2008-05-02

Coisas que não consigo aferir 

Já não conheço as pessoas que actualmente desempenham funções na JSD. Saí da estrutura há 10 anos atrás, muito antes da idade limite definida pelos estatutos, por vontade própria, depois de ter terminado o meu mandato como dirigente nacional. Logo não posso aferir quem são e qual a importância dos actuais militantes da JSD, o que me impede de ter uma reflexão correcta da razão que terá levado Pedro Passos Coelho a escolher um dos filhos, julgo que o mais velho, de Luis Filipe Menezes para seu mandatário juvenil.

Survivor 

Vi os primeiros cinco minutos da entrevista a Santana Lopes na RTP1. Bastam cinco minutos para perceber que o único objectivo do ex-líder do PSD é manter-se à tona de água para que não se esqueçam que existe. O que é um erro manifesto. Para a esmagadora maioria dos portugueses, onde também se incluem muitos militantes do PSD, o período de nojo está muito longe de ter acabado. Só ele não percebe isso.

A impunidade não dá despromoção 

A União de Leiria já desceu à Divisão de Honra do futebol português. Como é sabido, o clube é despromovido devido aos maus resultados desportivos, pese embora não dever dinheiro ao Estado nem ordenados aos jogadores e equipa técnica. Desce porque não fez pontos suficientes para ficar na Primeira Liga. No entanto, há outras equipas que se vão mater na prova maior do futebol português, pese embora os vários meses de atrasos nos ordenados dos jogadores, treinadores e restante equipa técnica, bem como ao Estado, nomeadamente à Segurança Social.
Julgo que os regulamentos da Liga Profissional de Futebol não são omissos nesta matéria e até prevêem a despromoção. Estrela da Amadora e Boavista são alguns dos casos onde há problemas financeiros graves, mas não são os únicos. Como nos mais diversos sectores de actividade em Portugal, os regulamentos existem e nos seus textos são encontradas as penalizações para os infractores. No entanto, parece que não há quem aplique essas mesmas penalizações e os clubes infractores podem passar impunes, endividando-se cada vez mais e de forma cega, porque na realidade nada lhes acontece.
É um pouco como se passa nalguns sectores da vida empresarial e do próprio Estado, onde o desrespeito pelas regras e por terceiros assume a máxima falta de vergonha possível. Como não se fiscaliza, também não se pune. E daí para a completa impunidade é um passo muito pequeno.

2008-04-28

Team Guinot 


Estas senhoras que estão em cima das asas dos dois Boeing Stearman sabem exactamente o que significa a palavra «radical» e tratam o perigo por tu. Neste fim de semana estiveram em Portimão e passearam-se literalmente pelas asas dos dois aviões para grande espanto dos presentes, nomeadamente os menos habituados à acrobacia aérea. Esta fotografia não é uma montagem. Eventualmente será ilusão de óptica. Os dois aviões estavam a voar bem perto um do outro e as meninas, conforme se pode ver, estão lá em cima a “brincar”.
Foto: FV

2008-04-27

Conselho de Notáveis 

Nunca fui, não sou e dificilmente serei um militante destacado do PSD no Algarve. Como tal não estive presente na reunião informal que a distrital social-democrata convocou de onde saiu um expresso apoio à candidatura de Alberto João Jardim (valha-nos Deus…) e onde participaram apenas militantes destacados, cerca de meia centena. Ao que percebo alguns dos militantes destacados – cujo critério sou incapaz de definir - já mudaram de opinião. Há poucos dias queriam Luis Filipe Menezes de volta (valha-nos Santa Engrácia…). Parece ter-se tratado de uma consulta as bases. Mais uma vez eu também não estou entre elas, pelo menos as que têm pedrigree suficiente para participar nestas reuniões. Só não entendo para que servem estas votações. Ou por outra, perceber até percebo. Servem para marcar posições num jogo de bastidores que está muito longe daquilo que é o verdadeiro sentido do voto directo e não representado. A distrital do PSD/Algarve quer entrar no presente processo eleitoral com tropas arregimentadas e disciplinadas, garantindo a quem é apoiado, uma margem de votos considerável. Não sei se isto seria assim tão factual. O que sei é que ente estes esquemas e o verdadeiro sentido das eleições directas vai um passe de gigante. Felizmente não sou chamado para estas reuniões e se fosse, também não ia. Bastou-me uma vez para perceber que não são estas as reuniões que mais gosto de participar.

2008-04-26

Pacheco Pereira em Tavira 

Ouvir Pacheco Pereira a falar sobre o PSD e sobre os partidos em geral é um luxo. Um luxo que alguns valorizam e outros voltam as costas. Eu valorizo. Acho Pacheco Pereira uma das mentes mais lúcidas do partido. Alguém que consegue perceber os fenómenos da sociedade contemporânea e tem uma reflexão muito consistente sobre o caminho que temos pela frente.
Pacheco Pereira veio a Tavira a convite do PSD local e, ao contrário do que alguns pensavam, não abriu a boca para falar mal ou atacar o ainda líder do PSD ou os últimos tenebrosos meses de gestão menezista. Falou do passado e da história do partido e da sua matriz genética e ideológica e perspectivou o futuro.
Hoje, falar de Menezes e da sua liderança, infelizmente, é falar de um dos períodos mais caóticos e desacreditados da história do PSD cujo estado é de facto de «emergência», como referiu Pacheco Pereira.
Ou o PSD muda radicalmente de caminho ou corre o risco de fragmentar-se de tal ordem que nunca mais volta a ter dimensão nacional.

Nota: Tanto quanto sei a presença de Pacheco Pereira no Algarve, neste caso numa concelhia, foi considerado um acto de provocação. Eu acho isto fabuloso. Haver no Algarve quem pense que há militantes que podem ser convidados e outros não. É um conceito de liberdade e democracia que me custa a entender, mas que eu me lembro de já ter presenciado no passado, apenas com metade dos protagonistas. Na altura não era com Pacheco Pereira, era com Santana Lopes, imagine-se…

A vaga, foi-se 

A vaga de fundo não ganhou consistência, felizmente. O Algarve e o Porto ficaram isolados na pretensão de Menezes se recandidatar. Afinal ainda há muita gente que percebe o que se estava a passar no PSD.

O precipício 

O PSD tem vindo nos últimos meses a caminhar para o precipício. Neste momento encontra-se à beira dele. Com Santana Lopes dará o passo em frente.

2008-04-21

Começou a "vaga de fundo" 

Se Menezes já disse que não é candidato e mesmo assim a distrital do PSD no Algarve aprovou uma moção que se traduz num repto a uma recandidatura do autarca de Gaia, na sequência ou à imagem de outros apoios já expressos (Porto e Beja), significa uma coisa: há uma estratégia montada de norte a sul do país, no sentido de se multiplicarem as moções de apoio que levarão Menezes a dar o dito por não dito. Acho, sinceramente, muita ingenuidade pensar o contrário. Mas o tempo mais próximo o dirá.

No domínio da desgraça 

Hoje há um título de jornal que diz que o SCP e o SLB são os campeões da desgraça. Eu diria que são os campeões da mediocridade e da falta de profissionalismo. O que se passou em Alvalade a meio da semana, jogo que não vi, foi a excepção. A regra é estes dois clubes terem passado ao lado do campeonato. Não se devem ter apercebido que havia uma competição por disputar.
Tão grave foi a derrota do SLB na Luz frente a Académica de Coimbra, como foi o vexame público que o SCP passou ontem em Leiria, perante o último classificado e a jogar com mais um elemento durante alguns minutos. Tratam-se de duas equipas que há muito perderem as referências e que não têm nem treinadores nem dirigentes à altura dos pergaminhos e da história dos respectivos clubes. Por isso não é de estranhar que este ano fique os dois sem ganhar qualquer competição e com a agravante de nem um nem o outro entrarem na Liga dos Campeões. Obviamente que o SCP ainda pode ganhar a Taça de Portugal, se nesse dia os jogadores do Porto já estiverem a pensar nas férias, bem como pode chegar ainda ao segundo lugar, tal como o SLB. O que me parece é ser tudo cada vez mais difícil e improvável. Já para não dizer, merecido.

2008-04-18

O acordo 

Estive até agora convencido que a Ministra da Educação era o melhor membro do governo. Reconhecia-lhe uma série de méritos que um político deve ter, os quais nem sempre são fáceis de manter. Esta manhã vi-a a apertar a mão ao líder da Fenprof – o tal a quem Menezes se quis colar - a propósito de um acordo que não é mais do que o baixar os braços e perder a guerra. A Ministra de Educação sucumbiu às regras eleitorais e ao calendário do Primeiro-Minsitro. Quem perde, mais uma vez, é o sistema educativo que hiberna mais uns anos num aparente dolce fare niente para resolver os seus problemas estruturais. Os sindicatos ganharam. A ministra perdeu. O governo e o seu líder respiram de alívio. O ensino fica como está.

As razões da demissão 

Isto dava vontade de rir se não desse ao mesmo tempo vontade de chorar. Ouvir os argumentos da demissão do ainda líder do PSD, sabendo o seu percurso nos últimos anos e tudo o que fez e disse em relação a anteriores presidentes do partido, fico com uma visão entre o trágico e o cómico. Afinal é verdade: tudo pode acontecer.

Ver para crer 

Preciso de mais alguns dias para perceber se não estamos perante uma manobra de diversão de Luis Filipe Menezes. Até agora tudo me leva a crer que sim. Consta que o líder demissionário tem uma agenda preenchida com paragens entre os militantes de norte a sua do país. Ontem mesmo esteve em Sintra, pouco depois de anunciar a demissão. Isto não é normal.

Taça de Portugal 

O único comentário que tenho a fazer em relação ao SCP-SLB é: parabéns ao vencedor.

2008-04-11

Uma agenda diferente 

Ao contrário do que é dito, o problema actual do PSD e do seu líder não são as críticas internas daqueles que não o apoiaram. São as agendas pessoais daqueles que o ajudaram a chegar à São Caetano à Lapa. Menezes recebeu apoios de pessoas que não estão assim tão convencidas que ele possa ser Primeiro-Ministro em 2009, para não dizer que são os que já perceberam como a história vai terminar e em que estado estará o PSD nessa altura. Menezes, ao contrário do que tentaram fazer crer no início, não conseguiu subir nas sondagens e a eventual perda de maioria absoluta do PS deve-se, sobretudo, ao estado em que as coisas estão e à forma de governar do actual Primeiro-Ministro. A rua tem ajudado a isso. As manifestações e as greves têm sido um factor importante no desgaste ao governo. O PSD tem passado ao lado desse desgaste e quando tentou apanhar boleia, os condutores das viaturas (sindicatos) não pararam para o recolher.

Para que não fiquem dúvidas das próprias dúvidas da direcção nacional do partido, veja-se a agenda de assuntos escolhidos. O último destes episódios é a preocupação em relação à actividade profissional da suposta namorada do Primeiro-Ministro, tornada pública por essa figura ímpar que é Rui Gomes da Silva. É caso para dizer: cada cavadela, uma agúdia.


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