2003-08-31

Medalhas a montes 

Ouvi dizer que o terminal de carga do aeroporto de Lisboa espera para hoje um voo muito especial. Chega de Paris um Boeing 747 e nos seus porões vêem as muitas medalhas conquistadas pelos nossos atletas nos Campeonatos do Mundo de Atletismo.

Super Durão 

Durão Barroso venceu ontem claramente o desafio da “reentré” se tivermos como comparação o que se passou em Portimão no sábado passado.
O primeiro-ministro fez um discurso de Estado, voltado para o país e de costas para a oposição. Nem chegou a desvalorizar os ataques a que tinha sido sujeito há oito dias atrás. Simplesmente ignorou-os, mostrando à opinião pública que as suas preocupações estão centradas na resolução dos desafios que se deparam ao nosso país e não em questões partidárias.
Falou de forma dinâmica, de improviso, com garra e determinação. Não usou chavões nem frases feitas. Falou com sentimento, explicando em português suave as grandes questões nacionais.
Foi objectivo. Centrou-se em três temas que me parecem ser os mais relevantes para o futuro que se aproxima. As questões económicas, a reforma da administração pública e a educação.
Ao contrário de Ferro Rodrigues não foi palavroso nem causou tédio na assistência. Demonstrou que está em forma e para durar.
Naturalmente que durante esta semana os principais analistas vão dizer coisas diferentes em relação ao discurso de Durão Barroso. Há os que vão o colocar na lua e outros no chão. Uma coisa é certa, por muitas voltas que se possam dar em redor do comício de Caminha, este foi de longe muito superior ao de Portimão.
Num esteve um primeiro-ministro cheio de garra, no outro esteve um líder da oposição com a morte política anunciada.

2003-08-30

LAMENTÁVEL 

Achei vergonhosa a reacção dos advogados dos arguidos no caso Casa Pia, atacando com uma violência verbal que eu julgava ser impossível, o juiz Rui Teixeira.
Em causa está o método como as testemunhas, vítimas dos abusos sexuais, vão prestar declarações em tribunal (vídeo conferência).
Casou-me uma repugnância imensa ver aqueles senhores, alguns deles pagos principescamente, a usar de uma retórica que acabou por merecer uma rápida repreensão por parte da Procuradoria-Geral da Republica.
Para os senhores advogados, vale tudo. A vontade de absolver os seus clientes é tanta que nem importa que as vítimas, grande parte menores de idade, sejam sujeitas à enorme pressão de um interrogatório presencial, onde têm “apenas” de reviver os dias e os momentos em que foram abusados sexualmente.
Não estão preocupados com isso. Não é para se preocuparem com as crianças que lhes pagam. É sim para defender os seus clientes, passando por cima das mais elementares regras do humanismo.
Já só falta começarem a dizer que o processo Casa Pia é kafkiano, onde a justiça é cega e impessoal, o arguido não sabe do que é acusado e acaba inevitavelmente condenado por não haver outra alternativa ou possibilidade.
Oxalá tudo isto acabe depressa e que os arguidos que forem considerados culpados, sejam justamente punidos.


Super Taça Europeia 

Ontem o FCP, apesar de não ter jogado mal, perdeu com o A.C. Milan, quebrando o percurso de vitórias que vinha obtendo nas competições em que participara.
Recordando o que os seus adeptos fizeram esta semana em relação ao SLB, o sentimento mais normal era rir agora do FCP. Porém não é isso que aqui vou fazer até porque existem coisas que nos distinguem a nós seres humanos racionais dos néscios frequentadores das claques desordeiras e marginais que existem infelizmente por este país fora e que vão aos aeroportos receber e desejar boa-sorte a equipas de outros países.

2003-08-29

Left side 

Apesar de eu ter dito ontem que não classifico a música do ponto de vista ideológico, dividindo-a entre esquerda e direita, a verdade é que o concerto de ontem do Sérgio Godinho em Tavira, teve momentos que revelam a natureza de uma parte do público que estava a assistir. Sem cair no erro de generalizar reparei no seguinte:
- Completa anarquia nos lugares ocupados pela assistência e total desrespeito às orientações da organização.
- À porta, jovens da Juventude Comunista Portuguesa distribuíam o jornal da Festa do Avante.
- Lenços palestinianos, aqui e ali.
- Camisolas com o Che e uma outra que me chamou à atenção. Um jovem envergava uma t-shirt vermelha com a seguinte sigla: CCCP. Saudosista…
- Antes de uma das músicas um grito que se solta: - anti praxe.
- Não vi mas contaram-me hoje que lá atrás havia um certo aroma a charros a arder. Se calhar foi apenas uma impressão.
-Entre duas musicas, o cantor fala em utopia e ouvem-se de imediatos palmas (poucas), numa reacção programada de quem está à espera de ouvir a palavra-chave.
Ou seja, estava lá alguma fauna e pelos vistos também uma certa flora, que acabou por vibrar com as músicas do Sérgio Godinho, as quais reclama como sendo suas.
A mim não me incomodam. O que me incomoda é aquele sentimento de posse que por vezes revelam e a presunção que o monopólio da solidariedade e da qualidade, apenas a eles está reservado. Isso sim já me aborrece mais. Sobretudo quando sabemos que desse lado só vem a vontade e a conversa, nunca vem a prática e muito menos o exemplo.

Os jornais algarvios desta semana 

Sem querer entrar em grandes detalhes ou análises de fundo em relação à imprensa escrita algarvia editada esta semana e indo ao encontro do desafio que coloquei a mim mesmo e a eventuais visitantes deste blog, direi o seguinte.
Como é natural, estamos ainda em Agosto onde os factos que dão lugar a boas peças jornalísticas estão mais ausentes. Ainda assim, do que vi, há um claro destaque para o comício do PS em Portimão, onde mais não se diz do que aquilo que já foi dito e visto. Tentativa de causar mal-estar no seio do governo através de ataques a Paulo Portas, colocando-o como principal figura na gestão da coligação; afunilamento no discurso à esquerda em torno de uma alternativa ao actual governo, intervenção muito prolongada, etc, etc…
Relevo também para o rescaldo dos incêndios e aqui uma nota curiosa sobre o assunto. Na análise feita pelos principais responsáveis nacionais e regionais no sector do turismo e que é dada à estampa no Região Sul (RS) e no Jornal do Algarve (JA), dois títulos demonstram a confusão e a diferença de opinião e mesmo atitude em relação ao assunto. O RS escreve «Danos florestais não afectam a imagem turística do Algarve». O JA, por sua vez edita o título «Turismo pode ficar a arder». O assunto é o mesmo e os protagonistas também. Os jornalistas são, naturalmente, diferentes e o critério, muito mais.
Pessoalmente inclino-me mais para o título do RS que espelha melhor a situação actual.
Destaque, igualmente, para essa grande iniciativa que são os Dias Medievais de Castro Marim a qual eu recomendo vivamente uma visita na companhia de um bom repelente para mosquitos. O ambiente vivido no castelo castromarinense é de cortar a respiração, tantas são as maravilhas ali patenteadas na missão de criar um ambiente medieval. A autarquia de Castro Marim está, naturalmente, de parabéns pela dinâmica que tem posto em prática ao nível desta iniciativa.
Por fim, dos artigos de opinião que li, gostei muito do «Câmaras algarvias na Internet» escrito pelo João Nuno Neves no JA, por duas razões objectivas: A primeira, pela análise feita que obrigou a algum trabalho de investigação e que no essencial aponta para o actual estado das páginas oficiais das autarquias da região. A segunda, pela classificação (Excelente) que deu ao site de Tavira, no qual tenho muitas horas investidas, sobretudo na preparação dos conteúdos e gestão de notícias. Fica aliás a promessa que em breve vão haver surpresas no ciberespaço municipal tavirense, no sentido de melhorar ainda mais esta janela aberta para o mundo.
Pela negativa, mas com o meu desejo pessoal que melhore rapidamente, a apresentação e qualidade gráfica do jornal O Algarve que deixa de facto muito a desejar. Não de hoje que isso acontece e até agora pouco foi feito no sentido de a melhorar.

Três notas sobre o PSD/Algarve 

O Algarve Região publicou na semana passada uma notícia sobre cenários hipotéticos dentro do PSD/Algarve que na minha opinião não fazem o menor sentido.
Não pondo em causa o rigor jornalístico de quem a escreveu, tendo por base, certamente, fontes que se escondem no anonimato e aí podem afirmar de tudo um pouco, julgo poder afirmar que a notícia revela alguma fantasia e em nada relata a actual realidade.
Se não vejamos:
1 - A liderança de Isabel Soares não está em causa nem nunca esteve. Quem, por alguma estratégia pessoal, quiser interromper o mandato da actual direcção distrital, jamais terá sucesso. A análise do mandato é feita no fim, nunca a meio. Salvo algum acontecimento que possa por em causa o bom-nome do partido e o seu normal funcionamento, nada mais justifica a sua interrupção. No PSD os mandatos são para ser respeitados.
Ligar o nome de Luis Gomes a eventuais cenários de alternativa, nesta altura, apenas tem o objectivo de o prejudicar e lhe colocar nas mãos um problema que não é seu. Se quem o faz é por amizade a ele, não lhe presta um grande serviço. Se o faz por maldade, cedo ou tarde será julgado por isso.
Mais grave é adicionar o nome de Carlos Martins à confusão. Mais uma vez, o que se aplica a Luis Gomes aplica-se ao ex-presidente do PSD/Algarve, com a agravante de não ser esta a forma mais adequada de tratar um membro do governo. Se a notícia parte do interior do PSD, quem a deu não tem noção nem do ridículo nem da decência política.
Que eu saiba, as únicas pessoas que Carlos Martins protege são a sua família como bom chefe da mesma que é.
Já agora para fechar este capítulo, “martinistas” e “isabelistas” é algo que não conheço e que nunca ouvi falar a não ser nos jornais. No interior do PSD/Algarve isto não existe.
2 - Pelo meio a questão de Macário Correia candidato a outra autarquia que não seja a de Tavira.
O grande problema da opinião pública em geral e de alguma comunicação em particular, é pensar que todos os políticos se nivelam pela mediocridade e pela falta de palavra. A verdade não é esta.
Quem conhece o José Macário Correia, sabe que a palavra dada, é o seu maior património. Há quem pense, erradamente, que ele faz o mesmo que outros: diz uma coisa e faz outra.
Recomendo que se recordem o que disse o actual Presidente da República numa das vezes que esteve em Tavira: «- quem faz um acordo com o Eng. Macário Correia, pode ter a certeza que esse acordo será levado até ao fim e será cumprido.»
Qualquer outro comentário a mais subtrairia a importância que esta frase encerra.
3 - Por fim a questão de Faro. Eu não acredito que alguém da concelhia ou com responsabilidades políticas em Faro, equacione outra candidatura em 2005 que não seja a de José Vitorino, se essa for a sua vontade. Seria um erro político de palmatória, promover ou procurar outro candidato com a agravante de nos encontrarmos, actualmente, a meio do mandato. Aquilo que o presidente da autarquia necessita, nesta altura, é de apoio e tranquilidade para gerir o concelho e restituir-lhe a credibilidade que os socialistas deceparam. Já bastam aqueles que, sendo militantes do PSD ou de outros partidos, desejam ver José Vitorino bem longe de Faro. Os que estão no activo e com responsabilidades partidárias não têm outra alternativa se não partilharem da sua gestão como interlocutores privilegiados sem se imiscuírem na mesma, que foi a ele que o povo confiou.
Esta é a minha opinião.

In Algarve Regão – 29/08/2003

2003-08-28

Por hoje chega 

Tinha prometido fazer uma análise, superficial, à imprensa regional escrita que, na sua maioria, sai para a rua às quintas-feiras.
No entanto, estou com dois problemas objectivos que me impedem de o fazer neste momento:
1 – Estou cansado de olhar para o sacana do monitor. Tenho os olhos a arder…Hoje foi um daqueles dias em que ele foi a minha principal ferramenta de trabalho. Ainda por cima, ontem à noite em casa, estive explorando alguns blogs que ainda não conhecia e quando olhei para o relógio a brincadeira já me tinha custado umas horas de sono, as quais não fui capaz de recuperar, mesmo utilizando aquela velha técnica de dormir depressa, quando não há tempo para dormir muito. Para agravar a situação cheguei à CMT ainda não eram 7:30 da manhã, afim de tratar de assuntos inadiáveis a bem dos munícipes, claro está.
Naturalmente que quando cá cheguei, já o Chefe tinha pelo menos uma hora de trabalho em cima dos ombros, como aliás é hábito.

2 – Quero despachar-me o mais depressa possível, também, para não me atrasar ao compromisso da noite. Sérgio Godinho ao vivo e a cores em Tavira. A minha mulher vive dizendo que eu só gosto de música de esquerda. Não me incomoda nem me ofende, por duas razões muito simples. Em primeiro lugar porque é ela quem o diz e nestes casos o melhor é nem “passar cartão”. Em segundo lugar, porque, para mim, a boa música não é nem de esquerda nem de direita. É de quem a fez. E a do Sérgio é mesmo muito boa.
Com um “Brilhozinho nos olhos” de verdade, me despeço.
Até amanhã.

Algarve em grande destaque na blogosfera 

Tive ontem uma agradável surpresa no que à blogosfera diz respeito. Por casualidade fiquei a saber que neste nosso lindo Algarve, existem já vários adeptos, declarados ou mais ou menos assumidos, da dinâmica dos blogs.
Fiquei contente.
Dos que vi, gostei. Naturalmente, mais de uns do que outros mas, na generalidade, foram uma agradável surpresa. E não o digo por uma questão de cortesia. É algo que corresponde mesmo à minha opinião. Espero que o Almariado se não estiver ao mesmo nível dos seus conterrâneos, pelo menos não os envergonhe.
No fundo há um conjunto de pessoas que já colaboram com a comunicação social regional há uns anos e transferiram a paixão pela escrita e pela intervenção cívica e pública, para a blogosfera. Nada a apontar, muito pelo contrário.
Mais cedo ou mais tarde outros, mais renitentes agora, o farão. Porquê? Porque não custa nada e o tempo que se passa a escrever e a pensar nunca é tempo perdido. Seja para um jornal ou para um blog.

Dois acontecimentos importantes 

Hoje é dia de dois acontecimentos interessantes, aqui no Sotavento algarvio.
Em Castro Marim, começam os Dias Medievais que é já um evento de grande relevo e para o qual são esperados milhares de visitantes. A não perder.
Em Tavira, actua um dos maiores compositores do nosso país. Sérgio Godinho, vai pôr os seus admiradores com “Um brilhozinho nos olhos” a partir das 22:00 na Fábrica Balsense. Também a não perder.

Premonição II 

Pois é. Ainda bem que não vi.
Olhos não vêem, coração não sente.

2003-08-27

Premonição 

À hora que o SLB entrar em campo esta noite, estarei numa aula teórica do curso de mergulho. Ou seja, não vou ver o jogo. Será que me vou arrepender de ter passado os 90 minutos do encontro envolvido em tabelas de descompressão, baro-traumatismos, boas práticas de submersão, entre outros assuntos semelhantes? Ou por outra, vou, involuntariamente, evitar presenciar mais um desgosto?
Oxalá me arrependa de ter marcado a aula para esta hora…
VIVA O SLB!

P.S.- Vá lá rapazes. São só dois golinhos, sem sofrer nenhum.

Afinal somos muitos 

Nunca tive a presunção, nem perto disso, de pensar que era o único algarvio com um blog. Mas agora reparo que, felizmente, há muitos mais entusiastas desta nova modalidade de debate do que eu pensava. Falo de algarvios, naturalmente.
Isso deixou-me muito satisfeito e já tratei de colocar nos meus favoritos alguns deles para os consultar frequentemente.
Além disso, ando a ler umas coisas de html, que, como toda a gente sabe, é uma ferramenta fundamental para melhorar o blog. A coisa não está fácil e ser auto-didacta tem os seus problemas. Mas se consegui aprender, sozinho, os acordes básicos da guitarra e hoje até já arranho umas musiquitas, de certeza que o html não me escapa. É só uma questão de tempo e de muita experimentação.
Já agora: Viva os blogs do Algarve!!!

A arte de bem receber 

Hoje, mal abri a televisão para ver o noticiário das 8:00, assisti incrédulo à recepção feita aos jogadores da Lazio no Aeroporto Sá Carneiro no Porto. Nunca tinha visto algo semelhante.
Aproveitando o facto do jogo se realizar no Estádio do Bessa, logo na cidade do Porto, alguns elementos da claque dos Super Dragões, sim aquela que é especializada em arremesso de bolas de golfe à polícia e de espalhar o pânico nas áreas de serviço das auto-estradas, foram esperar a equipa da Lazio desejando-lhe que eliminem o SLB. Não sei de onde vem tanta amizade. Talvez tenha sido motivada pelo jogo displicente que fizeram contra o FCP nas Antas, nas meias-finais da Taça UEFA.
Talvez tenham a sorte do seu lado esta noite, mas o azar numa outra oportunidade. Talvez o FCP, que à partida irá disputar a mesma competição que a Lazio, tenha de voltar a medir forças com os italianos. O problema é se nessa altura já não são tão displicentes e passivos como foram na outra vez.
Por tudo isto só nos resta esperar que o SLB contrarie a vontade daqueles que foram dar as boas-vindas e desejar sorte aos italianos. Se isso acontecer, não sei se os Super Dragões terão vontade de se irem despedir dos jogadores da equipa de Roma ao aeroporto. Depois se verá.

2003-08-26

A imprensa escrita do Algarve 

De forma a aumentar o interesse, se é que ele existe, pela consulta deste blog, proponho a partir desta semana uma análise ou comentário à imprensa regional escrita que se faz por cá no reino dos Algarves.
Como é óbvio deixo ao critério de cada um os comentários que entenderem fazer.
Abram-se as hostilidades.

Felizmente há a SIC Notícias 

Abrir a televisão, à noite, pode constituir um momento de grande desespero e frustração. Claro que falo por mim e por mais ninguém, salvaguardando os gostos dos outros que não pensam da mesma maneira.
Na RTP1 levamos com aquele concurso do Nicolau Brayner que eu ainda não consegui ver um inteiro, isto é se antes não tivermos que nos confrontar com as malfadadas e estafadas Lições do Tonecas.
Na SIC é a habitual injecção de telenovelas brasileiras sem vazias no conteúdo mas bem preenchidas de caras bonitas, valha-nos isso. As caras bonitas, bem entendido. Antes ainda temos pela frente a estopada dos Malucos do Riso com um humor de fazer chorar as pedras da calçada. Tanto quanto sei é campeão de share, o que não admira.
Na TVI a injecção é de produto nacional mas a qualidade é discutível e vai até às tantas. Isto enquanto não chega o Big Brother 4 ou 5, já nem me lembro, que segundo parece trás momentos escaldantes à mistura. Pensava eu que aquilo não era cozinhado previamente e que os concorrentes se limitavam a agir sem premeditação ou orientação prévia.
Na RTP2, quase sempre esquecida, passam alguns filmes bons, mas alguns de tão bons que são acabam por ser uma seca e ninguém os vê. Quase ninguém.
Isto para quem não tem televisão por cabo.
Para quem paga uma mensalidade para ver televisão em casa, tem mais algumas alternativas mas que na sua maioria se traduzem num longo zapping que atropela os bons e os maus programas. Isto se a pessoa não for subscritora dos canas codificados que, naturalmente, apresentam um programação mais refinada. Uns filmes mais recentes e as transmissões desportivas, podem naturalmente fazer as delícias de um serão televisivo.
Deixo de parte os canais das gajas nuas que na minha casa estão proibidos, não por falta de interesse meu, mas porque as decisões são tomadas por unanimidade. Confesso que também não me estou a ver a pagar para ter disponível, dois canais que só passam filmes pornográficos ou muito perto disso. Ainda não estou assim tão deprimido.
Entre um canal e outro lá se consegue ver um programa interessante, mas no geral a programação da própria TV Cabo não é muito famosa, para não dizer que é mesmo muito fraca. O canal Hollywood, passa repetidamente os filmes que estrearam no princípio da década de 90. Depois faz-nos o favor de os repetir com insistência. O Batman, por exemplo, já o vi, aos bocados, pelo menos umas seis vezes.
Felizmente há a SIC Notícias e mais dois ou três canais de documentários e informação com a CNN à cabeça, naturalmente, mas com a particularidade de ser falado em inglês o que afasta uma série de pessoas. Eu próprio tenho alguma dificuldade em entender aquele inglês (americano) rasgado ao bom estilo do Far-West.
Quanto à SIC Notícias, este é talvez o projecto mais audacioso feito em Portugal em matéria de comunicação social. Não é fácil num país como o nosso aguentar um canal especializado como este. É obvio que repetem, muito, as notícias com o objectivo de informar o maior número de pessoas que não acompanhando a emissão e ligam pontualmente o televisor para saber como vai o Mundo. Mas é, sem dúvida alguma, um exemplo de serviço público no nosso país.
Em alternativa a isto tudo, há os livros, as revistas, a música, a Internet, a playstation, o passear na rua, o ir ao cinema ou simplesmente não fazer nada.
Uma coisa é certa, a televisão em Portugal em prime-time deveria ser alvo de um debate sério sobre o nível cultural que almejamos para o país. A vida não é uma telenovela e muito menos um reality show. A vida é saber, é conhecimento, é o preservar a nossa língua enquanto património. E esta também é uma responsabilidade dos canais que todos os dias no entram pela casa dentro.

2003-08-25

O comentário da jornada futebolística. 

Como já tinha dito anteriormente, os comentários à jornada da Super Liga estariam sempre dependentes do meu bom-humor à segunda-feira pela manhã. Hoje o dia nem começou muito bem, mas a alegria de ver o FCP a perder dois pontinhos na Reboleira, aguçou-me o apetite.
Pelo que vi e percebi o SLB não jogou bem mas cumpriu a missão. Lá na frente as coisas não estão bem, sobretudo devido à falta de um ponta de lança de qualidade. O Feher ainda não demonstrou que é esse ponta de lança. Em qualquer dos casos pareceu-me ser uma vitória sem contestação.
O SCP, a avaliar pelo resultado, fez um grande jogo com o mérito acrescido de ter jogado num relvado próprio de um estádio do terceiro mundo. Logo, foi necessário aplicar-se, ainda mais, para vencer os homens do Restelo. Fora de brincadeiras, é curioso ver o estado lastimável em que se encontra o relvado do Alvalade XXI. Presumo que alguém será responsável pelo facto de um relvado acabado de estrear, se encontrar naquelas condições.
Quanto ao FCP, como sabem ou ficam a saber, é sempre uma grande alegria vê-lo perder pontos na classificação. Não é que isso adiante muito, na medida em que, na minha convicção, este ano serão bicampeões. Só venderam um jogador que foi rapidamente substituído por outro de características semelhantes e conseguiram manter a estrela da companhia, o Deco. Em relação ao Vítor Baia que sofreu um golo daqueles que deixam marcas num jogador, acho recomendável que tome mais atenção no futuro, tendo em conta que o terceiro guarda-redes do Porto, um tal Nuno não sei das quantas, até já foi chamado à selecção A.
Por hoje em matéria de futebóis ficamos por aqui. No entanto se alguém quiser fazer algum comentário, será recebido com redobrado prazer.
Saudações desportivas.

2003-08-24

Ferro ferrugento 

O discurso do secretário-geral do PS nem entusiasmou o mais empedernido militante socialista. Foi longo, palavroso, inestético, artificial, forçado, tenebroso, fraco, sem chama, sonolento, entediante, imperceptível. Pôs a dormir quem não tinha sono. Aliás se repararem nos camaradas que estavam nas suas costas, o que não estava a bocejar estava a olhar para o céu a contar as estrelas.
Não é que me faça muita diferença, mas os responsáveis pelo marketing e pela comunicação do PS, já deviam ter providenciado aulas de dicção ao coitado do Ferro que quando está a falar fica com aquela cara de batráquio em período de desova.
Depois aquela estratégia de fragilizar o governo e o PSD, através de ataques ao Portas, dá vontade de rir. Talvez o Ferro não saiba mas no PSD e quiçá no governo, há quem aprecie muito menos que ele, a pessoa que ocupa o lugar de Ministro da Defesa. Logo, quando os ataques são dirigidos ao ex-director «de um jornal de escândalos» nem danos colaterais atingem o PSD.
Acho que um líder da oposição assim, é exactamente aquilo que um governo mais deseja.

2003-08-23

Mergulhos 

Mais uma excelente manhã para o mergulho, apesar do vento de Sudoeste que começou a soprar e agitou o mar. Lá em baixo, a 12 metros de profundidade, a pedra de Cacela esperava por nós, permitindo-nos contemplar toda a sua fauna e flora. Infelizmente não havia muito peixe, mas a água estava com boa visibilidade o que acabou por permitir uma boa meia hora de passeio sub-aquático.

2003-08-22

Jerusalém 

A blogosfera foi, decididamente, invadida pelos acontecimentos trágicos ocorridos nos últimos dias em Israel. Ninguém consegue ficar indiferente e basta percorrer alguns dos mais concorridos blogs do panorama nacional para facilmente percebe a importância que os acontecimentos deste tipo têm para aqueles que gostam e se preocupam em dar opinião sobre a vida e o Mundo.

Blaster 

Ontem à noite, mal pus um pezinho no ciberespaço, fui logo brindado com a fava do bolo-rei. O Blaster, esse vírus manhoso que reinicia os computadores sem ninguém lhe pedir, mudou-se de armas e bagagens para o interior do meu CPU. Expliquei-lhe, com modos, que não era bem-vindo e que até, eu próprio, não via com muito bons olhos a sua presença. Se eu não o convidei para vir à festa de inauguração do meu novo monitor TFT de 15 polegadas, quem era ele para se fazer passar por convidado e participar dessa orgia de qualidade gráfica que agora tenho no meu reduto informático?
Não me fez caso nenhum. Por duas ou três vezes reiniciou o computador sem que eu nada pudesse fazer.
Chateei-me a sério. Fui buscar o patch à página da Microsoft e, sem tréguas, corri com ele.
Fiquei, entretanto, a saber que o tipo é mesmo abusador. Sem que o chamem ele aparece da forma mais displicente possível, para depois reiniciar os computadores contaminados, num carrossel de provocação, convencido que quem manda ali, é ele.

2003-08-21

Citações 

Política é crer.
Olof Palme (1927-1986)

Uma referência ao Drº Francisco Dias da Costa.
No blogue do José Pacheco Pereira, Estudos Sobre O Comunismo, encontrei um texto que, naturalmente, me chamou à atenção. Trata-se de uma nota biográfica do Drº Francisco Dias da Costa, recentemente falecido, ao qual a Câmara Municipal de Tavira apoiou na publicação do seu último livro «Incómoda Memória». Antes disso, na comemoração dos 29 anos da Revolução de Abril, a autarquia, através do seu Presidente, prestou-lhe o devido reconhecimento pela sua participação no processo democrático pós-revolucionário na cidade.
Por essa altura, tive a oportunidade de trocar algumas palavras, de circunstância, com ele mas deu para perceber que se tratava de uma pessoa extremamente educada e de muito bom trato.
Fica aqui o relato feito por alguém que se interessa verdadeiramente pela história do comunismo e dos homens que lhe deram corpo.


«Notas Biográficas – Francisco Dias da Costa
Évora, 1923- Tavira , 8/8/2003)

Advogado e escritor. Ligado ao PCP desde o fim da década de 40. Militante do MUDJ foi preso em 1947. Participou na campanha eleitoral de Norton de Matos em 1949. É preso de novo em 1955. Activista da campanha de Humberto Delgado em 1958. Residente no Algarve desde 1959, actuou a partir daí nos meios locais da oposição. Em 1970 fez uma viagem por vários países socialistas de que resultou uma memória intitulada No mundo dos lilases: breves notas de viagem à Checoslováquia, à União Soviética e à Polónia passando pelas Alemanhas, 1970
Em 1973 apresenta uma tese com o título de O Povo português a caminho da Democracia ao III Congresso da Oposição Democrática.
Depois do 25 de Abril foi membro do Conselho Português para a Paz e Cooperação e da União de Resistentes Antifascistas Portugueses. Era membro da organização do PCP de Tavira.
Dias da Costa era autor de uma larga bibliografia que incluía poesia, textos sobre temas algarvios. Entre os livros que publicou inclui-se Canto da longa madrugada: para os heróis proibidos (1978); Concerto em sol maior (1979 ); Anamnese da esperança e outros poemas (1981).; A meditação da esperança: poemas. (1988); Maravilhoso Guadiana: as grandezas, as misérias, o mistério (1991); O outro lado: poemas (1995) ; Floridas na pedra: a hidrografia do Vascão e a Serra do Caldeirão ou Mu: o homem e o meio (1996) ; As apóstrofes e outras páginas: poemas (1997).
O seu último livro foi Incomoda Memória (2003).

Fontes:

Avante!, 14/8/2003 ;

Imprensa local algarvia, Agosto 2003»

In Estudos Sobre o Comunismo a 20/08/03
www.estudossobrecomunismo.blogspot.com

Corrupção
«A partir de Setembro, 519 médicos começarão a ser julgados, em comarcas de todo o país, por corrupção passiva. São clínicos que, desde os anos 90, terão recebido verbas - cuja totalidade não está totalmente apurada, mas que se cifra na ordem das "centenas de milhares de contos" - para prescrever determinados medicamentos aos doentes. »
In Público de 21/08/03

Para aqueles que estão convencidos que a corrupção existe apenas na política, recomendo que acompanhem este caso com atenção.
A política e os políticos são o elo mais fraco na opinião pública. Os médicos são das classes mais distintas da nossa sociedade. Pode-se então generalizar afirmando que a política é só corrupção e que os médicos estão acima de qualquer suspeita? Naturalmente que não.
O importante é que não se confunda a árvore com a floresta.
Em todos os sectores da sociedade existem atitudes boas e más. Gente honesta e desonesta. O problema é que apenas na política, a corrupção assume visibilidade mediática. A opinião pública, essa, até chora de alegria ao ver um político crucificado na praça pública, tenha ele culpa ou não.

2003-08-20

A rentrée de Soares
Mário Soares esteve ontem em Évora numa iniciativa do PS, na qual, segundo o Público, produziu afirmações que não devem passar em claro.
Numa análise superficial retiram-se três notas muito simples.

Primeira: Mário Soares não aprecia a gestão de Ferro Rodrigues, a qual considera «silenciosa, temerosa, ambígua e indecisa».

Segunda: Mário Soares defende uma coligação com o PCP como alternativa a uma maioria absoluta, à qual agora é grande defensor. Estava eu convencido que ele pensava que as maiorias absolutas amordaçavam a liberdade das pessoas, restringiam o debate político e eram um passo para a arrogância e a austeridade de quem governa. Pelos vistos mudou de opinião. Não é a primeira vez que o faz e, de resto, não vem mal nenhum ao mundo que assim seja.

Terceira: António Guterres não é, definitivamente, o seu modelo de dirigente, nomeadamente no que toca à Internacional Socialista e prefere uma esquerda mais à esquerda e menos próxima do centro, o mesmo é dizer: Mr. Blair, shame on you.

Por fim fica ainda uma referência a Paulo Portas com o qual mantém uma guerra surda no confronto, mas palavrosa nas considerações.
Estão bem um para o outro.

Aos interessados pelo estado da política portuguesa, não deixem de ler o editorial de hoje do Público da autoria de Eduardo Dâmaso.

Morreu um amigo de Portugal e um aliado da Paz.
A morte de Sérgio Vieira de Mello inundou, também, a blogosfera.
Sinal atento dos autores de blogs, que não podiam ficar alheios a tão trágico acontecimento.
Portugal sente esta perda de maneira diferente. Tínhamos em Vieira de Mello, um precioso aliado na questão timorense que tão cara nos foi no passado e tão importante continua a ser no presente.
Foi também a oportunidade gorada de em breve podermos ter a língua de Camões na boca do, mais que provável, secretário-geral da ONU. Com o seu desaparecimento, a diplomacia mundial ficou mais pobre e o universo terrorista mais perverso.
O primeiro-ministro de Portugal, disse-o ontem de forma categórica aquilo que muitos não viram e ainda não vêm. O terrorismo é um mal absoluto em si, que nos obriga a combate-lo sem tréguas e de forma veemente.
Quem se perde na conversa bacoca de paz podre a qualquer preço, deixando ao livre arbítrio as movimentações terroristas, não pode estar consciente do perigo que isso representa.




2003-08-19

"O interesse em encorajar a liberdade de expressão numa sociedade democrática supera todos benefícios teóricos mas nunca provados da censura"

decisão do Supremo Tribunal dos E.U.A.

2003-08-18

Uma recepção bonita e genuína.
Mais uma segunda-feira de Agosto, depois do frenético fim-de-semana prolongado (para alguns).
Ainda sobram as imagens da chegada dos ciclistas do Tavira à cidade, com a população mais aficionada às bicicletas, teimosamente à espera.
O Presidente não se fez rogado e para animar a malta até tocou caixa, com as Pérolas do Gilão que através da sua precursão manteve o povo acordado e na expectativa.
Perto da 1:30 chagavam os bravos do pelotão, ao som do “We are the Champions” e com eles o Nelson Vitorino que não só fez um magnífico 4º lugar na Volta como ainda completou 28 primaveras e para isso teve o Salão Nobre dos Paços do Concelho a entoar os “Parabéns a Você”. Duvido que tão cedo se esqueça.
A noite acabou já tarde, mas o esforço foi altamente compensador. Pena é que o trânsito tenha atrapalhado os nossos ciclistas. Se assim não fosse, tinham chegado a Tavira perto das 23:30 com a baixa da cidade inundada de gente que parou durante uma hora para ouvir as magníficas serenatas de Coimbra, incorrectamente aplaudidas no fim de cada fado. Mas isso é outra história. O povo estava satisfeito e isso é o mais importante.
Só não percebi uma coisa. Haviam rostos na recepção aos ciclistas que não estavam satisfeitos. Será que preferiam que o Presidente da Câmara não recebesse os valorosos atletas.
Isso é que dava notícias…

“Para lamentares” de meia tigela.
De facto os parlamentares do PSD já conheceram melhores dias.
Primeiro um tal de Sr. Silva que a coberto da imunidade parlamentar, vai evitando responder a um processo judicial que corre contra si. Não sei se a situação se mantém inalterada ou se já houve alguma evolução. O que é certo é que até há pouco tempo, esse senhor passava grande parte do dia refastelado numa cadeira do hemiciclo sem abrir a boca, dando a pior imagem possível da política e dos políticos.
Agora, consta que a grande estrela televisiva e também deputada Maria Elisa, meteu baixa no Parlamento para ir trabalhar para a RTP. Das duas uma: ou andam a brincar com o país ou então está tudo louco e portanto estes comportamentos são perfeitamente admissíveis.
Penso que a questão dos candidatos está por demais conversada e debatida. As Distritais dos partidos, nomeadamente do PSD, não conseguem fazer valer argumentos, que na realidade são legítimos, quando reclamam para si uma maior autonomia na escolha dos candidatos.
Ano após ano, eleição após eleição, o cenário é quase sempre o mesmo. As Distritais organizam uma votação interna que no fundo de nada vale. Os mais votados nem sempre constam das listas e os que nem sequer foram a votos, aparecem em lugares cimeiros independentemente de serem da região ou não.
Na última lista do PSD/Algarve isso aconteceu. Em relação ao mais votado no acto eleitoral interno, fez-se alguma justiça, mais tarde, ao ocupar um lugar no Parlamento Europeu. Mas há quem nem tenha sido votada, apesar de aparecer nas listas num lugar muito confortável. Não nasceu no Algarve, nem nunca cá viveu.
Uma coisa fique bem clara: quem tem culpa não é quem é chamado(a) para ocupar lugares em distritos que nada lhe dizem. Os culpados, verdadeiramente, são os dirigentes e militantes que aceitam estas regras impostas, à força, do género: - come e cala.
Assim sendo, é normal que as Marias Elisas deste país, de vez em quando, aterrem nas listas do PSD e se dêem ao luxo de gozar com a nossa cara. No dia em que os estatutos do partido forem absolutamente claros nesta questão, dando a primazia da escolha às bases através das suas direcções locais e regionais, este regabofe vai acabar.
Mas também há a outra face da mesma moeda.
Eu ainda me lembro do que aconteceu em 1995 quando numa votação feita sob sindicato de voto e combinações prévias, os nomes de Macário Correia, Mendes Bota e até José Vitorino, ficaram de fora. Se em relação ao último tratava-se de alguém que tinha estado algum tempo afastado do PSD, os primeiros dois eram quadros de topo do partido, aos quais deveria ter sido dado outro tratamento mais dignificante. Macário Correia acabou por ser candidato por Lisboa e Mendes Bota foi “repescado” pela direcção nacional do PSD para ocupar o 4º lugar da lista de candidatos, contra a vontade de grande parte da direcção distrital. Nessa altura, era eu um atrevido líder da JSD/Algarve e disse na cara da direcção do PSD/Algarve o mesmo que estou a escrever aqui.
Tudo isto para dizer que a questão se resume a uma faca de dois gumes. Por um lado é o autismo da direcção nacional que escolhe quem bem lhe apetece. Por outro é a ganância de alguns dirigentes distritais de colocar a todo o custo os próprios ou os amigos, preterindo aqueles que melhores condições possuem para desempenhar os cargos.
No dia em que não for possível incluir Marias Elisas nas listas, não teremos que passar pelos vexames que agora passamos de ver o nome do PSD associado à mesquinhez e ao calculismo como agora acontece.
Isto não é perseguição política a ninguém. É, sim, a mais elementar justiça. Para fazer o que estes lá fazem ou fizeram, não falta por aí gente boa que muito tem dado ao PSD e que merece muito mais.

2003-08-17

Bravo Clube de Ciclismo de Tavira
A equipa do Clube de Ciclismo de Tavira, mais conhecida por Porta da Ravessa / Bom Petisco Tavira, encerrou a sua participação na 65º Volta a Portugal em Bicicleta, com resultados extraordinários.
Tendo em conta as dificuldades que o Clube de Ciclismo todos os anos enfrenta, a participação deste ano deixa no ar uma imagem de grande dignidade desportiva, não só individual mas também colectiva.
O Nelson Vitorino e o David Blanco, tiveram o “atrevimento” de se classificarem dentro dos cinco primeiros lugares e a equipa, no seu colectivo, classificou-se em segundo atrás da poderosa equipa do Maia e à frente do Bombarral cujo ciclista Nuno Ribeiro venceu de forma extraordinária.
Por tudo isto, Tavira tem motivos para se orgulhar. Por tudo isto, os tavirenses têm razões de sobra para nesta noite de Verão se dirigirem à baixa da cidade e aí receberem os nossos ciclistas.
Valeu a pena.

2003-08-16

Os ciclistas do Tavira
A Volta a Portugal entra hoje no seu último dia com a mais antiga formação do pelotão nacional em grande destaque. O Porta da Ravessa/Bom Petisco Tavira, pois claro.
Segundo lugar na geral por equipas, ao que se juntam o quarto e o quinto lugar na classificação individual, com Nelson Vitorino e David Blanco respectivamente.
Ontem foi aliás um momento em que os bravos ciclistas do Tavira se revelaram grandes atletas. O Nelson Vitorino subiu à Senhora da Graça num ritmo fantástico e se tivesse tido mais ajuda no início da subida ou um pouco antes dela, muito mais podia ter feito. Calhou-lhe a missão de ajudar o David Blanco que estava no terceiro lugar da geral e que ontem teve grandes dificuldades no fim da etapa, acabando por perder tempo.
Há mesmo uma imagem em que se vê o David a descolar do grupo da frente e o Nelson à espera que ele reagisse para o levar para o alto da Senhora da Graça. Acabou por ser o Nelson a chegar primeiro. Restam agora duas etapas sendo a última um contra-relógio onde estes ciclistas podem perder algum tempo. No entanto oTavira já tem motivos de sobrar para comemorar. Sendo uma das formações de menores recursos financeiros, é uma das maiores em brio profissional e desportivo.

2003-08-15

Uma vez mais a tragédia dos incêndios
É por excelência nos períodos de calamidade, que a ausência de meios para lhe fazer face, leva a que o discurso da opinião pública, em geral, desagúe na foz do desespero. É compreensível.
No caso dos incêndios que lavram em Portugal, principalmente os do Algarve, vêm-nos à memória a imensa carência de meios dos nossos bombeiros. Infelizmente, alguns quartéis de bombeiros no nosso país confundem-se com museus. Há viaturas no combate às chamas com 30 e mais anos. Aliás, basta vê-las na televisão para perceber que não são recentes.
Ontem há noite, um dos Comandantes a trabalhar na frente dos incêndios algarvios queixava-se disso mesmo. «Tenho homens mas não tenho máquinas» dizia. É aqui que porventura a facilidade da nossa imaginação e do nosso pensamento é assaltada pelos estádios do Euro-2004. Bem sei que o assunto está estafado e que por qualquer coisa vem logo à liça o “drama” dos estádios. O assunto é recorrente, mas num país como o nosso onde a vida e o dia-a-dia ainda é um cenário de dificuldades, ninguém com bom senso poderá deixar de recordar que o dinheiro agora gasto nos estádios resolvia um conjunto de carências de norte a sul de Portugal.
Naturalmente que o país vai ser posto à prova e que a consequência da sua aprovação pode representar uma mais valia na afirmação de Portugal como uma nação de prestígio mundial onde os seus habitantes têm um sentido de oportunidade voltado para os novos desafios do futuro.
O problema é que o homem que tem a responsabilidade de apagar o fogo que consome a nossa floresta, está condicionado pelo facto do material disponível já não ser capaz de fazer face às dificuldades com que se depara.
O problema é que as pessoas que assistem impotentes ao consumir do seu património, provavelmente seriam mais felizes de ver as corporações de bombeiros com meios suficientes para debelar o fogo em vez de ver o Figo e o Rui Costa a entrarem vestidos com a camisola das quinas num bonito estádio de Portugal.
O problema é que o dinheiro não chega para tudo e, neste caso específico, as prioridades estão invertidas.


2003-08-14

CITAÇÕES
A obrigação de um cidadão é nunca se calar.
Gunther Grass

O almariado nos jornais
Percebi hoje durante o dia, que o texto “Prima Donna” escrito a propósito do passeio no Guadiana organizado pelo PSD/Vila Real de Santo António assumiu foros de notícia num jornal de tiragem nacional com um destaque que eu considero despropositado.
Salvaguardando, obviamente, o critério jornalístico de quem entendeu escrever e publicar o episódio vivido a semana passada à volta do dito texto, certamente viu no assunto um interesse que eu próprio não lhe dou.
Li a notícia, já que cita o meu nome, e constatei coisas que merecem alguma atenção e comentário.
A questão do texto, escrito por mim não ser sigiloso, é verdade. Mas não é pelo facto de ter sido editado no blog. Tenho a humildade suficiente para saber que, não sendo através da minha pessoa, ninguém teria tido conhecimento do texto naquele dia (4 de Agosto).
É também fácil de comprovar que no blog o texto foi publicado pelas 13:11, embora o e-mail tivesse sido enviado às 12:03. Segundo me foi dito no próprio dia, a essa hora (13:11) já o texto era do conhecimento de outras pessoas que não aquelas que eu inicialmente escolhi como receptoras. Logo não foi através do blog mas sim do e-mail que o texto foi parar a Lisboa, como aliás é referido.
Foi dito também que eu tenho «opiniões muito próprias». Claro que sim. Nem podia ser de outra maneira. O que é preto é preto. O que é branco é branco.
Quanto à conspiração contra o secretário-geral, o melhor é nem fazer caso. O autor do e-mail e a as pessoas que o receberam são apoiantes da actual direcção nacional do PSD e fervorosos defensores deste Governo.
Mas tudo isto já não tem, sequer, assunto e a ter havido vontade em prejudicar alguém, não era a mim seguramente.
A partir de hoje o blog almariado saiu do anonimato. Teve o seu momento de glória ao ser citado numa notícia de jornal cuja tiragem permite deduzir que muita gente a leu, na qual lhe era feito referência.
Uma coisa é certa. O secretário-geral do PSD, enquanto dirigente, não está acima da crítica nem do reparo. Quem é eleito está permanentemente a ser alvo de avaliação. De resto é assim em todas as estruturas democráticas.
Eu e muita gente, não gostámos do seu distanciamento no Peninsular. Tínhamos preferido que ele tivesse cumprimentado e convivido com os seus companheiros. Tínhamos preferido ouvi-lo falar publicamente, mais que não fosse para agradecer a presença de todos. Tínhamos, certamente, preferido saber o que está o PSD a pensar fazer nos combates políticos que se avizinham. Mas sobre isto, nada. Nem uma palavra. Apenas, a meio do percurso, um – adeus até à próxima – e só para alguns.
Esta não é, nem nunca foi, a prática habitual dos dirigentes nacionais do PSD.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa quando vinha ao Algarve a iniciativas do partido, nem chegava a jantar só para ter a oportunidade de cumprimentar todos os presentes e no fim ainda ia à cozinha felicitar a cozinheira e os empregados de mesa. O Drº Durão Barroso tinha um gesto semelhante falando e cumprimentando toda a gente.
Porque terá agora de ser diferente? Só porque estamos no Governo? Será que devido às quebras das receitas fiscais, a Drª Manuela Ferreira Leite arranjou um imposto para aqueles que dizem Bom Dia?
Não faz sentido.
Como também não faz sentido transformar tudo isto numa cena maquiavélica, para atingir terceiros.
Uma coisa é certa: alguém quis fazer mal a alguém. Resta saber quem.






2003-08-13

Acontece ou aconteceu…
Está em discussão em vários blogs, a não transmissão do programa Acontece, o mesmo é dizer o seu fim.
Na maior parte dos caos são feitas alusões positivas ainda que salpicadas de reparos que vão desde o falar sempre bem de tudo, como se esse tudo fosse sempre de boa qualidade, até ao facto de apenas ser notícia os eventos culturais de Lisboa e alguns do Porto.
Unânime, porém, é a categoria do apresentador que no alto da sua carreira está acima de qualquer suspeita. Aí eu corroboro.
É sabido que um dos critérios que presidiu ao encerramento do Acontece foi questões orçamentais. Justa ou não, foi uma decisão tomada por este governo sobre a batuta do ministro da tutela Morais Sarmento.
Se é bem verdade que o dinheiro dos contribuintes deve ser gerido de forma rigorosa e que o desperdício e o luxo deve ser controlado e se possível evitado numa altura como a que vivemos, não é menos verdade que a RTP 2 deveria ser, por excelência, o canal onde programas como o Acontecem fazem todo o sentido e na minha opinião não é nem lixo nem desperdício.
Pode, eventualmente, a mensagem do programa não ser a mais equilibrada ou isenta, usando sempre a mesma bitola quando toca a classificar livros, música, espectáculos, artes plásticas, por aí fora. Nem tudo o que passou pelo Acontece foi bom. Mas o que é realmente bom, também por lá passou.
A revolta maior é, na opinião de muitos, o virar de agulhas na programação televisiva. O que faz falta são programas capazes de prender audiências, o mesmo é dizer: Reality shows, telenovelas ou concursos onde seja posta a prova a capacidade de um cidadão se humilhar o mais possível para no fim levar uma magnífica torradeira para casa.
Acho que os programas na linha do Acontece não se medem pelo número de voltas ao mundo que o seu orçamento suporta. O critério deve, neste caso, ser outro. Caso contrário é preferível assumir que a televisão do Estado deve entregar-se de alma e coração ao “tele-lixo” porque esse sim, não custa dinheiro aos contribuintes, paga-se a ele próprio. Mas não deixa de ser lixo.

Hoje somos poucos, amanhã seremos muitos, depois de amanhã seremos milhões.
Enviei ontem a um conjunto de amigos, um convite para participarem como membros efectivos deste blog almariado.
Foi com grato prazer que já recebi algumas respostas positivas na expectativa que ao longo do dia de hoje se repitam mais. Também fiquei ontem a saber que o blog já foi descoberto por um jovem jornalista, o que eu espero não intimide alguns dos membros a pronunciar as suas ideias. Eu próprio vou dar conta do endereço de uma forma pública para que toda a gente saiba que este espaço não é de conspiração escondida contra ninguém.
Todos os contributos válidos estarão no ciberespaço, “à mão de semear”.
Deixo também um repto aos convidados que são livres de trazerem até nós novos membros, os quais com todo o gosto serão aceites.

2003-08-12

A caminho do fogo
Agora mesmo cruzei-me com o meu Presidente. Estava a sair à pressa em direcção a Monchique e a Aljezur. Pelo que me disse a coisa lá para aqueles lados está muito complicada. O fogo continua a alastrar e o drama vivido a semana passada no interior centro de Portugal transferiu-se para o sul.
Só me resta manifestar a mais profunda consideração e respeito pelo trabalho dos bombeiros e solidariedade pelas vítimas da catástrofe.
Quando será que isto acaba?

Obrigado aos amigos…Excelente o repasto de hoje com alguns daqueles que são os meus verdadeiros amigos. Não estavam todos, mas os que estavam eram bons.
As 32 primaveras já cá cantam, com a vontade de para o ano repetir este post.

O nosso Algarve continua a arder
O nosso Algarve, infelizmente, não foi a excepção da catástrofe incendiária que assolou Portugal. Naturalmente que as zonas de Monchique e Aljezur são as mais vulneráveis aos ataques dos criminosos que queimam uma das nossas maiores riquezas como é a floresta.
O Presidente Carlos Tuta estava ontem e antes de ontem, a ser massacrado pela tragédia e pela dificuldade das operações e daí até começar a pedir responsabilidades a terceiros foi um salto. Sem por em causa a legitimidade e a razão para o fazer, não é na frente dos incêndios o local mais indicado para o dizer. Ali, o mais importante é debelar o fogo e salvar as pessoas e os seus haveres. O pedido de responsabilidades deve ser feito noutro local e noutra circunstância. Caso contrario sobra a dúvida de aproveitamento circunstancial.

2003-08-11

Ah fadista!
A noite era de calor. Quando cheguei a sala (claustro da fábrica) já estava completa. Pelas minhas contas rondavam as 800 pessoas, mais coisa menos coisa.
Depois de dois dedos de conversa as luzes apagam-se e o espectáculo vai começar.
Conforme previsto, entra um indivíduo baixote acompanhado por três músicos, sendo dois já esperados e um terceiro que não deixa de causar alguma surpresa, na minha opinião agradável. O uso do contra-baixo no fado introduz-lhe uma sonoridade espectacular.
Uns segundos mais à frente e os cerca de 1600 ouvidos eram brindados com uma voz que já não deixa ninguém indiferente. O Camané estava no palco a cantar o fado como só ele sabe fazer.
Foi uma hora e meia, encore incluído, que fez levantar o nosso ego lusitano de termos como nossa esta magnifica forma de arte que é o fado.
Quanto ao Camané, está tudo dito. É simplesmente a melhor voz masculina da actualidade a cantar o fado.


2003-08-09

Rodrigo (coração de) Leão.
Assisti ontem pela primeira vez ao concerto do Rodrigo Leão nesse palco quase mítico da Fabrica Balsense, renascida do esquecimento, agora transformada numa importante sala de espectáculos do Algarve.
Confesso que gostei. É um som diferente salpicado com harmonias pós-modernas e canto lírico. Nota máxima para a cantora Ângela Silva que ia buscar agudos onde eu estava convencido que não existiam. A “gordinha” Celina não só tocou como encantou e até dançou e pôs o público a suplicar por mais. De assinalar também a simpatia do Rodrigo Leão que no primeiro encore brindou o público com três temas para depois regressar pela terceira vez.
Quem lá foi deu o tempo por bem empregue. Quem não foi devia ter ido e quem saiu ao fim da segunda música perdeu um bom espectáculo. Não é possível estar em todo o lado ao mesmo tempo…por enquanto.
Hoje é o Camané. De certeza que será um dos melhores concertos do Verão em Tavira. Estou pelo menos convencido disso. Depois conto.


2003-08-08

Fogo que arde e se vê
Portugal continua a arder naquela que é a maior catástrofe nacional do recém-nascido século XXI.
As notícias não falam de outra coisa, resta saber se depois do fogo apagado e da situação controlada haverá força para nessa altura iniciar um debate que na minha opinião falta fazer:
-Que floresta querem para Portugal? (Se é que querem)
-Que medidas de prevenção e de punição vão ser tomadas para o futuro?
-Têm os Bombeiros meios à altura para combater o flagelo?
-Que pensa o governo sobre o assunto e que medidas irão tomar?
De momento só nos resta ser solidários com a população que sofre ajudando-a através das campanhas de recolha de fundos e lamentar as vidas que se perderam.
Uma coisa é certa: as coisas como estão não podem continuar.

2003-08-05

Sinceridades
O exercício do diz que disse é dos mais pródigos que existe no nosso país. A intriga começa normalmente por este sentimento verdadeiramente enigmático do quem conta um conto acrescenta um ponto.
Confesso que nem sempre tenho uma visão clara das pessoas com quem normalmente me dou e na política, tal como na vida, é preciso saber com quem falamos. Eu nos meus anos de militância efectiva no PSD, habituei-me a fazer política sobretudo com as pessoas de quem gosto. Costumo até dizer que não consigo dissociar a amizade da política e a experiência tem-me revelado que quando tenho à minha volta pessoas que não são minhas amigas o meu relacionamento político com as mesmas é mais difícil. De resto tenho coleccionado alguns dissabores à custa disso…
Dissabores que nunca são muito relevantes, tendo em conta que as coisas só têm a importância que nós quisermos dar.
O que eu não gosto mesmo é que não me contem a verdade em coisas que me envolvem a mim directamente. Pior do que isso, é quando alguém se arma em bom samaritano sem o ser.
Enfim, o calor tem sobre as pessoas um manifesto efeito de desequilíbrio, não só físico mas também psíquico.
O pior é que o calor veio para ficar…

2003-08-04

Prima Donna
A subida do Guadiana, ontem, foi a quase todos os títulos um momento de grande confraternização.
Seria a todos os títulos se um senhor ministro ali presente tivesse tido um comportamento mais próximo das pessoas que o elegeram e as quais ele também representa. Não o tendo feito, fica a ideia que para o dito cujo, o passeio não passou de uma grande estopada onde teve que compartir a embarcação e a viagem com um grupo de pessoas que no seu entender não estão à sua altura.
Nota positiva para um secretário de estado algarvio, que fez as honras da casa na companhia do mais jovem deputado social-democrata, também algarvio, cuja simpatia e cordialidade a todos deixa sentimentos de gratidão e amizade.
Estes dirigentes nada tem a ver com aqueles que se auto-colocam num pedestal convencidos de terem o rei na barriga como se o cargo que ocupam não fosse também uma consequência do trabalho de milhares de militantes e simpatizantes anónimos que no fundo são a maior riqueza que o PSD possui.
Sendo não só ministro mas também secretário-geral não lhe teria ficado nada mal ter cumprido o percurso fluvial até ao fim. Não o fazendo podia ao menos ter dirigido umas palavras de cortesia e agradecimento aos presentes que estavam convencidos que com a sua presença estavam a valorizar a visita de tão distinta personagem.
Já para não falar da recusa em receber um saco promocional da Câmara Municipal de Castro Marim que muito gentilmente distribui pelos presentes.
Um pouco mais de chá não lhe fazia nada mal…





2003-08-02

O país está a arder
O país está a arder. Está a arder a floresta, os pinhais, as casas das pessoas, a paciência das mesmas, a força dos bombeiros…mas o Ministro da Administração Interna já garantiu que para o ano haverá um reforço nas políticas de prevenção aos fogos de modo a não acontecer o mesmo.
Será caso para ficar descansado? Só se for na presunção que para o ano que vem o ministro já não é o mesmo.
Como na maior parte dos casos a origem de tantos incêndios é criminosa, não se sabe bem é se o crime é repartido ou pertence a uma só pessoa. Ou seja, tão criminoso é deitar fogo à floresta como deixar que nela abunde lixo e pasto que como é óbvio funcionam como gasolina nesta situações.
Valha-nos Santa Bárbara…

O desperdício nos executivos autárquicos
Os executivos autárquicos na forma como a lei os determina, no que à sua constituição diz respeito, são em bom rigor um convite à confusão e ao desperdício de recursos humanos e de energias.
Após o escrutínio dos votos depositados pelos eleitores, é aplicada uma fórmula, vulgarmente chamada de Método de Hondt que consiste numa divisão sucessiva de quocientes cujo produto determina para que candidaturas vão os mandatos. Trata-se portanto de um método de cálculo proporcional que por vezes encerra algumas surpresas.
Tudo isto é, na minha opinião, um somatório de condicionantes que conduzem a situações de ausência de condições de gestão e governabilidade. Reduzindo eventualmente o número de Vereadores, em função do número de eleitores, ou conferindo-lhes um estatuto de tempo parcial mas com pelouros atribuídos, seria na minha opinião a solução mais correcta.
O executivo autárquico deveria ser semelhante ao modelo utilizado para o Governo. Executivos de uma só cor política ou, caso se justificasse, de coligação entre dois ou mais partidos.
Neste caso o primeiro candidato da lista à Assembleia Municipal tomava posse como presidente da Câmara e teria nos candidatos subsequentes os restantes Vereadores, de entre os eleitos.
A Assembleia Municipal seria eleita com os restantes candidatos, sobrantes, até perfazer o número total de mandatos apurados no escrutínio.
Se tivermos em linha de conta que os vereadores eleitos pelos partidos derrotados, na maior parte dos casos nem têm pelouros atribuídos, dificilmente se percebe a sua missão. Mesmo na questão de fiscalização da acção política do executivo, esta pode ser feita noutro órgão que não aquele, neste caso a Assembleia Municipal cuja missão e vocação, mais perto se encontra da função fiscalizadora. Eventualmente com poderes reforçados e um maior número de sessões ao longo do ano.
A situação tal qual como está leva, nalguns casos, a reuniões de câmara que se prolongam durante horas a fio, conforme acontece nalgumas autarquias. Quem ganha com isso? Ninguém.
Os executivos são eleitos para trabalhar e para por em prática um programa eleitoral sufragado. Esta sim é a verdadeira natureza política de um executivo municipal.
Pior se torna quando a lista do Presidente da Câmara não conseguiu eleger mais mandatos que os restantes partidos da oposição. Nesse caso qualquer semelhança entre algumas reuniões do executivo autárquico e um navio a navegar sem comandante, não é pura coincidência. Exemplos não faltam.
O actual sistema de constituição dos executivos municipais tem por base uma ideia de participação e representatividade política com origem no período pós revolucionário que não só não evoluiu como remete, nos dias de hoje, para a esfera da confusão e do desperdício.
Com os instrumentos de fiscalização e inspecção que existem nos nossos dias e outros que ainda possam ser equacionados, não faz sentido o actual modelo autárquico. Nesta matéria o método utilizado na eleição das Assembleias de Freguesia vai muito mais ao encontro da razão essencial de uma eleição política, ou seja: quem ganhou governa, quem perdeu faz oposição no órgão próprio que neste caso não deve ser o executivo.

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