2009-07-07

De António Costa para Mário Lino 


Moralização 

Os exemplos de Ana Gomes e Elisa Ferreira nas últimas eleições autárquicas ajudaram a mostrar como algumas pessoas se comportam perante o eleitorado e os respectivos compromissos. No PSD, a sua líder já tinha deixado claro que quem quer ser candidato a uma coisa não pode ser a outra quase em simultâneo. No PS parece que José Sócrates, depois da muito má imagem que deixou nas eleições Europeias, quer emendar a mão e não repetir o erro. Faz bem, na minha opinião.
Manuel Alegre surgiu agora pedindo retroactividade na decisão o que levaria a Elisa Ferreira e Ana Gomes a decidirem se querem continuar no Parlamento Europeu ou a ir a votos no Porto e em Sintra. Duvido que o façam. Vão manter-se como estão ou a terem de escolher, escolherão Bruxelas que é muito mais confortável. As duas vão ter clamorosas derrotas nas autárquicas. No Porto vai mesmo ser tipo cilindro.
Sei que é muito confortável para alguns actuais deputados nacionais serem candidatos às legislativas e autárquicas. Se perderem uma coisa, ficam com a outra. Espero que Sócrates tenha mão no partido e acabe com essa promiscuidade. As pessoas quando vão votar têm de saber com o que contam. Esta é uma medida que contribui e muito para a moralização da vida política. Provavelmente vai deixar muita gente de fora do Parlamento, mas a vida é mesmo assim. Uns dias na vitória e outros na derrota.

2009-07-03

Gestos 

Está provado que o Primeiro Ministro não tem mão no seu Governo. Manuel Pinho demite-se por causa de um gesto. Isso comparado com o resto (sua passagem pelo Ministério da Economia), vou ali e já venho.

2009-07-02

Arguido 

Por tudo isto, ou seja pela óbvia presunção que poderia vir a ser constituído arguido, é que Dias Loureiro devia ter suspendido de imediato as suas funções de Conselheiro de Estado, sem salpicar o Presidente da República conforme veio a acontecer. Ser arguido não é ser culpado. Mas implica uma tomada de posição prévia nomeadamente quando se percebe que essa possibilidade tem efeitos colaterais.

2009-06-29

Eleições separadas 

Não há desculpas eleitorais para o PS. Vai ter legislativas antes das autárquicas conforme queria. Cavaco Silva tinha uma posição sobre o assunto que me parecia razoável, pese embora a confusão que isso poderia dar. Duas eleições importantes a disputarem-se em simultâneo é algo que tem os seus riscos. Assim o país abre os cordões à bolsa e gasta uns milhões de euros para evitar que um ou outro eleitor se engane no momento de colocar a cruz no sítio certo.

De volta 

O meu SLB começou hoje a temporada 2009/2010. Reconheço que o melhor é não dizer nada, por enquanto.

O preço da qualidade de vida 

Tem vindo a público em Tavira a ideia que o preço que os tavirenses pagam pela água é exageradamente elevado.
É um argumento fácil, que colhe simpatia na população, dizer que é alto um custo do qual as famílias não se podem eximir na medida em que necessitam de água potável em suas casa. Porém, não traduz uma posição séria e de bom senso face ao problema. Um qualquer político em campanha eleitoral que tenha a noção que não vai exercer o Poder, pode até prometer a oferta da água às pessoas porque nunca terá a oportunidade de concretizar essa medida. Logo, quem tem condições de ser eleito e governar uma autarquia deve falar das coisas com seriedade e sentido de responsabilidade.
A água é um bem escasso e fundamental à vida. O seu uso deve ser responsável e racional. A sua qualidade tem um custo, bem como o seu “transporte” até à casa de cada um de nós. Não é socialmente justo nem economicamente viável que a água tenha um custo no consumidor de tal maneira baixo e sem reflectir minimamente o seu valor de produção, uma vez que desse modo paga quem não a consome e a sua qualidade diminui porque não existem recursos financeiros suficientes para a produzir com elevados padrões de qualidade.
Que fique bem claro o seguinte: a água da rede que se consome em Tavira é de qualidade e tem um custo que não é aquele que os consumidores pagam na factura. É muito mais.
Sejamos realistas, a prática de tarifas da água muito abaixo dos seu custo real leva a situações de incapacidade de investimento na renovação e alargamento das infra-estruturas necessárias ao abastecimento às populações, uma vez que a fraca receita arrecadada não consegue cobrir mais do que os custos correntes. Isto do ponto de vista financeiro. Vendo as coisas noutra perspectiva, a prática de preços baixos significam o desperdício de um bem escasso que no futuro pode ser mais valorizado do que é hoje o petróleo, esse desperdício é prejudicial ao ambiente, desrespeita o principio básico do poluidor/pagador, é socialmente injusto uma vez que não atende ao poder de compra do consumidor que tanto paga por consumir como por não o fazer e sobretudo penaliza as gerações vindouras uma vez que vão ter de fazer um esforço muito maior na renovação dos sistemas de abastecimento quando estes entrarem em colapso.
Ou seja, o preço da água não pode ser tratado com a ligeireza de quem diz à boca cheia que é caro, sem olhar para o problema de uma forma global. Nestas matérias, os políticos também se distinguem entre os que só olham para a árvore e os que conseguem ver toda a floresta.
No caso concreto de Tavira, é bom que se comparem situações homólogas. É muito fácil comparar o preço da água de Tavira com a de Olhão, mas já não se faz o mesmo em relação a Faro ou Portimão, onde a solução que estas duas autarquias encontraram para gerir o saneamento básico é semelhante. Comparem as tarifas de Tavira com as de Faro e Portimão (autarquias geridas pelo PS) e depois tirem as devidas conclusões.
As autarquias que não querem actualizar as tarifas da água estão a cometer um erro gravíssimo que um dia terá resultados inevitáveis. Estão a diferir o problema para quem vier a seguir e estão sobretudo a contraria o espírito das Leis da Água e das Finanças Locais, todo o entendimento da União Europeia sobre esta matéria e muito particularmente as orientações do Governo sobre o assunto.
Repare-se que o problema não é ideológico, mas sim financeiro, técnico, ambiental e social. O Governo do PS tem vindo a produzir informação, legislação e declarações públicas a este respeito que não deixam margem para dúvidas. O Ministro do Ambiente já o disse várias vezes que as tarifas da água e da recolha e tratamento de esgotos e resíduos não pode ser a que muitas autarquias promovem, sob pena de ruptura dos sistemas. Sobre o preço da água foi mesmo mais longe e afirmou que esta deve ser aumentada 15 vezes mais, de modo a ser sustentável a sua produção e o respectivo abastecimento.
Como estamos em período de pré-campanha eleitoral autárquica, é normal mas politicamente condenável, que se diga que em Tavira o preço da água é caro, sem reflectir ou ter em conta o esforço de investimento que tem vindo a ser feito há cinco anos a esta parte, bem como a própria sustentabilidade dos sistemas. Só quem não tem perspectivas de vencer eleições pode ter um discurso tão demagógico e populista como o de prometer baixar o preço daquilo que é, ao fim e ao cabo, o maior factor da qualidade de vida dos tavirenses.
Infelizmente hoje, as pessoas pagam mais depressa e sem reclamar as facturas mensais dos telemóveis do que as do saneamento básico. Será que isto faz sentido?

Publicado no Postal do Algarve
18/06/2009

2009-06-26

Ainda a PT e a TVI 

O que mais aborrece no Governo é achar que o povo é tolo e não tem olhos para ver as evidências. Silva Pereira, o ministro fotocópia de Sócrates disse que as declarações de Cavaco Silva não se dirigiam ao governo mas sim à PT. Ora se Cavaco falou da forma como o fez foi para que o Governo ouvisse e tomasse outro rumo em relação ao negócio que estava a ser preparado. Se este negócio não se concretizar é porque o Presidente da República falou. E falou bem.
É esta superioridade intelectual e arrogância no trato que vem corroendo o governo. Como alguém dizia e bem, faz lembrar e muito o fim do cavaquismo. Oxalá seja mesmo isso.

Michael Jackson 

Morreu o Rei da Pop. Michael Jackson de quem nunca fui muito admirador mas era uma das minhas recordações da adolescência. O homem que se protegia de tudo e de todos e tinha as extravagâncias mais obsessivas com a saúde foi traído por um ataque cardíaco.
Que descanse em Paz.

Trapalhices 

A forma trapalhona como o Governo tratou o negócio da PT com a TVI mostra bem o estado a que as coisas estão a chegar. A justificação de Sócrates é um atentado à inteligência das pessoas, somado à mais do que certa inverdade quando referiu que desconhecia o negócio. Ontem Zeinal Bava deu uma entrevista típica de quem tem a pedra no sapato. Não pode haver dúvidas nesta matéria, o PS tentou silenciar a TVI que se tem revelado incómoda para o primeiro-ministro. Para o Presidente da República abrir uma excepção para comentar um negócio desta natureza, imagine-se o que estava por trás e não foi dito.
É um lugar comum dizê-lo, mas: isto com Santana Lopes e Jorge Sampaio era capaz de acabar mal.

2009-06-24

Dia do Município em Tavira 

Último Dia do Município da era Macário Correia. Mais espaço urbano e património requalificado na zona ribeirinha, uma estrada arranjada e abastecimento de água para as pessoas, doze famílias carenciadas com casa nova perfeitamente integrada numa área urbana e sem criar guetos, três ruas com nomes de pessoas que em vida foram importantes para a cidade e para o concelho e medalhas de mérito para dois clubes e duas individualidades e para 24 funcionários que cumpriram 20 e 30 anos de serviços na autarquia sem qualquer procedimento disciplinar.
Por fim o discurso emocionado do melhor autarca que Tavira já teve que na hora da despedida elencou a obra feita e deixou o agradecimento a todos que com ele colaboraram. Da parte que me toca, não tem nada que agradecer. O prazer foi todo meu.
Isto foi o que aconteceu de importante.

2009-06-21

Cicloturismo 

Muito bom o passeio de cicloturismo organizado pela Casa do Povo da Conceição de Tavira esta manhã. 70 quilómetros pela serra, barrocal e também litoral, à torreira de um sol castigador e uma temperatura a convidar um mergulho na praia.
O mais complicado foi a subida até ao Faz Fato. O resto foi quase sempre a rolar. O calor foi claramente o maior obstáculo.

Vida de vaca 

As vacas também se entalam

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