda muito saudável que apreciava o debate e o confronto, mas que reconhecia o mérito naquilo que os outros faziam. Era bom estar com ele a conversar e a sua boa-disposição era absolutamente contagiante.
O último assunto que falámos foi a reconversão do Cine-Teatro António Pinheiro, numa sala de espectáculos moderna. Ele tinha opinião sobre a matéria e tudo o que dizia fazia sentido. Dava exemplos, dos muitos que conhecia pelo país fora, na expectativa de ver coisas semelhantes na sua terra.
Falar com ele era igualmente um exercício difícil de audição. Aquele tique que tinha na dicção era inconfundível. Quando falava parecia que estava a soluçar. Mas quando cantava aquela estranha gaguez, desaparecia dando lugar a um talento extraordinário.
Era também muito pouco discreto. Uma conversa de café com ele nunca tinha apenas o seu interlocutor como receptor. Toda a gente ouvia o que dizia. Era o protótipo do “espalha-brasas” no melhor sentido da palavra.
O Sérginho era também um homem dos sete instrumentos. Fiquei pasmado no dia em que me disse que não sabia música. Solfejava com uma enorme paciência, semelhante a alguém a ler um texto escrito numa língua diferente. Mas ao interpretar uma música fazia-o com uma simplicidade desconcertante. Tanto na guitarra como na flauta, era de facto um músico extraordinário.
O seu testemunho como músico fica para a eternidade gravado em discos que são uma referência da música portuguesa. O último concerto de Zeca Afonso no Coliseu é um desses exemplos. Mas há mais.
Para nós que cá ficamos a lamentar a sua ausência, só nos resta recordar com muito carinho e saudade, alguém que amava profundamente a sua terra, a sua ilha, os seus amigos e o seu trabalho. Era bom ser amigo do Sérginho.
À família do Sérgio Mestre, endereço o meu mais profundo pesar.

Ate um destes dias, AMIGO.

A anedota 

Em breve alguém há-de transformar a história da conclusão do processo FP-25 em anedota, pois no que respeita ao seu desfecho é disso que se trata.
Talvez fosse bom providenciar o Fernando Rocha para articular o contexto da anedota com os seguintes contornos:

Altura da anedota: Começa nos fins dos anos 70 princípios de 80 e termina em 2003.

Principais protagonistas: São vários, uns mais conhecidos do que outros. Mas podemos fazer as contas para mais de 60 dirigentes e operacionais das FP-25, juízes e advogados do processo e alguns políticos de esquerda.

Sinopse da anedota: Um conjunto de indivíduos da esquerda radical, tristes e insatisfeitos com o fim do período revolucionário e com o facto de Portugal não ter mergulhado numa violenta e austera ditadura de esquerda, decidem criar um grupo terrorista armado, executando vários crimes ao longo do país cujo saldo final foi: 18 pessoas assassinadas em 14 atentados, com particular destaque para um bebé, igualmente morto.
A Justiça prende-os e leva-os a julgamento através de um complicado processo onde existem arrependidos que contam a história tal qual como ela aconteceu. Pelo meio há uma clara assunção dos factos por parte de alguns dos intervenientes.

Factos para a fase final da anedota que dará origem a gargalhadas sonoras e repetidas: Os arguidos arrependidos são condenados. Os outros são absolvidos. No Ministério Público alguém se esqueceu de interpor recurso para o Supremo Tribunal de Justiça no sentido do processo ser reapreciado e o Procurador-Geral da República fica a saber do desfecho pela comunicação social.
Pelo meio deve ser ainda acrescentada uma questão que serve como cereja em cima do bolo: enquanto o processo decorria, o então Presidente da República Mário Soares, bem como diversos sectores de esquerda no Parlamento, propõem a amnistia aos dirigentes da organização, em finais de 1995, após a saída do PSD do Governo.

Se isto não é suficiente para que alguém produza uma boa anedota, então dificilmente voltaremos a rir seja com o que for.
Talvez tenha sido o processo mais inquietante da Justiça em Portugal no período democrático. Tinha tudo para que houvesse uma condenação exemplar e implacável, capaz de dissipar novas tentativas de terrorismo político, mas não foi isso que aconteceu. Os interesses e as pressões exercida nomeadamente por alguns sectores de esquerda do nosso país, bem como a suposta falta de atenção, conduziram a este desfecho. Fica a impunidade de quem sujou as mãos de sangue e a raiva e mágoa de quem viu familiares seus desaparecerem sem que seja feita a devida justiça.
Talvez seja este o Estado de Direito que o Dep. Manuel Alegre reclama para Portugal em vez daquele que prende preventivamente camaradas seus.

(Artigo de opinião publicado a 3/10/2003 no Algarve Região)

Recomendo 

A todos os defensores de Fidel Castro e do seu regime, recomedo que vejam isto.
Viva Cuba, abaixo Fidel.

Ainda as propinas 

Nos últimos dias, os noticiários televisivos têm mostrado as contestações dos estudantes ao pagamento das propinas.
Ainda não ouvi uma única opinião sensata na boca de um estudante, sendo certo que se ela existe as televisões não passam. Aquilo que tenho visto é um carrossel de má educação, o que constitui um espectáculo deprimente.
Ontem foi a vez do ISCTE. Assim vão longe.

O futuro da coligação governamental. 

Pacheco Pereira escreveu ontem no Público o fundamental sobre o futuro da coligação do PSD com o CDS/PP.
Subscrevo-a até nas vírgulas e nos pontos finais.

E o Nordeste Algarvio? 

Num estudo encomendado pelo Governo ao ex-ministro Daniel Bessa, cujo tema central era a identificação das principais regiões com problemas de depressão económica e social, foram analisadas 6 zonas. A saber: Trás-os-Montes e Alto Douro, Cávado e Ave, Tâmega, Beira Interior, Pinhais Interiores e Alentejo.
Sem por em causa a pertinência e a dimensão dos problemas destas zonas, julgo que teria feito todo o sentido analisar também o Nordeste Algarvio. Assim não aconteceu.
Tal como nalgumas das regiões analisadas, nesta zona do Algarve também se vive o drama da desertificação, do envelhecimento da população e da falta de emprego. Faria todo o sentido juntar a análise deste território, ao qual lhe reconhecem potencialidades mas cuja consequência ainda não aconteceu.
Alcoutim, só para dar o exemplo, deve estar entre os dez concelhos mais pobres de Portugal, se analisarmos todos aqueles factores atrás anunciados. A população está a envelhecer rapidamente, os jovens tendem em não se fixar no interior preferindo o litoral algarvio potencialmente mais aliciante e as empresas não encontram motivos para fixarem investimento neste contexto. É um somatório de dificuldades.
A Associação de Municípios do Algarve (AMAL) prepara-se para discutir esta questão. Com um estudo desta natureza em cima da mesa, o debate das soluções só tinha a ganhar.
Ontem o primeiro-ministro referiu e com razão a dificuldade do Estado em intervir nestas zonas no actual contexto orçamental. A delapidação das finanças públicas e a falta de rigor do anterior governo, porque foi disso que se tratou, comprometeu ainda mais o desenvolvimento destas regiões. Isto é um facto. Pode até dizer-se que o actual governo cortou o investimento no interior. O problema é que esse investimento estava assente numa lógica perigosa de não cumprimento de metas orçamentais às quais estávamos obrigados. Falar agora em outras coisas que não sejam estes factos, é pura demagogia de quem apoiou um verdadeiro crime de cidadania, traduzido na desorçamentação e no aumento do défice para suportar uma poderosa máquina eleitoralista de compadrios e amizades.

2003-10-02

Não se metam com ela 

Há várias razões objectivas pelas quais o PS move ataques cerrados à Ministra das Finanças. A principal é a contundência e resistência polí­tica da Dra. Manuela Ferreira Leite, reconhecida por todos e temida pelos socialistas. O que ela disse hoje à bancada do PS é a prova das suas características de mulher de armas que não se amedronta ao ver meia dúzia de socialistas a improvisar sobre economia.
O que ela fez esta tarde ao Eng. Sócrates revela muita maldade. Estas coisas não se dizem, porque podem deixar o dito senhor mais pequeno que um bago de milho.
E que disse a Senhora Ministra?
«O Engenheiro (Sócrates) pode ser perito em muitas matérias, mas não é citado, lido, escutado por economistas deste país, nem sequer das bancadas do PS».
Demolidor...

Absolutamente rendido II 

Mais uma descoberta para juntar às outras já feitas. Mary Black, uma voz notável da boa música irlandesa. Imperdível...

Quando há "sangue" ou quando há apenas notícias. 

Quanto mais de perto observo alguma comunicação social, mais me aproximo da constatação da inexistência de um conceito, múltiplas vezes propagandeado por quem faz informação: o interesse jornalístico.
O interesse jornalístico não é um papão como muitos querem fazer crer. É apenas uma utopia. Todos o defendem mas ninguém o pratica, salvo raras excepções que confirmam a regra. Mas afinal o que é o interesse jornalístico? É um daqueles chavões como muitos outros que existem nos mais diversos sectores dos quais destaco um que ouço permanentemente, mesmo por pessoas que não sabem sequer o que significa, do tipo: desenvolvimento sustentado. É bonito dizer que se defende um desenvolvimento sustentado, mas na prática ninguém sabe bem o que isso é, sendo certo que é algo de bom mas subjectivo.
O interesse jornalístico é um pouco semelhante. Muitos falam dele como ponto orientador, mas poucos o praticam.
Tenho um exemplo absolutamente ilustrativo do que é, ou por outra, do que não é, decididamente, interesse jornalístico. No dia em que começou o ano lectivo, alguém em Tavira preparou um alarido em volta da abertura de uma das escolas do 1º ciclo da cidade. A comunicação social que se norteia e sabe identificar o interesse jornalístico, esteve presente dando eco à contestação de meia dúzia de pessoas. Hoje, estive na inauguração dos novos equipamentos de uma escola do concelho, mais precisamente em Santa Luzia, onde foi investido dinheiro público e onde foi feita uma renovação notável nas instalações desse estabelecimento de ensino. A comunicação social apareceu. Alguma. Houve outra que não achou que o assunto valesse para tanto. Acham, provavelmente uma de duas coisas: ou as boas obras nas escolas do concelho não são notícia, ou por questões estranhas à nobre missão de informar, pura e simplesmente decidiram não aparecer. Se o fizessem eram obrigados a observar a alegria das crianças, dos professores e dos pais. Eram obrigados a ouvir uma professora dizer: - assim vale a pena e dá gosto trabalhar. Eram obrigados a ouvir uma mãe dizer que o Presidente prometeu e cumpriu com a promessa. E estas coisas eram muito chatas de reproduzir e dar a conhecer à opinião pública.
Tão claro como isto. As notícias quando são feitas com critérios jornalísticos e transparência, os jornalistas que as escrevem, aparecem nas diversas situações. Ou seja, não só quando há alarido e contestação, mas também quando há obra feita.
Aqueles cujo critério me escapa, porque sou muito ingénuo, só vão onde há “sangue” contra uma das partes que não apreciam e contra a qual lutam. É o supremo nível da hipocrisia no seu estado mais puro e absoluto. É o sectarismo mais primário e torpe.
É o desperdício de dinheiro público em causas não justificadas.

2003-10-01

Battlestar Galatica 

A série de ficção científica Battlestar Galatica é uma referência televisiva da minha adolescência. Recordo perfeitamente aqueles fins de tarde de sábado, antes de jantar, onde a minha atenção ficava presa aos combates de Apollo e Starbuck com os temíveis Cylons. Quem não se recorda daqueles robots de cor metalizada, cujos olhos eram uma luz que ia da esquerda para a direita e vice-versa.
Era formidável.
Agora já não há a Galatica. Tenho que conformar-me com os “galácticos”. Não são muito parecidos mas a eficácia no combate é notável. Tal como os Cylons se atreviam a lutar de igual para igual os heróis da Galatica, num perfeito exercício suicida, também o FCP se atreveu a lutar de igual forma com o Real Madrid. Deu-se mal.
Não ouvi as declarações do Mourinho com o único objectivo de poupar a minha limitadíssima paciência que já muita falta me vai fazendo, mas calculo que tenha dito qualquer coisa como isto:
- Somos a única equipa capaz de jogar contra o Real Madrid de igual para igual.
Se a malta não souber o resultado, talvez a coisa passe sem qualquer trauma.
Não consta, no entanto, que os Super Dragões vão ao aeroporto Sá Carneiro agradecer aos galácticos por não terem dado mais duas ou três bolas ao FCP.

Ensaio sobre o socialismo português em funções governamentais. 

O autor desta história não sou eu, daí a utilização do itálico. No entanto acho que ela reflecte bem o modo de funcionamento do anterior governo do Eng. António Guterres.

Num arquipélago maravilhoso e deserto, no meio do nada,
naufragaram
as
seguintes pessoas:
- dois italianos e uma italiana;
- dois franceses e uma francesa;
- dois alemães e uma alemã;
- dois gregos e uma grega;
- dois ingleses e uma inglesa
- dois búlgaros e uma búlgara;
- dois japoneses e uma japonesa;
- dois chineses e uma chinesa;
- dois americanos e uma americana
- dois irlandeses e uma irlandesa;
- dois portugueses (membros do Governo do Engº Guterres) e uma portuguesa;

Passado um mês, nestas ilhas absolutamente maravilhosas, no meio
do nada, passava-se o seguinte:

- Um italiano matou o outro italiano por causa da italiana;

- Os dois franceses e a francesa vivem felizes juntos num
menage-a-trois;

- Os dois alemães marcaram um horário rigoroso de visitas
alternadas à

- Os dois gregos dormem um com o outro e a grega limpa e cozinha
para eles;

- Os dois ingleses aguardam que alguém os apresente a inglesa;

- Os dois búlgaros olharam longamente para o oceano, depois
olharam longamente para a búlgara e começaram a nadar;

- Os dois japoneses enviaram um fax para Tóquio e aguardam
instruções

- Os dois chineses abriram uma farmácia/bar/restaurante/lavandaria, e engravidaram a chinesa para lhes fornecer empregados para a loja;

- Os dois americanos estão a equacionar as vantagens do suicídio, porque a americana só se queixa do seu corpo, da verdadeira natureza do feminismo, de como ela é capaz de fazer tudo o que eles fazem, da necessidade de realização, da divisão de tarefas domésticas, das palmeiras e da areia que a fazem parecer gorda, de como o seu último namorado respeitava a opinião dela e a tratava melhor do que eles, como a sua relação com a mãe tinha melhorado e de que, pelo menos, os impostos baixaram e também não chove...

-Os dois irlandeses dividiram a ilha em Norte e Sul e abriram uma destilaria. Eles não se lembram se sexo está no programa por ficar tudo um bocado embaciado depois de alguns litros de whisky de coco. Mas estão satisfeitos porque, pelo menos, os ingleses não se estão a divertir...

-Quanto aos dois portugueses, mais a portuguesa que também se encontravam na ilha, até agora não se passou nada. Os dois portugueses resolveram constituir uma comissão encarregada de decidir qual dos dois homens seria autorizado a requerer por escrito o estabelecimento de contactos íntimos com a mulher. Acontece que a comissão já vai na 17ª reunião e até agora ainda nada se decidiu, até porque falta ainda aprovar as actas das 5 últimas reuniões, sem o que o processo não poderá andar para a frente. Vale ainda a pena referir que, de todas as reuniões, 3 foram dedicadas a eleger o presidente da comissão e respectivo assessor, 4 ficaram sem efeito dado ter-se chegado à conclusão de que tinham sido violados alguns princípios de procedimento administrativo, 8 foram dedicadas a discutir e elaborar o regulamento de funcionamento da comissão e 2 foram dedicadas a aprovar esse mesmo regulamento. É ainda notável que muitas das reuniões não puderam ser realizadas ou concluídas, já que duas não continuaram por falta de quórum, uma ficou a meio em sinal de protesto por Timor e cinco coincidiram com feriados ou dias de ponte.

A guerra das propinas 

A relação dos estudantes com o pagamento de propinas é tudo menos uma justa reivindicação. Talvez já o tenha sido, no princípio da década de 90 quando o sistema foi implementado. Actualmente não passa de um pretexto para que os estudantes revelem a sua falta de educação desperdiçando objectos como o papel higiénico, convencidos que estão a ser irreverentes.
Falam do benefício que trarão ao país no dia em que finalizarem o curso, esquecendo-se que o custo que a sua formação representa para o Estado, é muito superior ao que são obrigados a pagar em propinas. Se isto fosse uma sociedade do género de Cuba em que os licenciados ganham, praticamente, todos o mesmo e pouco se diferenciam de um não-licenciado, ainda vá que não vá. Se o benefício é todo para o Estado então que seja ele a suportar os encargos. Mas a nossa realidade é diferente. O pagamento de propinas é sobretudo um investimento que o aluno está a fazer em si próprio e em seu benefício. Não me venham com lirismo que o Estado também ganha com a sua formação superior, porque se essa fosse a principal prioridade dos estudantes, já muitos se tinham marimbado para estudar. Quem estuda, fá-lo sobretudo a pensar em si e no seu futuro e bem-estar e ainda bem que é assim.
O Estado deve continuar a assumir as suas responsabilidades, chamando a si a fatia maior do bolo, construindo universidades, pagando a professores e pondo o sistema a funcionar. Mas o esforço pode e deve ser colectivo.
O resto é Carnaval para divertir aqueles que estão mais preocupados em aparecer nas televisões liderando manifestações, do que propriamente em estudar.
Por fim uma palavra aos senhores Reitores. Espero que aqueles cuja coragem faltou no momento de fixar a propina num valor que não o mínimo, não venham a meio do ano reclamar a falta de dinheiro para comprar o papel higiénico ou outra treta qualquer.

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